Bahia: em 12 dias, coronavírus já matou mais do que H1N1 em todo o ano passado

coronavírus
10.04.2020, 05:30:00
Atualizado: 10.04.2020, 08:40:01
Couto Maia é referência no tratamento da covid-19 (Paula Froés/GOVBA)

Bahia: em 12 dias, coronavírus já matou mais do que H1N1 em todo o ano passado

Taxa de letalidade das doenças não alcança 10%, o que muda é a capacidade de se espalhar; entenda

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Foram 19 mortes desde que a covid-19 fez a sua primeira vítima na Bahia, ainda no final do mês de março. Nos 12 dias últimos dias, homens e mulheres entre 28 e 96 anos morreram vítimas da doença no estado. Em comparação, o novo coronavírus já matou mais que a H1N1, que durante todo ano de 2019 vitimou 13 pessoas na Bahia.

Este ano, os registros contam três vítimas da doença, número que representa 15% das vítimas de coronavírus em menos de um mês. No total, foram 87 casos notificados da Influenza A H1N1 em todo ano de 2019, e 48 casos já registrados até março deste ano. No caso do novo coronavírus, boletim mais recente divulgado pela Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, já foram contabilizados 515 casos confirmados da Covid-19,

É certo que o status de pandemia que tomou conta do planeta para o novo vírus contribui para que os números sejam mais altos. Apesar disso, o CORREIO conversou com infectologistas para entender as razões da disparidade. A principal delas: existe vacina para a gripe, o que ainda não se tem para o novo coronavírus.

“No caso da H1N1, se trata de um vírus já conhecido, existe vacina, e são feitas campanhas, então com uma boa parte da população vacinada, protegida, naturalmente os números de casos é menor. Isso não existe para um vírus novo como é o caso do coronavírus, então todos estamos expostos, qualquer um pode ser infectado”, explica a médica infectologista

O infectologista e professor de infectologia da Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e da UniFTC, Claudilson Bastos, explica, inclusive, que a campanha de vacinação para os virus Influenza foi antecipada, este ano, justamente para ajudar o controle “A vacina tem uma validade de um ano, então ainda as pessoas estão protegidas. Por isso também, nesse momento foi recomendado fazer a vacinação com antecedência para que não houvesse nenhum tipo de confusão com a H1N1”, explica.

Outra razão que contribui para um maior espalhamento da covid-19 diz respeito a taxa de contaminação do vírus, ou seja, para quantas pessoas saudáveis uma pessoa infectada pode transmitir a doença. No caso do novo vírus, essa taxa varia de 2 a 3 pessoas e vai crescendo exponencialmente. Essa taxa foi menor no surgimento de outros vírus similares. “Esse número depende muito de cada vírus, e da capacidade dele de se adaptar ao corpo humano, quanto melhor for essa adaptação mais o vírus consegue se espalhar’, explica Clarissa.

Apesar dos altos números para o covid-19, no que diz respeito a taxa de letalidade - obtida quando o número de casos é comparado ao número de óbitos - as duas doenças têm números próximos e não atingem 10%. Até aqui, na Bahia, a taxa para o novo coronavírus (comparando os 515 casos e 19 mortes) é de 3,6%. Para os números de H1N1 desse ano, (48 casos e três mortes), a taxa é de 6,2% 

Futuro
Quando o assunto é o futuro, e o que vai acontecer quando passar o estado de pandemia da nova doença, mais uma semelhança. Nos próximos anos, o vírus que hoje é novo e preocupa tanto vai se tornar o que se chama de vírus endêmico: periodicamente novos casos serão notificados com números que serão naturalmente menores.

“Com o passar do tempo, mais pessoas tendo sido infectadas e se curado, serão mais pessoas que vão ter anticorpos para a doença e o número de expostos a pegar a doença acaba diminuindo”, explica Ramos. “Como todo vírus, a partir de um determinado momento, esse vírus passa a fazer parte da vida humana. E assim foi com outras doenças, inclusive a H1N1. É um ciclo natural”, completa Bastos.  

Mortes por coronavírus na Bahia
29/3 - Idoso de 74 anos (Hospital da Bahia, em Salvador)
30/3 - Engenheiro civil de 64 anos (Hospital Aliança, em Salvador) 
1/4 - Mulher, mãe de recém-nascido, de 28 anos (UPA, em Itapetinga)
2/4- Homem de 88 anos (Hospital da Bahia, em Salvador)
3/4 - Idoso de 79 anos (Cardiopulmonar, em Salvador)
3/4 - Mulher de 41 anos (Instituto Couto Maia, em Salvador)
3/4- Idoso de 80 anos (Utinga)
3/4 - Idosa de 62 anos (Instituto Couto Maia, Salvador)
4/4 - Ex-gerente da Caixa Econômica, 55 anos (Hospital Aeroporto, em Lauro de Freitas)
5/4 - Idoso de 87 anos (Salvador)
6/4 - Taxista de 64 anos (Instituto Couto Maia, Salvador)
6/4 - Idoso de 76 anos (Hospital Municipal em Araci)
7/4 - Homem de 26 anos (Instituto Couto Maia, Salvador)
7/4 - Homem de 53 anos (Instituto Couto Maia, Salvador)
7/4 - Mulher de 51 anos (Hospital particular, Salvador)
7/4 - Idoso de 96 anos (Hospital particular, Salvador)
7/4 - Idosa de 63 anos (Uruçuca)
8/4 - Idosa de 72 anos (Ipiaú)
9/4 - Idoso de 65 anos (Ilhéus)

* Com orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro

***

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