Brasil muito além de samba e futebol

agenda bahia
13.10.2013, 12:43:00
Atualizado: 07.08.2017, 14:58:14
(Reprodução)

Brasil muito além de samba e futebol

Para empresário, país deve apostar em cultura, turismo náutico e natureza

Uma mudança de foco. Para o fundador e presidente do Conselho Administrativo da CVC, Guilherme Paulus, o governo e a indústria do turismo deveriam trabalhar uma nova campanha do Brasil no exterior. “Precisamos mudar a imagem e percepção do país lá fora. Para eles, somos a eterna capital mundial do samba e do futebol. Claro que é boa essa associação, mas temos que mostrar que não somos apenas isso”, defendeu.

Na opinião do empresário, que também é presidente do Grupo GJP, outras características devem ser ressaltadas: vínculos com a religiosidade, as belezas naturais diversificadas e o potencial para o turismo náutico poderão ajudar a aumentar o fluxo de turistas para o país. “É preciso renovar essa imagem. Isso atrairá gente para o turismo de eventos, para o turismo cultural, o turismo sol e mar, o turismo religioso, etc”, opinou.

Para ele, o turismo de sol e mar é onde está o grande potencial do país. “Sem dúvida, o sol e mar e o ecoturismo são a grande força que a gente tem e isso pode ser mais explorado lá fora”, afirmou.

Passagens 

Segundo Guilherme Paulus, é preciso baratear as passagens aéreas para alavancar ainda mais o mercado turístico baiano, que tem crescido nos últimos anos, sobretudo em destinos na Costa dos Coqueiros e no Sul do estado, onde se concentram os grandes resorts. “Porto Seguro é o maior destino da CVC. Nós transportamos 300 mil passageiros por ano para lá”, afirmou.

O sócio-fundador da CVC ressaltou ainda o crescimento no número de desembarques no estado, reflexo do aumento dos negócios e do turismo na Bahia. “Foram 22 milhões de desembarques nos últimos cinco anos, um crescimento de 100%”, destacou. Para Guilherme Paulus, falta à Bahia, no entanto, um centro de convenções de qualidade.

O empresário também destacou alguns passos necessários para que a Bahia e o Brasil se consolidem como importante destino turístico nos próximos anos. “É preciso fiscalizar e cobrar das autoridades, inclusive sair às ruas, para melhorar nossos problemas internos. Precisamos também superar o achismo, criando projetos técnicos de longo prazo e bem embasados”, listou.

Para Paulus, os eventos esportivos devem ser vistos como oportunidade para superar os problemas, em vez de serem alvos de críticas exacerbadas.

“Em todos os lugares onde houve Copa do Mundo e Olimpíada houve problemas: na África, na Inglaterra, na Alemanha, etc. Mas precisamos entender que essa é uma boa oportunidade. E se os eventos passam, os negócios podem ficar”, defendeu.

Guilherme Paulus lembrou que a transmissão ao vivo dos jogos da Copa do Mundo será uma grande oportunidade para trabalhar a melhor imagem do Brasil. “Quatro vezes a população do mundo estará ligada pela televisão nesse período. Não temos tsunamis. Somos um povo feliz. Temos muito a oferecer”, avalia. Em tom otimista, o empresário exaltou os pontos positivos do país e da Bahia e defendeu os eventos esportivos como uma boa oportunidade para atrair novos negócios.

Outro aspecto importante destacado na palestra, para aumentar  o fluxo de turistas para o Brasil é o foco em serviços de boa qualidade. “Para consolidar-se como polo turístico, o Brasil como um todo precisa melhorar os níveis dos seus serviços”, opinou.

E investir também em um trabalho com os próprios brasileiros. O empresário também concorda com Ricardo Freire. “Não devemos só falar do lado negativo do Brasil. Problemas existem em qualquer lugar do mundo”, avalia. Consolidar a imagem do Brasil no exterior como um país economicamente pujante é outro passo necessário para beneficiar o segmento turístico, segundo Paulus. 

“Outra questão necessária é consolidar a percepção do Brasil como uma potência, que não tem só um bom futebol, mas uma boa gastronomia, uma gestão eficiente e outros atributos”, disse.

Guilherme Paulus fez uma provocação à plateia. “Quero iniciar com uma frase para reflexão: em vez de perguntar o que seu país pode fazer por você, pergunte o que você pode fazer pelo seu país”.

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