Bahia leva virada do Ceará e fica em desvantagem na final do Nordestão

e.c. bahia
01.08.2020, 18:04:00
Atualizado: 02.08.2020, 18:42:20
Lance do primeiro gol do Ceará: Sobral aproveita vacilo de Capixaba e Anderson (Felipe Santos / Ceará SC)

Bahia leva virada do Ceará e fica em desvantagem na final do Nordestão

Esquadrão precisa vencer por três gols de diferença na volta para garantir a taça

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

O Bahia decepcionou na primeira partida da final da Copa do Nordeste de 2020. Jogando em Pituaçu, o tricolor saiu na frente do Ceará ainda na etapa inicial, mas tomou o empate em sequência e a virada no começo do segundo tempo. Pior ainda: sofreu o terceiro gol.

Com a derrota por 3x1, o tricolor terá que ganhar por três gols de diferença para erguer sua quarta taça do Nordestão. Se vencer por dois gols de diferença, a decisão irá para os pênaltis. O duelo de volta será novamente em Pituaçu, na terça-feira (4), às 21h30.

>> Veja todas as notícias do Bahia publicadas no CORREIO

RESUMÃO

Assim como no último encontro entre as duas equpes em Salvador - pelo segundo turno da Série A de 2019 -, o Ceará aprontou uma virada para cima do Bahia. Se naquela partida o Vozão fez 2x1, desta vez a derrota foi pior, por 3x1, justamente num momento em que o saldo de gols é importantíssimo. Detalhe: assim como o de agora, aquele jogo aconteceu em Pituaçu.

O Bahia de Roger Machado foi irreconhecível em campo. Se por um lado é comum ver o tricolor preso na forte marcação de um adversário, algo incomum foi ver os espaços que o Esquadrão deixou em sua defesa. Seja pelas laterais, onde Mateus Gonçalves marcou o terceiro gol, seja pelo alto, com Cleber cabeceando livre entre dois zagueiros no lance que decretou a virada. Além disso, um erro duplo entre Juninho Capixaba e o goleiro Anderson proporcionou o empate.

No ataque, pouca agressividade: a melhor chance do Bahia, o gol, saiu após um erro do adversário. Fora isso, o time sentiu falta da movimentação de seu principal jogador, o artilheiro Gilberto.

QUEM BROCOU?

Os primeiros gols de cada equipe saíram em vacilos bizarros de cada defesa. Aos 25 minutos do 1º tempo, Fabinho cochilou na saída de bola do Ceará, Flávio roubou e tocou para Fernandão fazer Bahia 1x0.

No minuto seguinte, Capixaba e Anderson bateram cabeça na defesa tricolor, o goleiro saiu mal do gol e derrubou o companheiro. A bola sobrou para Fernando Sobral empurrar para o gol vazio e empatar.

A virada do Vozão aconteceu no começo da etapa final. Aos 11 minutos, Cléber recebeu cruzamento de Samuel Xavier da direita e cabeceou entre Juninho e Lucas Fonseca para fazer 2x1. O centroavante, apesar do 1,99m de altura, nem precisou pular, já que Juninho saltou longe do lance e Lucas estava a alguma distância atrás.

E aos 28, Mateus Gonçalves foi lançado pelo goleiro Fernando Prass, correu livre enquanto era acompanhado também à distância por João Pedro, entrou na área e fez 3x1, após o chute desviar em Lucas Fonseca e enganar Anderson. O gol só foi validado depois de revisão através do vídeo.

Fernandão colocou o Bahia na frente do placar
Foto: Marcelo Malaquias / Estadão Conteúdo

INSEGURO DEMAIS

O goleiro Anderson foi o personagem negativo do jogo para o Bahia. Não foi só pelo gol de empate do Ceará, em que ele se chocou com Capixaba. Em pelo menos dois lances ele saiu mal do gol para espalmar uma bola aérea, rebatendo para atletas adversários. 

Além disso, na etapa final, Anderson deixou as traves para cortar bolas longas do Vozão, mas foi bem. E aos 27 do 2º tempo, na saída de bola da equipe, entregou a bola nos pés de Fernando Sobral, que chutou perigosamente de fora da área.

Sobral empata para o Ceará após falha de Capixaba e Anderson; Lucas Fonseca ainda tentou salvar, em vão
Foto: Felipe Santos / Ceará SC

TEVE VAR

Utilizado pela primeira vez na Copa do Nordeste, o árbitro de vídeo - conhecido popularmente como VAR - foi decisivo no jogo de ida da final. Aos 28 minutos da etapa final, Mateus Gonçalves, que havia acabado de entrar, fez o terceiro gol do Ceará. De imediato, o assistente em campo invalidou o gol por impedimento e foi seguido pelo árbitro. O lance foi para revisão por vídeo, que validou o gol.

