Ainda sem poder voltar à Tailândia, Vander fala sobre vivência no país asiático

e.c. vitória
31.05.2020, 07:00:00
Baiano, Vander aproveita as férias ao lado das filhas Júlia, de 4 anos, e Ana Luísa, 10 (Acervo Pessoal)

Ainda sem poder voltar à Tailândia, Vander fala sobre vivência no país asiático

Ex-jogador da dupla Ba-Vi aguarda liberação para poder viajar novamente

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A saudade da família trouxe Vander de volta ao Brasil. Por pouco tempo. Ex-jogador da dupla Ba-Vi, ele defende atualmente o Bangkok University, da Tailândia. “Se eu não viesse agora, só poderia vir em maio do ano que vem e, como tenho duas filhas pequenas que não moram comigo, tinha que vir para ficar esse tempinho com elas”, afirma o atacante, pai de Júlia, 4 anos, e Ana Luísa, 10.

O calendário do futebol tailandês é semelhante ao brasileiro, mas a pandemia de coronavírus mudou o cronograma do esporte no país asiático. A Liga começou em 14 de fevereiro e foi suspensa após quatro rodadas, no dia 1º de março, para evitar o contágio da covid-19. Inicialmente, os clubes ainda tinham autorização para realizar treinamentos.

Quando os registros da doença começaram a aumentar, as atividades presenciais foram proibidas e o Bangkok University, líder do campeonato, passou a ministrar treinos através da internet, duas vezes por semana. No mês passado, quando foi definido que o campeonato nacional só será retomado em setembro, os jogadores foram liberados. “Aí o clube deu dois meses de férias e ficou a critério do jogador treinar ou não”, conta Vander, que se exercita quatro dias por semana na casa que mantém em um condomínio em Lauro de Freitas.

Na companhia da namorada Tarsila, com quem mora em Bangkok, Vander desembarcou na Bahia em 27 de abril, após avaliar bastante se deveria voltar à terra natal durante a pandemia. “O momento é muito mais difícil aqui no Brasil do que na Tailândia. Lá a situação está melhor, nem se compara. Pensei muito antes de vir e o que pesou foi o tempo que eu ia ficar longe de minhas filhas e meus pais. A temporada só vai terminar no outro ano, aí tive que vir agora. Há cinco meses que eu não via elas. Ficar um ano e meio longe seria difícil. Então, arrisquei vir e estou tomando cuidado”, diz o jogador soteropolitano, que tinha estado no Brasil pela última vez no começo de dezembro.

Com 70 milhões de habitantes, a Tailândia registrou até agora 3.054 casos de covid-19 e 57 mortes, de acordo com a Universidade John Hopkins, dos Estados Unidos, que monitora o avanço da doença em todos os países do mundo. Um número relativamente pequeno, apesar de ter sido o primeiro país depois da China a registrar uma infecção.

“Quando surgiu essa pandemia, todo mundo falava que a Tailândia seria o país mais atingido, porque é muito perto da China. Tem muitos turistas. Bangkok é a cidade mais visitada do mundo. Você vai no centro e vê muito chinês”, pontua Vander.

“Só que controlaram bem no começo, fecharam os aeroportos, deram o ‘lockdown’, não podia sair depois do início da noite, não vende bebida alcoólica, fecharam todos os shoppings e feiras, só ficava aberto mercado até um determinado horário. A situação hoje está bem melhor, tanto que já estão abrindo shoppings e lojas”.

Vander também explica que o uso de máscaras no país oriental é algo comum. “Já há uma tradição, então não foi novidade. Claro que hoje o número é bem maior, mas na Tailândia você sempre vê o povo de máscara, porque lá a poluição é muito grande, então muitas pessoas já usam máscaras no dia a dia. O governo sempre avisa o dia que o nível vai estar muito alto de poluição, então eu tinha máscara em casa e já usava quando eles avisavam”.

O país tomou diversas medidas para contenção do vírus, entre elas a proibição de chegada de voos internacionais, o que pode adiar o retorno de Vander. A passagem de volta para Bangkok estava marcada para 12 de junho, mas foi cancelada e os administradores do clube ainda não sabem quando ela poderá ser remarcada.

O time irá recomeçar os treinos no dia 1º de julho e Vander foi orientado a estar na Tailândia 15 dias antes para ficar de quarentena. “Fecharam o aeroporto até o dia 30 de junho e não vou poder ir mais. O clube está esperando, porque a situação está indefinida e depende muito do andamento da pandemia”, explica o atacante, que é um dos destaques do Bangkok University. Nos quatro jogos disputados esse ano, o baiano marcou um gol e deu cinco assistências.

Retorno ao Brasil?
Vander ainda não sabe quando, mas tem certeza que irá voltar. Revelado no Bahia, ele chegou à Tailândia no início de 2017, logo após deixar o Vitória, para jogar no Chiangrai United. Após conquistar o título da Copa da Tailândia, o atacante assinou contrato de quatro temporadas com o Bangkok University. O vínculo é até dezembro de 2021, mas ele pretende seguir no futebol asiático por mais tempo. “Eu gosto muito de lá e financeiramente pra mim tem sido bem melhor. Meu pensamento é voltar para o Brasil com 34 anos”, projeta.

Aos 30 anos, ele não apenas está adaptado à vida em Bangkok, como gosta dela. “Comparado a Salvador, tem mais opções de diversão e de tudo. É uma vida muito boa. Eu tenho uma casa boa, o clube me dá estrutura, tenho carro novo, todo auxílio de saúde. Aprendi a falar um pouco inglês, então consigo me virar bem”, orgulha-se Vander, que tem a companhia de três brasileiros no time: o zagueiro Everton, o atacante Brenner e o técnico Mano Pölking. “Também tenho sempre tempo pra viajar. Já conheci Dubai, Singapura, China, Hong Kong e muitas ilhas”.

Vander está feliz no país asiático, mas sente falta mesmo é do calor do torcedor brasileiro nas arquibancadas.

“Do clima dos estádios, de jogar um Ba-Vi, um jogo com 30 mil pessoas. Lá o futebol está começando agora e, quando está cheio, tem 5 mil pessoas. Você pode perder de 5x0 que a torcida bate palma e tira foto com você”.

Vander só não consegue se adaptar à culinária tailandesa. “De exótico, já comi escorpião e grilo. Assadinhos não são ruins, não tem sabor de nada, na verdade. Mas lá as comidas são apimentadas, mas é muito mesmo, não é como a de Salvador. Não gostei”. Por isso, quando deixar a Bahia, levará na bagagem não apenas saudade. “Toda vez saio do Brasil com duas malas enormes de comida, com 30kg cada. Levo tudo que gosto e não tem lá, como carne de sertão, calabresa, sacos e sacos de farinha, dendê pra fazer moqueca”, diverte-se.

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