‘Aqui né a casa dele’: Alex Xella está por trás dos áudios mais engraçados do ano; ouça

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14.07.2019, 14:00:00
Atualizado: 15.07.2019, 01:08:23
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‘Aqui né a casa dele’: Alex Xella está por trás dos áudios mais engraçados do ano; ouça

Autor do hit ‘Tapa na Cara’ conta como surgiu bordão nervoso que virou música

Com base em dados de frequência estatística, o IBGE concluiu, esse ano, que se Salvador fosse uma pessoa, seria uma mulher chamada Maria, parda, católica, na casa dos 30, solteira (mas numa união não oficializada) e, mais óbvio, moradora de Brotas. O que pouca gente sabe (ou lembra) é que lá nos primórdios dos anos 2000, quando Maria dava uns pegas em outra personificação de Salvador -- também balzaco e morador de Brotas --, costumava pedir uns tabefes quando os dois faziam amor.

Supostamente católico na época, Alexsandro Cerqueira Barbosa, que costuma atender por Alex Xella (Xella é Alex ao contrário, mas com um L extra) costumava solicitar iluminação divina para decidir se atendia ou não ao pedido indecoroso da crush. No final das contas, dava-lhe uns tapas na cara, sempre consentidos, mas também mal interpretados por muita gente. Como Maria e Alex se separaram, vou deixar a polêmica em torno de um dos maiores hits do pagode baiano pra mais tarde. 

Foto: Divulgação

Cedo pra comentar, mas já dá arriscar que além do compositor da empoeirada “Tapa na Cara”, Xella é também o autor dos áudios mais engraçados do ano, que já circularam, de acordo com um hacker aqui, em nove de cada 10 grupos de WhatsApp de Salvador.

As duas primeiras pérolas audiofônicas me foram mostradas pelo jornalista, cineasta e bróder Victor ‘Xumi’ Uchôa, já envelopado como recomendação para a coluna e com dica da autoria.

"Rapaz, eu não sei se você já está a par desses dois áudios já clássicos, que tão circulando pelos grupos de pagode e da resenha, em Salvador, tem mais ou menos um mês. O primeiro que circulou é o que ele diz a grande frase: 'fere a imagem da banda'", largou Xumi, explicando ser da lavra do indigitado pagodeiro os reclames de bastidores que fazem Salvador rir há algumas semanas.

[[Clique no X e no Play para ouvir o áudio. Se não der, as transcrições vão abaixo]]

Transcrição Áudio Baixista 1/2
“Rapaz, eu não ia falar nada, não, mas quem trouxe esse baixista aí, negão? Que nada! O cara não faz uma base. Toda hora é 'pê pecumpê, pecumpê, pecumpê, pecumpê, pecum...', quando pensa que o cara vai mudar, vai fazer uma coisa nova, o cara mete 'pebebebum pebebebum pebebebum pebebebum'. Ainda trouxe esse guitarrista aí com a cara de roqueiro maluco, véi. O cara fedendo a cigarro feito a porra. Que nada! Quando vai ver a base do cara faz 'cundengumpen cundengum [intranscrevível]'. Que nada, parceiro. De quando o pagode começou. Eu vou sair jogando nessas disgraças, viu? Vou sair jogando porque aqui não tem puta. Aqui né a casa dele. Né a casa deles, entendeu? Não sei por que vocês não falaram a esses caras que eu sou nervoso. Não venha meu ganhar dinheiro dessa forma. - Ô, véi, feche a porta aí... - [respira fundo] Que disgraaaça!”

Transcrição Áudio Baixista 2/2
“Já falei com esse ordinário pra não fugir do 'pimpatacum pimpatacacapim patacumpim patacacum bongo', entendeu? Fere a imagem da banda ficar toda hora quebrando. Aqui né jam! Né a casa dele! Já falei: né a casa dele! Né a casa dele pra ficar quebrando toda hora. Ninguém é puta! É seguir, negão: 'pimpatacum bimpatacacapim patacumpim patacacum bongo', e já foi, negão. 'Bombombombom pimbimbimbimbom', algumas coisinhas e tal, mas já foi. Aqui né jam. Aqui né casa de ninguém, não. Vamos se respeitar ou então pegue vamos pegar seu alojar, viu? Vamos pegar seu alojar, botar as congas nas costas aí, que ninguém precisa disso.”

