Após retenção de respiradores, governo da Bahia compra novos equipamentos da China

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07.04.2020, 17:49:00
Atualizado: 07.04.2020, 22:35:56
(Stefan Rousseau/AFP)

Após retenção de respiradores, governo da Bahia compra novos equipamentos da China

Estuda-se, agora, buscar os equipamentos diretamente no país asiático

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O governo da Bahia comprou novos respiradores da China após a retenção de 600 aparelhos no aeroporto de Miami, nos Estados Unidos, de onde seriam encaminhados ao Brasil. Agora, o governo baiano deseja buscar os equipamentos diretamente no país asiático. A assessoria da Sesab informou que um fornecedor chinês deve entregar 600 respiradores ainda no mês de abril, mas não se sabe se essa é a quantidade total da compra.

De acordo com o governador Rui Costa (PT), as novas compras foram realizadas pelo Consórcio Nordeste com fornecedores diferentes da China. A estratégia para evitar novas retenções é utilizar um avião para buscar os respiradores. Do primeiro pedido, 400 aparelhos ficariam na Bahia e outros 200 seguiriam para o Ceará.

“Estamos buscando formas de conseguir um avião para buscar esses equipamentos, conversando com companhias aéreas e aviões particulares de pessoas que ofereceram para poder ir buscar direto na China o mais rápido possível”, afirmou o governador durante o Papo Correria desta terça-feira (7).

A assessoria da Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) informou que um fornecedor chinês deve entregar 600 respiradores ainda no mês de abril. Não se sabe se essa é a quantidade total da compra realizada após a retenção.

O primeiro pedido foi cancelado pelo fornecedor da China sem nenhuma explicação ou aviso prévio. O contrato era de R$ 42 milhões, mas o valor milionário não chegou a ser desembolsado pelo estado.

Reportagem do Fantástico informou que, ao ser questionada pela embaixada brasileira nos EUA, a empresa distribuidora dos equipamentos afirmou não ter sido impedida de realizar a transação pelo governo americano e que, por conta própria, decidiu suspender a venda para não ser responsabilizada caso os ventiladores fossem demandados domesticamente. Já a fornecedora dos respiradores afirmou que não teria condições de fornecer o equipamento devido à enorme demanda global pelos aparelhos.

Na ocasião, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, disse que uma compra em massa de equipamentos feita pelos Estados Unidos na China pode ter afetado a chegada dos materiais ao Brasil. Por isso, a suspeita é que os respiradores também permaneçam em solo norte-americano. 

Em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, Dauster afirmou que a empresa chinesa alegou “problemas de razão técnica” e informou que a carga teria um outro destino que não foi informado.

Na última sexta (3), a Secretaria Estadual de Saúde (Sesab) informou que a Bahia mantinha um estoque de 500 respiradores e aguardava a chegada de outros 600.

No total, o estado conta com 3.284 aparelhos que já estão instalados em leitos de Unidade de Terapia Intensiva espalhados pelo estado. Desses aparelhos já disponíveis, 1.815 pertencem à rede do Sistema Único de Saúde (SUS). Além disso, 104 desses equipamentos estão passando por fase de manutenção e, assim que estiverem prontos, estarão disponíveis para uso pelas unidades de saúde. 

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