A COP-26 e as ações para que o planeta sobreviva a nós

entrelinhas
06.11.2021, 05:00:00

A COP-26 e as ações para que o planeta sobreviva a nós

Notícias que marcaram a semana

 O mundo, hoje, é uma bomba-relógio. As mudanças climáticas foram aceleradas pelas atividades humanas e, em muitos casos, já chega a um ponto sem volta. Furacões mais devastadores, chuvas mais intensas, frio mais forte e calor cada vez mais dilacerante. É um fato.
Em Glasgow, na Escócia, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-26) começou no último domingo (31) e se extende até sexta-feira (12). As decisões tomadas pelos países mais poderosos do mundo vão ditar o destino da humanidade num futuro não tão longínquo assim. 

Na última terça-feira (2), cem países assinaram um acordo para acabar com o desmatamento ilegal até 2030 e reduzir as emissões de metano, buscando dar impulso a negociações complicadas. Estas medidas se apoiarão em um fundo de US$ 12 bilhões de dinheiro público aportado por 12 países entre 2021 e 2025, além de US$ 7,2 bilhões de investimento privado por parte de mais de 30 instituições financeiras mundiais, incluindo gigantes como Aviva, Schroders e Axa.

O Brasil, que não contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro na conferência, ao contrário da maioria dos países, surpreendeu ao ser um dos mais de 100 países que assinaram o compromisso global para reduzir as emissões de metano em 30% até 2030, em relação ao nível de 2020. O país é um dos principais emissores mundiais do gás, cuja maior fonte de lançamento é a agropecuária. 

O problema é que quem está tomando as decisões são os mesmos que fizeram o planeta chegar no estágio atual. Que já prometeram bastante e pouca coisa foi cumprida. E é exatamente essa uma das crítica de milhares de manifestantes de todas as idades que estão em Glasgow. Eles pedem mais ações e menos promessas.

“Não é segredo que a COP-26 é um fracasso. Quanto tempo vai levar para os políticos acordarem? Tudo continua igual e tudo é blá-blá-blá“, afirmou a ativista ambiental sueca Greta Thunberg.

PEC dos Precatórios é aprovada (por enquanto)
No que pode ser considerada uma vitória do governo Bolsonaro, a PEC dos Precatórios foi aprovada pela Câmara dos Deputados em primeiro turno na madrugada de quarta-feira (3). A PEC dos precatórios libera R$ 91,6 bilhões de espaço no Orçamento de 2022 e é essencial para tirar do papel o Auxílio Brasil de R$ 400, como quer o presidente Jair Bolsonaro. Parlamentares contrários reclamam, porém, que a folga fiscal pode acabar sendo usada para turbinar emendas de relator, usadas para distribuir recursos a aliados do governo.

O Auxílio Brasil é visto uma das principais bandeiras eleitorais do presidente Jair Bolsonaro, na tentativa de conquistar um segundo mandato consecutivo em 2022. A articulação do governo foi capitaneada pelo presidente da Casa, Arthur Lira (PP-AL), que contou com votos de siglas que estão na oposição, como o PSDB, PSB e PDT, para chegar ao placar de 312 deputados votando a favor da proposta e 144 contra.

A votação foi envolta em críticas não só pelo teor da matéria mas também como a forma como aconteceu. Deputados da oposição questionaram as mudanças feitas de última hora por Lira. O governo federal acelerou a liberação de dinheiro a deputados na véspera da votação. Desde a semana passada, quando o texto chegou ao plenário da Câmara, o governo empenhou R$ 1,2 bilhão das chamadas emendas de relator-geral - o mecanismo do orçamento secreto. Segundo relatos, o valor oferecido por interlocutores do Palácio do Planalto pelo voto de cada parlamentar foi de até R$ 15 milhões. 

Além disso, a Mesa Diretora da Câmara permitiu que parlamentares em missão oficial no exterior pudessem registrar presença e votar o mérito de matérias em Plenário, ao contrário de outro ato da própria mesa de duas semanas atrás que determinou que a votação do mérito das matérias em Plenário teria de ser presencial. 

Essa foi uma das críticas também da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A entidade também aponta descumprimentos do regimento interno que viabilizaram a aprovação. "Não se pode alterar as regras por conveniência de momento para aprovar esta ou aquela matéria", afirmou.

O pedetista Ciro Gomes  anunciou a suspensão de sua candidatura à Presidência para forçar o PDT a mudar o voto na próxima etapa. Dos 24 deputados do partido de Ciro, 15 votaram a favor da PEC. Na sexta-feira (5), a ministra Rosa Weber, do STF, suspendeu a liberação de recurso do orçamento secreto.

Leilão do 5G
Classificado pelo governo como o maior leilão de telecomunicação da América Latina, a disputa para implantação da tecnologia 5G no Brasil, finalizado ontem, movimentou R$ 47,2 bilhões. Foram leiloados lotes nas faixas de 700 MHz, 3,5 GHz, 2,3 GHz e 26 GHz, que farão as empresas vencedoras tanto ofertar a nova tecnologia como reforçar o sinal 4G no país. O número final do leilão, que durou dois dias, foi um pouco menor que a expectativa inicial do governo, já que nem todos os lotes foram arrematados.

Deltan deixa o MP
O procurador da República Deltan Dallagnol confirmou na quinta-feira (4) que renunciou ao cargo, com a exoneração sendo confirmada no dia seguinte pelo Ministério Público Federal. Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-coordenador da força-tarefa da Lava Jato diz que o legado da operação no combate à corrupção tem sido 'desfeito' e que ele poderá 'fazer mais pelo país' fora do Ministério Público. Dallagnol deve tomar o mesmo caminho do ex-juiz Sérgio Moro e entrar para política.

Crimes que ainda chocam
Uma disputa por um terreno e desejo de vingança motivaram a morte de três pessoas em um ataque na cidade de Madre de Deus, na Região Metropolitana de Salvador, na noite da quarta-feira (3). Em Salvador, na Santa Cruz, um entregador de comida foi morto a tiros em uma ação mal explicada pela Polícia Militar. Moradores apontam uma execução pelos policiais, que dizem que o jovem estava armado. Um grupo de moradores protestou em frente à corregedoria da PM, na Pituba.

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Me marcou quando eu fui visitar a Torre de ‘Pizza’. Um garoto perguntou: 'e a Amazônia? Tá pegando fogo? - Jair Bolsonaro (Presidente do Brasil, confundindo  o ponto turístico que fica na  cidade de Pisa, na Itália)

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