Bahia vai assumir a liderança do setor de energia eólica do país ainda neste semestre

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11.01.2019, 06:00:00
O estado encerrou o ano de 2018 na contagem regressiva para a chegada ao primeiro lugar em geração eólica (João Ramos/Ascom SDE)

Bahia vai assumir a liderança do setor de energia eólica do país ainda neste semestre

Nos últimos quatro anos, foram investidos R$ 13,06 bilhões em energias renováveis

A Bahia irá assumir ainda no primeiro semestre deste ano a liderança na geração de energia eólica em todo o país. Atualmente, este   ranking é liderado pelo  Rio Grande do Norte. Segundo dados atualizados, anteontem,  pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Bahia possui 138 parques eólicos em operação, com capacidade total para gerar 3.547 MW de potência.

O Rio Grande do Norte, por sua vez, está com 146 parques (3.910 MW) e até junho deve ganhar mais oito (180 MW). O estado potiguar tem ainda mais 21 parques eólicos (659 MW) com construção não iniciada e que devem ficar prontos em 2023. Com isso, nos próximos anos, o Rio Grande do Norte terá, no máximo, 175 parques com capacidade total para gerar 4.749 MW, enquanto a Bahia, estado que mais tem se destacado em leilões do setor, nesse mesmo período, estará bem mais adiantada.

A Bahia conta com 56 parques em construção (total de 942 MW), sendo que 30 deles ficarão prontos antes de julho deste ano, aumentando a capacidade de geração de energia eólica  em mais 600 MW – o restante deve ficar pronto em 2020. Segundo a Aneel, ainda para a Bahia há outros 35 parques eólicos (660 MW) com construção ainda não iniciada. Quando concluídos, provavelmente em 2023, o estado terá 229 parques com capacidade total para gerar 6.270 MW.

Essa quantidade de energia é suficiente para atender a mais de 16 milhões de residências/mês, considerando que a média de consumo de residências do Nordeste é de 120 kWh/mês. Os investimentos totais na Bahia, até 2023, devem ficar em torno de R$ 7,49 bilhões, com a geração de aproximadamente 26,7 mil empregos em toda a cadeia produtiva, sobretudo em cidades e comunidades rurais próximas aos parques.

Diretora de Desenvolvimento de Negócios da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE) da Bahia, Laís Maciel observa que a liderança da Bahia já poderia ter ocorrido em 2018, uma vez que os projetos em construção estão com atraso. Segundo ela, “a maioria dos projetos deveria estar concluída em maio de 2018”, e outros “ainda entrarão em janeiro deste ano, conforme prazos de suprimento de energia dos leilões”.

Empregos

De acordo com a SDE , a Bahia  recebeu investimentos de mais de R$ 13,06 bilhões em energias renováveis nos últimos quatro anos. A energia eólica foi responsável por  R$ 9,93 bilhões  com a implantação de 102 parques (2.634 MW) e a geração aproximada de 39,1 mil empregos em toda a cadeia produtiva.

Já a energia solar fotovoltaica contou com  mais  R$ 3,13 bilhões, para implantação de 26 parques (630,7 MW), que geraram aproximadamente 15,3 mil empregos. Atualmente, há um parque solar na Bahia em construção em Casa Nova.

A secretária de Desenvolvimento Econômico, Luiza Maia, disse que “as energias renováveis são um bom exemplo do constante esforço feito pelo governo na interiorização dos investimento”. “A Bahia foi abençoada com ventos constantes e unidirecionais e um excelente nível de radiação solar. O que o governo tem feito é incentivar e desenvolver essas vocações naturais na busca de alternativas limpas para geração de emprego e renda”, afirma a secretária. 

A Bahia tem parques em operação nas cidades de Umburanas, Xique-Xique, Varzea Nova, Bonito, Brotas de Macaúbas, Brumado, Dom Basílio, Caetité, Cafarnaum, Campo Formoso, Casa Nova, Gentio do Ouro, Guanambi, Igaporã, Morro do Chapéu, Mulungu do Morro, Pindaí, Sento Sé e Sobradinho. Parques em teste, construção ou contratados estão em Igaporã, Caetité, Gentio do Ouro, Licínio de Almeida, Pindaí, Riacho de Santana, Sento Sé, Urandi e Campo Formoso. 

