Antiga residência de Castro Alves, Solar Boa Vista pode virar Museu da Libertação

salvador
22.03.2022, 13:09:32

Antiga residência de Castro Alves, Solar Boa Vista pode virar Museu da Libertação

Casarão em Brotas tem sido marcado por abandono nos últimos anos

Patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1941, e antiga residência do poeta dos escravos Castro Alves, o Solar Boa Vista, no Engenho Velho de Brotas, tem a possibilidade de, finalmente, voltar a ser utilizado de forma condizente com sua história, que nos últimos anos tem sido de abandono.

O complexo arquitetônico, que também já abrigou um asilo e hospital psiquiátrico, e até foi sede da Prefeitura de Salvador e Secretaria Municipal de Educação nos anos 1980, pode se transformar no Museu da Libertação, conforme projeto apresentado ao Governo do Estado pelo Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHB), através do seu presidente Joaci Góes. 

“Estive com a secretária da Cultura, Arany Santana, e encontrei dela a maior receptividade, e colocamos a questão para que ali edifiquemos o Museu da Libertação”, comentou Joaci, em entrevista à Rádio Metrópole, nessa segunda-feira (21).

Ele mencionou as questões históricas que sustentam a necessidade de um espaço de representação, como o fato de Salvador ser a cidade mais negra fora da África, além de ter sido um dos principais polos receptores de pessoas escravizadas que vieram do continente africano. 

“Além disso, o casarão foi de propriedade de um senhor de escravos. A torre que ele edificou era onde ele subia para olhar, da linha do horizonte, para verificar se o navio negreiro, clandestinamente, chegava para despejar os escravos onde é hoje o Hotel Iemanjá (Boca do Rio), ao lado do qual existe uma ruína de um ponto onde os escravos desciam, e que preserva o nome de ‘chega-nego’”, contextualizou, sugerindo portanto uma compensação histórica desse desserviço.

Além de Castro Alves, a ideia é que o espaço homenageie outras grandes personalidades abolicionistas, como o advogado Luiz Gama e sua mãe, Luiza Mahim.

“Encaminhamos ao Governo do Estado esse pleito, para que o governador Rui Costa, ainda nesse final de exercício, colocasse à disposição aquele imóvel, que está em ruínas, e eu disse que o Instituto [IGHB] assumiria a responsabilidade de mobilizar todas as forças necessárias, emendas parlamentares, colaboração de governos e instituição internacionais, setor privado baiano, para que nós edifiquemos, ali, o Museu da Libertação”, complementou.

Antes de ir morar no Solar Boa Vista, Castro Alves e família chegaram a viver na Rua do Rosário (hoje Avenida Sete), em um casarão que foi demolido para dar lugar a um prédio comercial, bem próximo à Praça da Piedade, e depois também morou na Rua do Passo (Pelourinho), onde veio a falecer também. A família dona deste casarão no Centro Histórico mantém um memorial por lá, atualmente.

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