Aleixo Belov inicia nova aventura, desta vez rumo ao Ártico: 'o mar me chamou'

salvador
05.02.2022, 13:00:00
O navegador Aleixo Belov (Foto: Divulgação)

Aleixo Belov inicia nova aventura, desta vez rumo ao Ártico: 'o mar me chamou'

Velejador tem 79 anos e já deu cinco voltas no mundo pelo mar; ele partiu neste sábado (5) para a primeira parada, no Rio Grande do Norte

O que você quer fazer próximo a completar 80 anos? Como você imagina que vai chegar quando estiver perto dessa idade? Navegador ucraniano radicado na Bahia, Aleixo Belov continua com espírito de menino sonhador, disposto a viver aventuras com o seu melhor e infinito amigo: o mar. Neste sábado (5), ele se juntou a três tripulantes e partiu rumo ao Oceano Ártico, algo que ele nunca ousou fazer, mesmo após dar cinco voltas ao mundo.

O barco da vez é o veleiro-escola Fraternidade, onde já rodou o mundo por duas vezes. Ele partiu do bairro do Comércio em cerimônia iniciada na escadaria do Comando do 2º Distrito Naval da Marinha. Ele viajará com uma equipe fixa que conta com o marinheiro Osvaldino Dórea (Lito), a oceanógrafa Larissa Nogueira, o fotógrafo Leonardo Papini e a estudante Ellen Brito. No decorrer da viagem e das paradas, outras pessoas farão parte da expedição. A primeira parada será em Natal, Rio Grande do Norte, onde metade da tripulação sobe a bordo. Belov classifica a aventura como a mais difícil de sua vida.

"Muita coisa foi bem complicada por conta da Covid. Eu já estou um pouco atrasado, por isso quero sair logo e inicio a viagem sem parte da tripulação com o visto pro Canadá. A embaixada deles ficou fechada por anos e, quando reabriu, está com uma fila enorme. Saímos correndo também para não perder o verão de lá, se não for agora, tudo no Canadá congela e a gente fica preso no gelo", explicou o navegador.

Belov posa para foto em seu museu, em cima do veleiro Três Marias (Foto: Luciano Trink)

O Fraternidade é praticamente uma casa. Praticamente não: é. O barco tem 6 quartos, 3 banheiros, uma cozinha completamente equipada e oferece o conforto necessário para a tripulação viver por um ano e se acostumar a chamá-lo de lar - lição que Belov já aprendeu há decadas.

Aos 79 anos, Belov diz que vai sair para essa aventura porque o mar o chamou. Ele se mostra satisfeito por levar pessoas que já estudaram muito o mar, mas nunca tiveram a oportunidade de viver dentro dele - caso de Larissa e Ellen. Fotógrafo, Leonardo Papini é outro que nunca viveu esse tipo de experiência.

Para a viagem, ele leva um estoque de diesel especial para águas geladas, já que o combustível nenhum "vira mingau em temperaturas tão baixas", como o experiente velejador explica.

"O mar não se repete. Cada onda é diferente, cada nuvem, vento, oceanoe e coisa não se repete. É umas história sem fim. A gente senta em todo por do sol olhando o mar, as ondas, o sol se pondo e pensa que passou mais um dia, mais um dia de vida", se declara, orgulho, ao seu mais longevo amigo. Belov diz que, em suas viagens, já esperou ser levado por animais gigantes, ondas e até extraterrestres - mas sempre retornou. E é grato ao mar pelas oportunidades.

"O mar não se repete. Cada onda é diferente, cada nuvem, vento, oceanoe e coisa não se repete. É umas história sem fim. A gente senta em todo pôr-do-sol olhando o mar, as ondas, o sol se pondo e pensa que passou mais um dia, mais um dia de vida", Aleixo Belov.

O trajeto foi pautado com passagens pelo Caribe, Panamá, Hawaii, Canadá e Alaska. A viagem deve demorar cerca de um ano. Aleixo explica que o cumprimento do planejamento dependerá do tempo da viagem e da situação sanitária de cada lugar, não descartando paradas em outros locais.

Atração do Museu Aleixo Belov, localizado no Santo Antônio Além do Carmo, Centro Histórico de Salvador, o veleiro Três Marias acompanhou Belov em duas das voltas ao mundo que fez sozinho. O Museu virou um ponto turístico de Salvador e o aventureiro promete que trará novidades para o seu acervo. A volta, no entanto, está longe de ser uma prioridade na cabeça de Belov. Por hora, é aproveitar o mar tanto quanto puder. É aquele ditado... quem é de lá, não enjoa.

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