PRIMEIRO TEMPO

A primeira etapa foi disputada, digna realmente de uma final. Bem ao estilo que o torcedor do Bahia já conhece, o Ceará de Guto Ferreira avançou a marcação e tentou apertar a saída de bola tricolor. Teve sucesso, desarmou, mas não conseguiu na sequência agredir o Esquadrão. Já o Bahia de Roger Machado errava muito e não conseguia achar o espaço na defesa adversária para atacar ao seu estilo, em velocidade.

Num jogo tão disputado, porém sem chances claras, os gols sairiam mesmo em erros das equipes. E foi assim: aos 25, na saída de bola do Ceará, Klaus tocou para o volante Fabinho na fogueira. Mais atento, Flávio roubou e já lançou Fernandão dentro da área. Pego de surpresa, Fernando Prass saiu mal das traves e o centroavante chutou na saída do camisa 1 para fazer Bahia 1x0.

Não deu nem tempo para comemorar. Na saída de bola após o gol, Juninho Capixaba foi pressionado na defesa por Fernando Sobral. O lateral esquerdo tricolor se enrolou todo com a bola, o goleiro Anderson saiu das traves para tentar ajudar, mas eles se chocaram e caíram no chão. A bola ficou de graça para Sobral empatar.

SEGUNDO TEMPO

O Bahia voltou do intervalo tentando impor uma superioridade técnica sobre o Ceará, mas ficou mesmo foi preso na marcação do adversário. E o pior: o Esquadrão deixava muitos espaços na defesa, sobretudo nas laterais, onde o adversário tentava atacar. Logo aos 6 minutos, Bruno Pacheco tabelou pela esquerda com Leandro Carvalho e chutou para defesa de Anderson.

Mas foi pelo lado esquerdo da sua defesa que o Esquadrão sofreu mais. Aos 11, Fernando Sobral disparou por ali e tocou atrás para Samuel Xavier, que cruzou na cabeça de Cleber. Ele cabeceou entre Lucas Fonseca e Juninho e fez 2x1 para o Ceará.

A virada fez o Bahia ficar perdido em campo. Aos 27, Anderson quase entrega ao sair jogando mal, nos pés de Fernando Sobral, que chutou de fora da área e o goleiro se redimiu.

Precisando atacar, o Bahia se desorganizou ainda mais. O Ceará foi cruel ao explorar esses espaços. Aos 28, Mateus Gonçalves foi lançado no lado direito da defesa tricolor. Ele cortou para o meio, entrou na área e chutou para o gol. O assistente apontou impedimento, mas o lance foi revisado com o auxílio do vídeo e, por fim, gol validado: 3x1.

Mateus Gonçalves chuta para fazer o terceiro gol do Vozão
Foto: Felipe Santos / Ceará SC

COMO FICA?

Aviso importante: apesar de, em teoria, o jogo de ida ter sido de mando de campo do Ceará, nesta final da Copa do Nordeste os gols marcados fora de casa não terão peso na decisão. Isso significa que, para reverter a desvantagem e sagrar-se campeão, o Bahia precisa vencer por três gols de diferença no duelo de volta. Se ganhar por dois gols de diferença, a decisão será nos pênaltis.

PRÓXIMOS JOGOS

O duelo de volta da final será também em Pituaçu, na terça-feira (4), às 21h30. Antes disso, nesse domingo (2), o tricolor entra em campo pelo Baianão. Enfrenta o Jacuipense às 16h, no segundo jogo da semifinal do estadual, também em Pituaçu. Por causa dos jogos em dias seguidos, Roger Machado vai escalar um time reserva.

FICHA TÉCNICA

Ceará 3x1 Bahia - Jogo de ida da final da Copa do Nordeste 2020

Ceará: Fernando Prass; Samuel Xavier (Eduardo), Klaus, Luiz Otávio e Bruno Pacheco; Fabinho (William Oliveira), Charles, Fernando Sobral, Vinícius (Rafael Sóbis) e Leandro Carvalho (Mateus Gonçalves); Cléber (Lima). Técnico: Guto Ferreira.

Bahia: Anderson; João Pedro, Lucas Fonseca, Juninho e Juninho Capixaba; Gregore (Daniel), Flávio e Rodriginho (Saldanha); Élber, Fernandão e Clayson (Rossi). Técnico: Roger Machado.

Gols: Fernandão, aos 25, e Fernando Sobral, aos 27 minutos do 1º tempo; Cleber, aos 11, e Mateus Gonçalves, aos 31 minutos do 2º tempo.

Estádio: Pituaçu, em Salvador.
Cartão amarelo: Fabinho e Charles (Ceará); Gregore, Daniel e Élber (Bahia)
Arbitragem: Wagner Reway, auxiliado por Oberto da Silva Santos e Kildenn Tadeu de Lucena (trio da PB).

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas