Área imobiliária, saúde e educação são as apostas do ano

bahia
15.01.2021, 06:00:00
Atualizado: 18.01.2021, 02:31:17
Donaldson Gomes conversa com Gustavo Queiroz (Reprodução)

Área imobiliária, saúde e educação são as apostas do ano

O publicitário Gustavo Queiroz fala sobre os desafios do mercado em 2021

O movimento no mercado de publicidade pode trazer importantes sinais sobre o desempenho da economia e neste sentido agora em 2021 é importante olhar com atenção para três segmentos da economia baiana: mercado imobiliário, saúde e educação. Para o publicitário Gustavo Queiroz, fundador e CEO da NIBS – Transformação, Marketing e Inovação de Negócios, estas são as três grandes apostas deste ano. 

Convidado do programa Política & Economia, apresentado pelo jornalista Donaldson Gomes, ele ponderou que espera os seis primeiros meses do ano numa dinâmica parecida com a de 2020, mas acredita num processo de aceleração à medida em que a população for vacinada. “A gente está apostando em três setores, que tem uma oportunidade grande, apesar do momento de dificuldades que o mundo está vivendo. Eu estou falando do setor imobiliário, de saúde e da educação”, diz. 

Ele lembra que o ano de 2020 foi um período muito ruim para alguns negócios. “Tem negócios que foram atingidos de morte, como a aviação, o turismo, entre outros, e é cruel você dizer que o empresário não foi inteligente para aproveitar o momento porque em alguns casos não havia o que aproveitar”, aponta. À exceção destes casos, ele conta que teve clientes que conseguiram bons resultados no período. “Nós da NIBS entramos na pandemia com sete clientes e saímos com 14, dobramos de tamanho, faturamos 40% a mais que no ano anterior”, conta. 

“O que eu acho que deu para tirar de positivo é que as pessoas pararam para refletir sobre suas vidas, padrões de consumo e passaram a ter uma consciência maior da condição humana e isso vai trazer frutos muito positivos porque muda a cabeça das pessoas”, acredita. 

Setores
O primeiro setor destacado pelo publicitário é o imobiliário. Ele baseia a expectativa nos custos dos financiamentos atualmente para a aquisição de imóveis e na baixa remuneração da renda fixa no país, o que estimula quem tem recursos guardados a buscar outras alternativas. “Teremos muitos lançamentos este ano e aquele investimento que já rendeu 14% ao mês no passado com a renda fixa acabou, as pessoas vão ter que buscar uma alternativa e os imóveis podem ser o caminho”, diz. 

Segundo Queiroz, há uma demanda por modernização no setor de saúde. Ele conta que há muitos  investimentos na telemedicina estão sendo preparados para ser ofertados este ano. “Temos um cliente nosso montando uma plataforma muito robusta para isso. Imagine uma clínica com duas unidades, mas que é capaz de estar em qualquer lugar numa época em que a saúde é muito desejada”, afirma. 

E a terceira aposta para 2021 é a área de educação. “Este é um outro mercado que virá muito forte este ano. A educação precisa se reinventar e estamos falando de um desafio enorme”, conta. 

Há pouco mais de um ano ele vendeu a participação na agência Morya para embarcar no sonho de criar a NIBS. “A gente estava vendo com muita clareza a ruptura que iria existir em nosso setor, de comunicação de maneira geral e nas agências de propaganda de uma maneira mais forte”, lembra. “Resolvi investir naquilo que eu vi que estava surgindo de mais novo no mercado, tentando desmaterializar um pouquinho a agência e deixar as pessoas com mais liberdade”, diz. 

Queiroz acredita que o regime de trabalho nas agências com um perfis mais tradicionais se tornou “maçante” para os profissionais. “As pessoas estão querendo mais liberdade, ser donas do seu tempo e ter a oportunidade de cuidar de outros projetos na vida, além do seu trabalho. Tudo isso entrou num caldeirão dentro da minha experiência, eu estava indo muito aos Estados Unidos, e a partir daí criamos a NIBS”, conta. 

Ele descreve o regime de trabalho da equipe como “flex office”. Segundo ele, a equipe tem gente que trabalha de Barcelona, São Paulo e até aqui em Salvador. “As pessoas fazem o seu horário e tem outros projetos. Isso conseguiu atrair grandes talentos”, diz.  

Gustavo Queiroz destaca a migração da audiência para meios mais digitais. “O próprio jornal se modificou e o jornal não é o papel, é a informação, independente da plataforma. A gente está aqui numa plataforma digital”, exemplifica, falando sobre o programa transmitido pelo Instagram do CORREIO (@correio24horas). 

“Houve também uma grande mudança na maneira de se comunicar. “Antes a comunicação era numa via de uma mão só, você colocava uma gama de informações para as pessoas e elas absorviam isso. Hoje não, existe um diálogo. Existe uma interação com as empresas que mudou as relações de poder”, destaca. “Você publica algo e diz que um determinado produto é bom, mas a audiência pode responder e dizer concorda com a afirmação ou não”, diz. 

O publicitário explica que o modelo tradicional de trabalho se esgotou a tal ponto que coloca em risco a profissão. “É muito comum um filho de publicitário dizer ao pai que quer seguir a profissão e o pai responder aconselhando que não”, conta. Segundo ele, em casa o exemplo é diferente. Ele tem dois filhos trabalhando com ele na NIBS. “A propaganda precisa voltar a ser um lugar atrativo, onde as pessoas sintam a vontade de trabalhar”, acredita. 

Segundo ele, é necessário que se modifique um pouco o modo de trabalhar a publicidade, lançando mão das novas ferramentas disponíveis e utilizando bastante a análise de dados. “A propaganda vivia muito de sentimentos, a gente falava muito de pesquisa, mas era algo difícil de fazer, complexo e era caro. Os dados sempre existiam, mas com um nível de utilização muito menor do que hoje”, diz.  “Pesquisa se tornou muito barato, dados estão aí aos montes e isso influi bastante no trabalho da gente atualmente. Temos que usar isso para entender melhor o consumidor e fazer com que a relação seja cada vez mais de um diálogo e menos um monólogo”, acredita. 

Para quem pensa em ingressar na área, ele recomenda a profissão, mas com o entendimento de que a propaganda hoje é muito diferente do que foi no passado. “Aquele profissional supertalentoso que trabalha de maneira descomprometida, 'artística', vamos dizer entre aspas, precisa aprender a trabalhar com uma plataforma de tecnologia, de dados, análises e muita estatística”, diz. Além disso, ele acrescenta, tem a questão da criatividade, que é algo que sempre será valioso na atividade. 

Ambiente inovador
O publicitário Gustavo Queiroz destaca a importância de um ambiente favorável à inovação. A NIBS está instalada no Hub Salvador, o que, segundo ele, gera uma série de oportunidades positivas. “Há uma série de esforços, com a Prefeitura principalmente, eu estou muito impressionado com a diversidade de startups que estão surgindo em Salvador. Tem muitas ideias muito boas, pessoas muito preparadas para o trabalho”, diz. Segundo ele, o que precisa melhorar é a “infraestrutura” para dar suporte às boas ideias. 

“Eu vi muito nos Estados Unidos e nós precisamos ter aqui uma estrutura em que as boas ideias sejam abraçadas. Lá, se alguém tem uma ideia boa, facilmente terá acesso a engenheiros, pesquisadores e investidores, há uma estrutura muito favorável neste sentido”, aponta. “A criatividade na Bahia é muito forte, só precisamos de uma estrutura favorável”.  

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