Segundo dados do  Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em dezembro de 2018, sobre o Produto Interno Bruto (PIB) das cidades, os investimentos em energia eólica e solar nos municípios de Gentio do Ouro e Tabocas do Brejo Velho fizeram os PIBs dessas cidades decolarem no ranking nacional. Gentio do Ouro (Chapada Diamantina) foi quem mais subiu no ranking nacional, ganhando 2.005 posições entre 2015 e 2016 (base de referência dos dados), passando de 4.496º para 2.491º maior PIB do país.

Em 2016, o PIB do município foi estimado em R$ 197,6 milhões, representando 0,003% da economia nacional. Um ano antes, havia sido, em valores correntes, de R$ 57,6 milhões, representando 0,001% do PIB do país. 

Tabocas do Brejo Velho, no Oeste, subiu 1.554 posições no ranking do PIB nacional, indo da 3.986ª posição para a 2.432ª colocação, devido ao aumento da arrecadação de Imposto de Importação de equipamentos para geração solar.

Os investimentos na cidade iniciaram em fevereiro de 2016, início da construção do Parque Solar Horizonte, empreendimento de US$ 110 milhões da Enel Green Power, uma multinacional da energia. O parque já está em operação, com capacidade instalada de geração de 103 MW.

Braskem

Com os empreendimentos entrando em operação, o mercado começa a se aquecer para as vendas de energia eólica. A Braskem, por exemplo, anunciou que se comprometeu a comprar energia por 20 anos da EDF Renewable do Brasil, uma das líderes do país no setor de energias renováveis. O valor do contrato alcança  recursos da ordem de R$ 450 milhões.

“Ao investir em uma matriz limpa e sustentável, a empresa reduzirá a quantidade de emissões de CO² em 325 mil toneladas ao longo do período do contrato”, declarou a Braskem, que não revelou o valor que irá pagar.

O empreendimento da EDF, chamado de Folha Larga, está localizado em Campo Formoso e foi viabilizado pela contratação de venda de energia de longo prazo nos leilões do governo, e também pela celebração do compromisso da Braskem no ambiente de contratação livre.

A Braskem declarou ao CORREIO que “investe fortemente na diversificação de sua matriz energética porque acredita que as fontes renováveis são essenciais para melhorar a produtividade e otimização energética de suas operações”.

A empresa busca ainda reduzir os riscos decorrentes de eventuais interrupções ou variações de energia e alcançar seus objetivos de desenvolvimento sustentável. “A companhia contribui assim para a redução de emissões de CO² e ajuda a desenvolver um novo mercado”, afirma o comunicado oficial.


Engie Brasil Energia conclui megaempreendimento

Dentre os empreendimentos que ficarão prontos até o final do primeiro semestre na Bahia está o Conjunto Eólico Umburanas, que dia 4 de janeiro teve a autorização por parte da Aneel da operação comercial de nove de seus 144 aerogeradores. 

De propriedade da Engie Brasil Energia, o empreendimento que está sendo construído nas cidades de Sento Sé e Umburanas, no centro norte, terá 360 MW de capacidade instalada e possui 83% das obras concluídas. Ele ficará pronto até abril.

Localizado nos mesmos municípios, o Conjunto Eólico Campo Largo está em operação comercial total desde 21 de dezembro de 2018, com 11 parques eólicos e 121 aerogeradores, que podem gerar até 326,7 MW. 

O parque eólico Campo Largo fica em sua maior parte (80%) no território de Sento Sé, mas a base para operação das empresas acabou sendo em Umburanas, que fica a menos de 20 km do empreendimento. Com isso, a movimentação do comércio, aluguéis de casas, dentre outros serviços, ficaram concentradas em Umburanas – Sento Sé fica a 160 km do empreendimento. 

Benefício direto quem teve foi uma comunidade próxima, chamada Campo Largo. Na comunidade, vivem cerca de 40 famílias. “Depois de conversarmos com a empresa, eles resolveram fazer uma praça no local, ficou muito boa”, disse a arquiteta e urbanista da prefeitura de Sento Sé Iasmim Pacheco Duarte. 

