Arranjo Populacional de Salvador é um dos 15 mais influentes do país

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26.06.2020, 06:00:00
(Nara Gentil/CORREIO)

Arranjo Populacional de Salvador é um dos 15 mais influentes do país

Pesquisa publicada pelo IBGE indica que a Bahia ainda sofre bastante influência do conglomerado formado pela capital e 9 municípios da região metropolitana

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A Bahia segue muito dependente do Arranjo Populacional de Salvador, uma das 15 metrópoles do Brasil. O dado foi divulgado na pesquisa Regiões de Influência das Cidades (REGIC), feitas pelo Intituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse Arranjo Populacional (AP) é formado pela capital e outros 9 municípios: Camaçari, Candeias, Dias d'Ávila, Lauro de Freitas, Madre de Deus, Mata de São João, São Francisco do Conde, São Sebastião do Passé e Simões Filho.

Os resultados e análises da REGIC podem servir como insumo para a decisão sobre a localização de unidades de órgãos públicos, de filiais de empresas e para identificação de locais mais adequados regionalmente ao atendimento de serviços de saúde e educação, por exemplo.

Um outro ponto que a pesquisa, realizada em 2018, traz é que três cidades baianas tiveram um crescimento hierárquico notável. Isso quer dizer que ganharam mais influência e ajudam a descentralizar os serviços no Estado, que ainda tem uma influência muito grande de sua metrópole.

"Quanto mais capitais regionais o estado tem, mais descentralizado ele é. Mostra que você tem ali um território fora da capital que é importante, que dividem influencia e evitam, por exemplo, que você faça grandes deslocamentos para ter acesso a serviços e a bens", explica a Analista de Dados do IBGE, Mariana Viveiros.

Entre 2007 e 2018, Itabuna e Eunápolis tornaram-se capitais regionais e Luís Eduardo Magalhães foi a cidade baiana que mais subiu na hierarquia, passando de centro local a centro sub-regional. Com isso, a Bahia passou de 4 para 6 capitais regionais.

A grande maioria das Cidades baianas manteve a mesma classificação que tinha na Regic divulgada em 2007: 90% não mudaram de hierarquia, o que, segundo o IBGE, indica estabilidade geral da rede urbana no estado.

O caso de maior ascensão hierárquica no estado foi o de Luís Eduardo Magalhães, que em 2007 era um centro local (hierarquia mais baixa) e foi classificado, em 2018, como centro sub-regional, tendo influencia inclusive em cidades de outros estados, como a tocantinese Taguatinga.

"Luís Eduardo se desenvolveu muito por conta da agricultura. É um grande centro produtor de comodites, mas tem outras produções bastante diversificadas. Foi uma cidade que ganhou importância e aí puxa empresas, unidades de poder público e influenciar cidades vizinhas", aponta Viveiros.

Distâncias
A Bahia tem o 2º maior deslocamento médio do Nordeste para acesso a bens e serviços: 124 quilômetros. Ou seja, isso quer dizer que o estado é muito centralizado em algumas regiões específicas. A maior distância é para atendimentos de saúde complexos.

Além disso, o Estado registrou Na região, ficava abaixo apenas do Maranhão (139 km) e estava acima da média nacional (107 km). Mariana Viveiros explica que essa distância média é dada em linha reta, e por isso a distância real pode ser bem maior.

No estado, a maior distância era a percorrida para conseguir atendimento médico de alta complexidade como por exemplo internações, cirurgias, tomografias e tratamentos de câncer - 213 km em média. Em seguida vinha a distância para acessar um aeroporto: 200 km (2a do NE e 7a do país).

Era o caso da professora Maria das Dores, que por mais de cinco anos fazia o trajeto de Serrinha até Salvador para acompanhar a mãe, dona Eudalina, para fazer um tratamento oncológico no Hospital Aristides Maltez, em Salvador.

"Fazíamos essa viagem algumas vezes. Houve momentos em que ficou internada e aí passava alguns dias lá. Foram quase seis anos nessas viagens de ida e vinda porque na região não tinha esse tratamento tão complexo", conta.

Sobre a questão dos aeroportos, vale lembrar que esses números são de 2018 e não levam em consideração o aeroporto Glauber Rocha, inaugurado em Vitória da Conquista no ano passado.

Que bicho é esse?
A hierarquia dos centros urbanos, dividida em cinco níveis principais: metrópoles, capitais regionais, centros sub-regionais, centros de zona e centros locais.

O estudo mostra algumas particularidades que são curiosas, mas não incomuns. É o caso da influência de Luís Eduardo Magalhães em municípios do Tocantins. Na Bahia também há casos como o de Barreiras, no Oeste do Estado, que sofre mais influência de Brasília, no Distrito Federal, do que de Salvador.

O motivo para isso é a proximidade geográfica. A distância da cidade baiana para a capital brasileira é de cerca de 600km: quase 300km a menos do que a distância de Barreiras para Salvador, que é de aproximadamente 875km.

O CORREIO solicitou que o IBGE elaborasse um pequeno glossário explicando exatamente do que se trata cada uma das classificações na hierarquia. Você pode conferir logo abaixo:

Glossário

Metrópoles - São os 15 principais centros urbanos, dos quais todas as Cidades existentes no País recebem influência direta, seja de uma ou mais Metrópoles simultaneamente. A região de influência dessas centralidades é ampla e cobre toda a extensão territorial do País, com áreas de sobreposição em determinados contatos. 

Capitais Regionais - São os 97 centros urbanos com alta concentração de atividades de gestão, mas com alcance menor em termos de região de influência em comparação com as Metrópoles.

Centros Sub-Regionais - Neste terceiro nível hierárquico, as 352 cidades possuem atividades de gestão menos complexas , com áreas de influência de menor extensão que as das Capitais Regionais. São também Cidades de menor porte populacional, com média nacional de 85 mil habitantes

Centros de Zona - As 398 cidades classificadas no quarto nível da hierarquia urbana caracterizam-se por menores níveis de atividades de gestão, polarizando um número inferior de cidades vizinhas em virtude da atração direta da população por comércio e serviços baseada nas relações de proximidade.

Centros Locais - O último nível hierárquico define-se pelas 4.037 cidades brasileiras que exercem influência restrita aos seus próprios limites territoriais, podendo atrair alguma população moradora de outras cidades para temas específicos, mas não sendo destino principal de nenhuma outra cidade.
Apresentam fraca centralidade em suas atividades empresariais e de gestão pública, geralmente tendo outros centros urbanos de maior hierarquia como referência para atividades cotidianas de compras e serviços de sua população, bem como acesso a atividades do poder público e dinâmica empresarial.

*Com supervisão da subeditora Clarissa Pacheco

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