A seleção da dupla Ba-Vi em 2017

darino sena
02.01.2018, 05:00:00

A seleção da dupla Ba-Vi em 2017

Como seria o time só com os melhores jogadores da dupla Ba-Vi em 2017? No gol, escalaria Jean. Foi o jogador mais regular do Bahia em toda temporada. À inquestionável qualidade técnica, Jean finalmente aliou segurança. Não cair na provocação dos adversários, não menosprezá-los, mostrar mais tranquilidade dentro de campo e reclamar menos dos árbitros foram atitudes fundamentais para Jean superar as constantes desconfianças da torcida e se firmar como um dos principais goleiros do país. A transferência para o São Paulo foi um justo reconhecimento ao amadurecimento do goleiro. Se mantiver o nível, vai conquistar rapidamente o posto consagrado por Rogério Ceni e tem bola para estar na Copa do Mundo do Catar, em 2022. Espero que continue cuidando da cabeça e não se deslumbre. 

A lateral direita foi um calo dos dois grandes clubes da Bahia na temporada passada. O tricolor teve a titularidade de Eduardo por mais um ano, mas ele foi embora sem deixar um pingo de saudade. No Vitória, o experiente Patric chegou para resolver o problema, mas foi parar no banco. Caíque Sá também não convenceu. Daria a camisa 2 para Eduardo que, apesar dos pesares, não viu a posição ameaçada. 

Minha zaga teria Kanu e Lucas Fonseca. O defensor rubro-negro pode não ser um primor técnico, mas quando ele não jogou, fez muita falta. Pela liderança, raça, identificação com a torcida, seriedade e os gols decisivos de cabeça, Kanu merece ser titular desse time. Lucas entrou no time meio que por falta de opções. Mas superou a desconfiança e fez um Campeonato Brasileiro praticamente impecável. A mancha foi aquela medonha simulação no jogo com o Flamengo. Sorte dele e do Bahia que Lucas conseguiu chamar mais atenção pelo futebol.

A lateral esquerda foi um dos maiores problemas do Vitória ano passado. Mas aí o experiente Juninho chegou para colocar ordem no coreto. Juninho foi essencial na sequência de vitórias fora, ao dar ao time algo que ele não tinha - uma saída rápida de contra-ataque pela esquerda. 

O meio tem dois volantes tricolores: Edson e Renê Júnior. O primeiro por ter sido um marcador implacável, pelo passe preciso e ser peça importante no jogo aéreo. Marcando, jogando de uma intermediária a outra, dando assistência e fazendo até belos gols, Renê foi o ponto de equilíbrio do Bahia no ano. O melhor meio-campista por aqui em 2017.

Com as apostas fracassadas em Carlos Eduardo e Cleiton Xavier, a criatividade não deu as caras no meio do Vitória. É por isso que completo a meiuca com outros dois tricolores, Régis e Alione. Oscilaram ao longo do ano, fato, mas quando estiveram em forma, foram as principais referências de um tricolor que empolgou, principalmente no primeiro semestre.

No ataque, teria a dupla David e Tréllez. O prata da casa enfim caiu nas graças da torcida. O desconhecido Tréllez terminou o ano como o centroavante mais badalado no mercado interno do país, graças a uma característica incomum nos jogadores da posição: velocidade. Sem eles, o Vitória estaria na Série B. 

Guto Ferreira, Carpegiani e Mancini foram os melhores técnicos da Bahia em 2017. Mas foi com Guto, no primeiro semestre, que o Bahia jogou melhor. Por isso, ele seria o “professor” desse time.

Darino Sena é jornalista e escreve às terças-feiras.