Origem
Fui atrás de Alex Xella pra saber o que havia por dentro da história dos áudios, ou seja, quando ocorreram as situações, quem era o tal baixista oportunista e o guitarrista maluco, se ele picou a mão nos caras, enfim…

O próprio sacaninha explica a origem da brincadeira - sim, não é sério -, que nem foi com esses dois. “O primeiro áudio foi o do percussionista. Viralizou legal. Teve um dia que eu tava em casa e o pessoal da Europa, Rio de Janeiro e um bocado de gente [me dizendo] ‘rapaz, que áudio é esse do percussionista? Tá engraçado demais!’ Aí meus amigos foram falando que tinha que fazer mais”, explica Xella, que diz ter lançado a resenha “sem pretensão alguma de estourar, de viralizar, de nada”.  

Música nova
A inspiração para as histórias está nos anos de estrada como compositor, multi-instrumentista, ator e, principalmente, vocalista de bandas como Pagodart (onde estourou, lá pelos idos de 2002), Dignow, Saravada e carreira solo.

“A gente já passou por muita coisa (na carreira) e aí resolvi pegar a história de cada músico, e que a gente já viu acontecendo. E aí foi fazendo os áudios, e cada áudio que a gente gravava, viralizava. Eu falo de dançarina, que a galera já tá pedindo música desse áudio. Tem o do baterista… Todos que eu gravei, eu boto no final que não é a casa dele”, comenta Xella, que vai lançar, nesta semana, uma música no embalo do sucesso que os áudios têm feito. “Aqui não é a casa dele” sai no máximo até terça-feira, nas plataformas digitais. 

Foto: Reprodução

Antes, dá pra curtir um mash-up das gravações. “Um amigo botou os áudios em cima da suingueira, e tá estourada em paredão. Neguinho no pagode já tá botando em repertório. Aí a gente pegou e pensou: ‘vamo fazer direito’. Gravou, eu botei uma letra, e meu filho tá mixando”, explica. 

Eis a prévia improvisada, assinada por Islan Bass, que também participa da composição e arranjos da música real oficial que será lançada.

Apoio dos parças
Mas a produção em série (outros áudios já lançados estão mais abaixo) não pára tão cedo, com divulgação garantida por parceiros de altíssimo quilate. “A galera não tá me deixando em paz porque toda hora tem que fazer mais áudios. E, rapaz, é uma coisa incrível porque eu faço, mando para dois grupos (de zap) que eu tenho aqui, a galera vai mandando pra um e pra outro, daqui a pouco, gente que eu nem imagino tá me mandando”, diz, ao citar um em especial: Os Amigos do Xella, que “tem Silvano Salles, Tatau, Reinaldo, uma galera danada, e é aquela resenha. A gente ri demais”.

Um dos que até encomendou áudio na pegada do “aqui né a casa dele” foi Ronaldinho Gaúcho. “Ele fala direto. Assim que ele ouviu, mandou aqui: ‘Xella, grava aí pra um amigo meu baixista’. A gente tem uma amizade e gravei pra ele”, relata o pagodeiro.

No Instagram, o Mago também costuma demonstrar a amizade que tem pelo amigo brotense. “Alô, meu afilhado Xella. Parabéns, muita sorte nesse novo trabalho. Porra, vai ser o maior sucesso, meu cumpadi. Vai que vai! Arrebenta. Tamo junto”, afirma Ronaldinho num vídeo publicado no perfil do cantor e gerador de resenhas. 

Volta por cima
O vídeo de Ronaldinho é do início do ano, e deseja sucesso aos mais recentes trabalhos de Xella, atualmente em carreira solo. Eles envolvem parcerias com diversos artistas e amigos como Denny Denan, Lu Costa, Bruno Magnata, Edcity, Igor Kannário, entre outros.

São justamente as parcerias, especialmente como compositor, que marcam o período entre o fim do sucesso com a Pagodart (com diversas idas e vindas) e a tentativa de voltar a emplacar, como protagonista, um sucesso nacional.

