Após derrota, Guto assume superioridade da Juazeirense: 'Nossa incompetência'

e.c. bahia
27.02.2022, 21:59:00
(Felipe Oliveira/EC Bahia)

Após derrota, Guto assume superioridade da Juazeirense: 'Nossa incompetência'

Técnico do Bahia também criticou gramado do Adauto Moraes: 'Campo irregular'

O Bahia podia ter entrado no G4 do Baianão, mas acabou saindo do Adauto Moraes em clima de frustração. O tricolor perdeu para a Juazeirense por 1x0, neste domingo (27), e permanece na sexta colocação, com seis pontos. Não só se complicou na briga por uma vaga na próxima fase, como vê o Z4 se aproximar - está a apenas a dois pontos de distância.

Durante o duelo, o Esquadrão pouco criou, abusando nas bolas longas. Já a Juazeirense conseguiu o gol ainda aos três minutos da partida, se fechou e conseguiu manter o resultado. Após o apito final, o técnico Guto Ferreira admitiu que o rival foi melhor. Mas criticou o gramado do Adauto Moraes e o 'tanque cheio' do Cancão de Fogo, que ficou 15 dias sem jogar e teve tempo para treinar com o novo técnico, Barbosinha.

"A questão dos fundamentos, a nossa equipe tem tido 87% a 89% em passes certos nas partidas. Um aproveitamento de 5% a 7% maior que o do ano passado, o que mostra evolução. Mas, com o campo de hoje, ficou inviável. Mesmo que você trabalhe bastante, em um campo tão irregular como esse, não são dois ou três dias que vão fazer com que o jogador possa se adaptar totalmente. Nós até fizemos um treino ontem aqui. Mas é um treino, sem a intensidade que foi o jogo", disse.

"Eles totalmente adaptados e de tanque cheio. E nós não conseguimos jogar o nosso jogo. Nós tentamos propor o jogo, não conseguimos. Tentamos fazer jogadas pelos lados, não conseguimos. Tentamos ligação direta, não conseguimos. Eles têm o domínio do estilo de jogo que o campo propõe. Nós tivemos que nos adaptar durante o jogo", completou o técnico.

Guto Ferreira também lamentou ter sofrido o gol no início da partida, quando sua equipe ainda estava se adaptando ao gramado do Adauto Moraes. Mas o treinador não fugiu da responsabilidade e admitiu: o Bahia quase não assustou o rival. Um dos poucos momentos foi uma cabeçada de Gustavo Henrique, no fim do primeiro tempo. O lance, porém, parou em grande defesa de Rodrigo Calaça.

"Se pegar a partida toda, tomamos o gol no início, quando ainda estávamos nos adaptado dentro da partida. Depois disso, eles tiveram poucas chances de gol. E nós não conseguimos chegar com uma chance clara. Tivemos lances de cabeceio, de bola parada. Outro lance de bate-rebate. Mas nenhuma grande defesa de Calaça, sem contar aquela cabeçada. Mas eles também não tiveram um grande lance, sem ser o gol", afirmou Guto.

Antes de enfrentar a Juazeirense, o Bahia vinha de quatro jogos seguidos pela Copa do Nordeste. Ganhou do Globo e do Sampaio Corrêa, empatou com o CSA - esses três em casa - e perdeu para o Fortaleza, fora. Guto citou a diferença de jogar pelo regional para atuar no Baianão, com alguns gramados em condições ruins.

"Temos que alinhar a equipe para uma competição [Copa do Nordeste], e o campo que nós estamos jogando. A situação que estamos no estadual é completamente diferente. Isso provoca nossa incompetência hoje".

Na próxima rodada, o Bahia enfrenta o Atlético de Alagoinhas no Carneirão. O confronto será na quarta-feira (2), às 19h15. 

Confira outros trechos da entrevista de Guto Ferreira:

Faltou qualidade?
Acho que o gol no início atrapalhou bastante o andamento da situação, fortaleceu a equipe deles. Dificultou para nossa equipe. E nosso estilo não se encaixou de jeito nenhum. No gramado, contra nosso adversário. Não conseguimos desenvolver nosso jogo. Não tenho o que falar, não tenho por onde fugir. É um futebol totalmente atípico. Não é um futebol que a gente vem jogando na Copa do Nordeste, nos jogos dentro de casa. Nos jogos fora de casa da Copa do Nordeste. Não é esse o perfil de jogo que a gente vem jogando.

Luiz Henrique no ataque
Ele foi bem na lateral, foi bem na frente. Esse era um jogo que exigia um time mais de força, e ele é um jogador que tem o vai e vem bastante forte, que tem drible. Por isso que a gente adiantou ele para essa partida. A troca foi porque Matheus Bahia tomou o cartão amarelo.

Primeira vitória do rival
A Juazeirense não tinha vencido, mas também não tinha tido 15 dias para treinar na mão de um treinador novo e com reforços. Então não é a equipe que começou a competição. A equipe do momento é outra. 

Reforços
A questão de reforços já foi falada. Não sou eu que vou ficar reforçando aqui. Já falamos das situações, a direção já se pronunciou. Eu acho que não tenho, neste momento, que estar transferindo essa responsabilidade. Dentro daquilo que a gente tem para o momento, temos que buscar fazer o melhor. Hoje, nós não conseguimos desenvolver nosso jogo contra essa equipe, nesse piso, nesse estilo de jogo.

Pressão para quarta?
O Bahia está sempre sobre pressão. O Bahia só não está sob pressão quando está na liderança. E, mesmo quando isso acontece, às vezes tem pressão também, se tiver na liderança com pouca margem. A pressão é sempre no Bahia. Temos que buscar, nos três próximos jogos, três equipes difíceis, mas com um piso melhor. Tentar fazer melhor do que fizemos hoje.

Jogo contra o Atlético de Alagoinhas
A questão não é um adversário melhor. É um piso melhor, um piso alto. Mas jogamos domingo, eles jogaram ontem. Têm um dia a mais de descanso, não vão viajar. Nós ainda temos que viajar hoje e viajar para Alagoinhas. Eles vão pegar um piso que estão adaptados, e nós não. Isso tudo faz diferença. Eles estão treinando dois meses na nossa frente, pelo menos 40 dias. Nós tivemos vários problemas de covid-19. Tudo o que eu falar aqui é desculpa. Nesse momento, não gosto de ficar dando desculpa. Quero fazer a equipe melhorar. Temos conseguido fazer bons jogos, e outros nem tanto. Hoje foi um desses que não foram bons.

Baiano é segundo plano?
Pergunta muito boa. Por incrível que pareça, a gente não tem essa possibilidade, porque nós estamos jogando direto. A gente não consegue priorizar uma ou outra. O detalhe é que a gente pega tipos de jogos diferentes, o piso atrapalha. Eles vêm de 15 dias descansando, e a gente teve jogo quinta-feira. É mais ou menos isso. As equipes do estadual, além de terem começado muito antes, quando jogam em seus campos, estão na frente no aspecto físico. Mas a gente não pode falar nada, porque perdeu para o Barcelona em casa. Antes você tinha equipes com jogadores que conseguiam estar no nível acima, mesmo com a parte física abaixo. Mas agora a parte física nivela, ou até ​deixa ​desnivelada.

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