Bolsonaro é alvo de panelaço em Salvador durante pronunciamento; veja vídeos

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23.08.2019, 21:19:00
Atualizado: 23.08.2019, 21:44:46
(Reprodução)

Bolsonaro é alvo de panelaço em Salvador durante pronunciamento; veja vídeos

Presidente afirmou que incêndios não podem gerar sanções internacionais e atribuiu o aumento das queimadas ao clima seco

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou nesta sexta-feira (23) que os incêndios florestais, como as queimadas que atingem a região amazônica, acontecem em todo o mundo e não podem "servir de pretexto para sanções internacionais". A posição foi dita durante pronunciamento do presidente em rede nacional (assista abaixo), uma resposta às críticas que o governo vem sofrendo em relação às políticas públicas desenvolvidas na Amazônia Legal.

Milhares de brasileiros protestaram com panelaços em várias cidades do Brasil após o pronunciamento. Em sua fala, o presidente também atribuiu o aumento das queimadas ao clima seco. Enquanto isso, brasileiros e alguns baianos batiam panelas e pediam sua saída. Nas redes sociais, internautas compartilharam vídeos de panelaços nos bairros da Pituba, Rio Vermelho, Federação, entre outros bairros. A hashtag #panelaço ainda é o assunto mais comentado do Twitter. 

Segundo o próprio governo, o pronunciamento fora gravado para anunciar medidas para combater as queimadas. No texto lido pelo presidente, entretanto, não houve menção concreta às providências que serão tomadas.

Na gravação, Bolsonaro afirmou que "para proteger a Amazônia não bastam apenas operações de fiscalização", e que é necessário estabelecer "oportunidades" para as pessoas que vivem na região. O presidente já reiterou, em diversos momentos, que é favorável à legalização do garimpo e que o governo estuda uma forma de permitir esse tipo de exploração no bioma.

"É nesse sentido que trabalham todos os órgãos do governo. Somos um governo de tolerância zero com a criminalidade, e na área ambiental não será diferente. Por essa razão, oferecemos ajuda a todos os estados da Amazônia Legal. Com relação àqueles que a aceitarem, autorizarei operação de garantia da lei e da ordem", disse Bolsonaro na gravação.

Diferentemente do que vinha fazendo em entrevistas à imprensa, o presidente não apontou culpados pelos incêndios durante a transmissão. Em outros momentos, ele já afirmou - sem apresentar provas ou indícios - que suspeitava que ONGs eram responsáveis pelas queimadas.

O presidente declarou que o clima quente seco tem propiciado o aumento no número de focos de incêndio. "Nos anos mais chuvosos, as queimadas são menos intensas. Em anos mais quentes, como neste, 2019, elas ocorrem com maior frequência. De todo modo, mesmo que as queimadas deste ano não estejam fora da média dos últimos 15 anos, não estamos satisfeitos com o que estamos assistindo", afirmou.

Sem citar nomes, Bolsonaro afirmou que "dados e mensagens infundadas" sobre a Amazônia têm sido espalhados dentro e fora do país. A citação pode ter sido uma referência a Emmanuel Macron, que ontem, em sua primeira publicação sobre o caso, usou uma foto da década de 1990.

"Espalhar dados e mensagens infundadas dentro ou fora do Brasil não contribui para resolver o problema. E se prestam apenas ao uso político e à desinformação", afirmou hoje o presidente na gravação.


Diante das críticas internacionais, os governadores da Região Norte articulam com o Palácio do Planalto uma viagem de Bolsonaro para coincidir com o envio de militares das Forças Armadas em operação emergencial de combate às queimadas florestais na Amazônia. O presidente assinou nesta sexta-feira (23), decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para emprego dos militares durante um mês na Amazônia Legal. 

A ideia inicial era que Bolsonaro fosse à região depois de se reunir com os governadores em Brasília. Eles devem se reunir na tarde da próxima terça-feira, no Planalto. 

"Ele ficou de vir ao Acre em seguida para acompanhar de perto", disse à reportagem o governador Gladson Cameli (PP). "O presidente já sinalizou que vem para os Estados do Norte e eu pedi que ele começasse por aqui. A previsão é após a nossa reunião em Brasília, que pode ser antecipada para domingo ou segunda-feira. Estamos de stand by só aguardando o retorno para ir e, no retorno, ele viria conosco."

O Acre tem hoje mais de 2 mil focos de incêndio, segundo o governador. Ele determinou que a Polícia Militar busque também queimadas em zonas urbanas, além das varreduras em áreas rurais. O governador calcula serem necessários 3 mil agentes combatendo as chamas, incluídas as forças estaduais e o reforço federal. Segundo ele, o Planalto ainda não confirmou quantos militares enviará ao Acre. 

Cameli, que já decretou estado de emergência no Acre, considera que todos os governadores devem aderir à GLO. "Vou ser muito sincero: É uma situação que os demais Estados têm que estar presentes, a não ser que queiram politizar, ir pelas ideologias deles. Não vou entrar nesse ringue de politizar a situação. Defendo a preservação e o agronegócio sustentável. O que eu preciso é gerar emprego", afirmou ele.

Pressão
As queimadas na região amazônica provocaram o aumento da pressão internacional sob o Brasil. Bolsonaro chegou a declarar, sem apresentar provas, que ONGs seriam as responsáveis pelos incêndios.

Na quinta-feira (22/8), Bolsonaro atacou a sugestão do presidente da França, Emmanuel Macron, de discutir os incêndios na Amazônia em reunião com o G7, dizendo que Macron teria uma “mentalidade colonialista descabida no século XXI”. Irlanda e França estudam votar contra o tratado de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul alegando que Bolsonaro não toma medidas e compromissos em defesa do meio ambiente.

Confira, abaixo, a repercussão do panelaço em inúmeras regiões de todo o país.



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