Em Umburanas, os aluguéis de casas subiram para R$ 3 mil a R$ 5 mil, de acordo com o secretário de Governo Juscelino Bruno da Cruz. “Os empregos locais não foram muitos, porque não tinha pessoal capacitado, pegamos mais a logística”, afirmou o secretário. 

Desafio

O diretor-presidente da Engie Brasil Energia, Eduardo Sattamini, declarou que “a implantação dos complexos na Bahia representou um grande desafio à empresa, superado com muito esforço e empenho de equipes que se dedicaram integralmente a estes que foram os primeiros empreendimentos da empresa no estado”.

“O início da operação comercial do Conjunto Eólico Umburanas Fase I, apenas um ano após o início de sua construção, materializa a captura das sinergias oriundas da implantação concomitante com a do Conjunto Eólico Campo Largo Fase I e demonstra a capacidade de execução do nosso time”, comentou.

Segundo o executivo, “o próximo passo será ampliar o Complexo Campo Largo, que já tem investimento viabilizado por meio da assinatura de mais de 60 contratos de comercialização de energia com clientes no Mercado Livre. Esta ampliação, também com 360 MW de capacidade instalada, conta com investimento estimado em R$ 1,7 bilhão”, afirma.

Sattamini explica que com esta segunda fase, a Engie ultrapassará 1.000 MW de capacidade instalada em energia eólica só no Estado da Bahia: “O aumento da participação das fontes solar e eólica na matriz energética brasileira é uma realidade irreversível, o que apenas confirma nossa decisão acertada de investir no segmento de energias renováveis há mais de uma década”.  


Prefeituras recorrem a assessorias tributárias para não perder dinheiro

Com a chegada das grandes empresas de energia eólica, Prefeituras da Bahia e de outros estados do Nordeste que tem recebido os investimentos estão recorrendo a assessorias tributárias para não perder dinheiro.

“A Prefeitura tem de recolher impostos de natureza municipal, sobretudo ISS [Imposto Sobre Serviços] e as cidades não conseguem fazer essa fiscalização, e acontece de as empresas não pagarem porque as prefeituras não sabem que têm direito a receber o dinheiro, sequer sabem quanto vão arrecadar”, disse o advogado Claudio Albuquerque.

Segundo o advogado, que atua em 75 prefeituras do Nordeste, sendo 23 na Bahia, já houve casos em que ele constatou até mais de R$ 5 milhões a receber. “E já tinha passado anos que a empresa tinha ido embora da cidade. Notificamos e recebemos o dinheiro”, declarou.

Muitas vezes, diz o advogado, o pagamento acaba sendo por meio de obras, como um gasto direto da empresa. “Ela pode bancar a reforma ou construção de uma praça, uma escola, repassar um veículo, várias formas. O que não pode é continuar devendo”, disse.

Dentre as cidades da Bahia que ele presta o serviço, estão as de Umburanas e Sento Sé, que recebem os empreendimentos da Engie Brasil Energia. O advogado preferiu não comentar sobre atuação de empresas.

Projetos socioambientais

Em paralelo às obras nos conjuntos eólicos, a Engie, segundo informou, tem investido em diversos projetos socioambientais que beneficiam a população residente no entorno. Cerca de R$ 3 milhões já foram aportados em projetos sociais nos municípios de Umburanas e Sento Sé, diz a empresa.

A previsão é de que, até o final das obras, esse valor alcance os R$ 9,2 milhões. Com 2.100 colaboradores, a Engie teve no Brasil em 2017 faturamento de R$ 7 bilhões.

“Ao unirmos investimento em energia renovável com iniciativas socioambientais, estamos tornando concreta nossa estratégia de promover o progresso harmonioso e liderar a transição energética no país”, disse o diretor-presidente da Engie Brasil Energia, Eduardo Sattamini.

Dentre os projetos desenvolvidos, estão pavimentação de estradas, contratação de empresas para a elaboração do Plano Diretor do município de Umburanas e dos Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos de Umburanas e Sento Sé, reforma e ampliação de escolas, construção de praças e cursos diversos.

Na saúde foram investidos mais de R$ 480 mil em novos veículos. Além de uma Ambulância tipo B, totalmente equipada, o município de Umburanas recebeu duas vans com 20 e 15 lugares, cada, para auxiliar no transporte de pacientes que necessitam se deslocar para outras regiões a fim de realizar tratamentos.


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