"Depois do Pagodart, eu fiz uma história. Com o Dignow, eu tive mais de nove músicas tocando, estouradas na rádio. 'Ligadinho em Você', 'Abre que é sucesso', 'Caia na gandaia', 'Fica caladinha', todas minhas. Eu saí do Dignow e entrei no Saravada, estourei músicas que até hoje são hinos do Carnaval, como 'Empurra-empurra', (tocada pelo) Psirico, [cantarolando] 'Cabelo black, atitude, cabelo trançado', botando o negro pra cima, fora várias composições gravadas por vários artistas como Kannário, Oz Bambaz", conta. 

O nome e conceito desta última, aliás, também leva sua assinatura. “Você não sabe, mas o nome Os Bambaz é meu. Eu dei a Edílson (Capetinha) e montei a banda com ele, desde a primeira formação”, comenta Xella, citando a amizade antiga com o jogador, além das parcerias de infância, no Engenho Velho de Brotas, com Márcio Victor e Ninha, ex-Timbalada, por exemplo. 

Sua onipresença no universo pagodeirístico são atestadas ainda pela presença nos arrastões da Timbalada, no Carnaval, atrás de Carlinhos Brown, e pela conquista do posto de vocalista da versão infantil do É o Tchan, que eu nem lembrava que tinha existido. “Com 14 anos fui cantor da primeira banda que o É o Tchan fez infantil, O Tchanzinho”, recorda.

Se o reconhecimento pelos serviços prestados não vem aqui, vai fora. “Ano passado ganhei um prêmio numa boate da Suíça. A gente faz mais shows lá no Verão, em grandes festivais, e as pessoas gostam muito da música brasileira”, comenta.

Crítica musical foda
E por falar em música brasileira, sobre a baiana, o cantor tem algo a comentar. Quer dizer, sobre o estado atual do pagode baiano, que para ele vem perdendo seus principais referenciais, sendo substituído por outros.

“As músicas do pagode sempre foram reunidas com uma mistura de ritmos. Do samba junino, que acontece no Engenho Velho de Brotas, Samba Tororó, essas coisas. Daí que surgiu o Gera Samba e aí, do Gera, veio surgindo quase todas as outras coisas. (...) Graças a Deus, eu tive a oportunidade de começar cedo, mas eu tinha grandes referências que hoje em dia muita gente que tá fazendo pagode não tem. E fica difícil porque eles estão querendo botar uma cultura no pagode da gente que não existe, que é um funk carioca ou paulista”, observou.

Tapa na cara da sociedade
Afora o ritmo, os temas das canções atuais também incomodam o artista. “A gente tem que falar sobre empoderamento, sobre o momento do pagode atual, que não é um momento legal”, defende Xella, ao admitir certa tristeza por seus trabalhos mais recentes não terem o devido reconhecimento.

“A gente tem um trabalho legal que fala sobre empoderamento, sobre o negro, sobre a mulher, fala sobre amor, fala sobre tudo”, diz, em autopromoção. 

Mas 'Tapa na Cara', composta quando ele tinha 17 anos, já era uma música empoderada? Pra mim, sim, mas pra tantas outras cabecinhas, na época, era um incentivo à violência contra a mulher. Diante do contraditório, o menino Xella soube dar seus pulos.

“A gente sofreu, mas fomos acolhidos por Caetano, por Ivete, uma galera boa. Porque, na realidade, você pega 'Tapa na Cara', pras letras de hoje, meu amigo, seria música de igreja. Mas as pessoas só queriam saber do refrão, não queriam pegar a letra e ver que eu falava do que acontecia em quarto com um casal. Eu falo de um menino novo que se relaciona com uma mulher mais velha. Ele pedia a Deus e tudo mais porque nunca tinha passado por aquilo, e a mulher pedia tapa na cara a ele”, resume o enredo. 

Pra quem não conhece a música, taí ela postada no YouTube pelo perfil "palhaço Meupau" com a seguinte descrição: "pagodart,tapa na cara,piriguete.putaria,sexo,musica aaaaaaaaaaa meus tempo de muleke... kkkkkkkkkkkkk".

Ajuda, Luciano
Diante da má impressão à primeira vista, a explicação da história foi a condição para aparecer na Globo. “Eu me lembro que eu cheguei pra gravar Luciano Huck, e aí ele tava meio com a cara fechada. Daí chamou eu e o pessoal do Tchan pra uma reunião, e a gente explicou tudo, e ele ficou de boa”, recorda. 

A participação no Faustão foi mais tranquila e agradável. Público com a letra na ponta de língua e disco de ouro, ao vivo, num domingão como hoje.

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