Ator da Globo que fez transição de gênero, Benjamin Damini ganha apoio de famosos

em alta
23.09.2020, 17:59:18
Atualizado: 23.09.2020, 18:02:54

Ator da Globo que fez transição de gênero, Benjamin Damini ganha apoio de famosos

'Todo amor e admiração pra você', disse Alice Wegmann

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Após anunciar em suas redes sociais que fez uma transição de gênero, o ator Benjamin Damini ganhou o apoio de fãs anônimos e famosos. 

"Todo amor, admiração e carinho para você! Que muita gente possa ver esse post, se identificar e assim se sentir mais leve do peso que é enfrentar esse mundo. Feliz vida pra você, Benjamin", escreveu Alice Wegmann. "Todo o meu amor sempre", completou Giovanna Griggio. "Bem-vindo", disse Pally Siqueira, sobre a nova fase do amigo. "Todo mundo tem orgulho de você, Be", comentou Carolina Dallarosa, que atuou ao lado dele em "Malhação".

Benjamin, que tem 21 anos, atuou na última temporada de "Malhação: toda forma de amar", onde interpretou Martinha.

Antes da transição, Benjamin assinava com o nome de Beatriz Damini. Em seu texto, ele refletiu sobre como esse nome de batismo parecia lidar com os dilemas que sentia: "Era atriz de mim mesmo".

"Benjamin quer te contar uma história. Ele sou eu. Nessa foto eu tinha 3 anos. Aos 3, eu acreditava ter nascido no corpo errado e por muitos anos rezei antes de dormir pra acordar no dia seguinte no corpo certo, no corpo de um menino. Aos 4, convenci meus amigos da escola de que eu era um menino disfarçado de menina, mas ninguém além deles poderia saber. Aos 7, quando meus seios começaram a se desenvolver e eu não podia mais brincar na praia sem a parte de cima do biquini, eu chorei. Aos 9, quando eu menstruei, eu também chorei. Foram choros intermitentes que só cessaram depois de dias. Porque eu nasci fêmea, toda fêmea tem que ser menina. Foi isso que sempre me disseram. Então quem sabe seja isso mesmo. Eu sou uma menina e pra sempre vou ser. Mas eu não me sinto menina. Não sei nem ser menina. Não interessa. Aprende. É assim que vai ser. Enxuga essas lágrimas. Engole esse choro. Engole tudo o que te diferencia das outras meninas. Engoli. Comprei sutiã. Sou uma menina. Aos 12, comecei com as explosões de agressividade com a minha família e com qualquer colega na escola que me chamava de maria-macho. Aos 13, escrevi uma história de um menino chamado benjamin que sentia demais. Aos 14, veio a primeira depressão. Terapia. Remédios. Aos 16 arrumei um namorado. Antônio. Antônio não é o nome dele de verdade. Tipo beatriz. Eu controlava até as roupas que o antônio usava. Troca esse shorts porque não tá combinando com a blusa, Antônio. Aliás, não gosto dessa blusa, deixa eu escolher outra. Tadinho do antônio. Antônio foi uma das algumas vítimas das minhas projeções de gênero inconscientes. A verdade é que eu queria poder usar as roupas que o antônio usava. E eu até podia. Mas tinha medo. Aos 18 comecei a namorar Ana. Ana não é o nome dela de verdade. Tipo Beatriz. Mas por 21 anos esse nome fez muito sentido. Atriz. Era isso que eu era. Atriz de mim. Quando ana terminou comigo, eu percebi que eu não sabia quem eu era de fato. Fui buscar", escreveu.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas