Bolsonaro deve demitir Mandetta ainda nesta segunda (6), diz jornal

coronavírus
06.04.2020, 15:42:00
Atualizado: 06.04.2020, 16:19:30
Bolsonaro e Mandetta têm trocado farpas (PR)

Bolsonaro deve demitir Mandetta ainda nesta segunda (6), diz jornal

Osmar Terra é nome mais cotado para substituir o ministro da Saúde

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O presidente Jair Bolsonaro deve demitir o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, ainda nesta segunda-feira (6). Segundo o jornal O Globo, o ato de exoneração de Mandetta já está sendo preparado. A demissão virá em meio à crise do coronavírus, que exacerbou diferenças entre o presidente e o ministro. O jornal afirma que a expectativa é de que a decisão saia em uma edição extra do Diário Oficial da União, após reunião entre Bolsonaro e todos os ministros, marcada para 17h.

O nome mais cotado para o lugar de Mandetta é o do deputado federal Osmar Terra (MDB-RS), ex-ministro da Cidadania, que é médico. Ele almoçou com Bolsonaro e mais quatro ministros nesta segunda, no Palácio do Planalto.

Auxiliares do presidente contaram ao jornal que a permanência de Mandetta foi ficando insustentável por conta de suas críticas à postura de Bolsonaro em relação à pandemia. O próprio presidente afirmou que faltava humildade em Mandetta, depois que o ministro defendeu novamente o isolamento social como maneira mais eficaz de combater o novo coronavírus.

Bolsonaro é crítico dessa posição, afirmando que é uma medida radical que implica em prejuízo econômico - a crise poderia ser pior do que a pandemia, avalia. Osmar Terra tem usado as redes sociais para defender o chamado "isolamento vertical", em que apenas os grupos de riscos ficariam em casa.

No domingo, sem citar nomes, Bolsonaro disse que alguns do seu governo "de repente viraram estrelas e falam pelos cotovelos". Disse ainda que não tem "pavor" de usar a caneta quando necessário, sinalizando uma exoneração.

A aliados, Mandetta vem dizendo que não vai se demitir e que uma saída sua dependeria de demissão de Bolsonaro. Afirmou que não vai "abandonar o paciente".

Ainda segundo O Globo, o presidente teve na última semana três audiências com a participação de Terra no Palácio do Planalto, a primeira com o ministro-chefe da Casa Civil , Walter Braga Netto, e as outras duas com dez médicos, para discutir o uso da hidroxicloriquina no tratamento de infectados com a covid-19. Mandetta não foi convidado.

O ministro da Saúde se refereriu a Terra como "Osmar Trevas" em grupo do WhatsApp do DEM, seu partido, em seu único comentário por lá durante a crise do coronavírus.

'Dormindo'
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta (DEM), se esquivou dos recados do presidente Jair Bolsonaro dados neste domingo, 5, que sinalizou que poderia demitir do governo quem está "se achando". Questionado pela reportagem cerca de uma hora após as declarações, Mandetta afirmou que ainda não tinha visto a frase. "Eu estou dormindo", disse, parecendo bocejar ao telefone. "Amanhã eu vejo, tá?", completou, antes de encerrar a ligação.

Bolsonaro disse a apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada que "algo subiu na cabeça" de alguns de seus subordinados, mas que a "hora deles vai chegar". "A minha caneta funciona", afirmou Bolsonaro. "Algumas pessoas no meu governo, algo subiu a cabeça deles. Estão se achando. Eram pessoas normais, mas de repente viraram estrelas. Falam pelos cotovelos. Tem provocações Mas a hora deles não chegou ainda não. Vai chegar a hora deles. A minha caneta funciona. Não tenho medo de usara a caneta nem pavor. E ela vai ser usada para o bem do Brasil, não é para o meu bem", disse Bolsonaro.

Mandetta e Bolsonaro têm divergido sobre estratégias de isolamento da população contra o novo coronavírus. O ministro defende uma ação mais ampla, para evitar aglomerações e estimular redução de fluxo urbano, com medidas como trabalho em home office e fechamento do comércio em locais com grande número de casos. Já Bolsonaro defende um "isolamento vertical" em que sejam afastadas pessoas acima de 60 anos ou que apresentem outras doenças.

Bolsonaro escancarou descontentamento com Mandetta na última semana. O presidente disse que falta "humildade" ao ministro e, embora tenha afirmado que não pretende dispensá-lo "no meio da guerra", ressaltou que ninguém é "indemissível" em seu governo. O protagonismo do auxiliar diante da crise envolvendo a pandemia do coronavírus já vinha incomodando o presidente há algum tempo. Questionado pelo jornal O Estado de S. Paulo sobre as declarações de Bolsonaro, feitas na última quinta-feira, 2, Mandetta respondeu: "Trabalho, lavoro, lavoro", repetindo a palavra que significa "trabalho" em italiano.

No dia seguinte às declarações do chefe, Mandetta disse que continuaria no governo, afirmando que um médico não abandona o seu paciente.

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