Cabula vira destino turístico

especiais patrocinados
10.04.2018, 06:00:00
Atualizado: 17.01.2019, 16:12:27
Divulgação (O Terreiro Tumbenci é um dos mais antigos de Salvador e motivo de tese de doutorado: o local vai ganhar, em breve, um museu digital)
Estúdio Correio -

Cabula vira destino turístico

Bairro entrou no roteiro de visitantes nacionais e internacionais depois da criação do projeto Turismo de Base Comunitária

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Pessoas de outras cidades, estados e até países descobriram o Cabula como um destino turístico. Em geral, são acolhidas em residências de famílias na região, que hospedam estes visitantes. Esse fluxo surgiu depois que o Turismo de Base Comunitária (TBC) chegou ao bairro. Através do projeto, desenvolvido por meio de iniciativas e atividades protagonizadas pelas comunidades, busca-se construir caminhos alternativos para o desenvolvimento local sustentável. 

A professora Francisca de Paula Silva, uma das proponentes do projeto - que nasceu em 2010, na Universidade do Estado da Bahia -, explica que, diferentemente do turismo convencional, em que o lastro é a economia, no turismo de base comunitária o contexto sócio-histórico se revela.  “A história e a cultura da região são os maiores atrativos. Não transformamos a comunidade em mercadoria para ser vendida, mas mostramos de fato o que ela tem de bom e melhor. Não é algo apenas para ver. A comunidade permanece no cotidiano e não há qualquer mascaramento”, explica. 

Trata-se de uma forma de turismo que tem como base a relação entre o turista e a cultura local, onde é possível vivenciar o turismo de uma forma diversa, interagindo com outras realidades diferentes. Nesta área da cidade, além das experiências que podem ter com a população, os visitantes também encontram atrativos naturais, culturais e históricos. 

Muitos pesquisadores, por exemplo, têm buscado esta experiência para se aprofundar na história desta região da cidade, antigo quilombo da primeira capital do país. “Pessoas do Paraná, Santa Catarina, Sergipe, São Paulo e até do Chile já se hospedaram no bairro para vivenciar a comunidade”, disse. Além da visibilidade no meio acadêmico, através de discussões em universidades, o projeto ganhou um portal de divulgação: tbccabula.com.br.

Terreiros
No Cabula, os visitantes  encontram atrativos de valor histórico, cultural e religioso: os terreiros de Candomblé. São muitos na região. Um dos mais conhecidos é o Ilê Axé Opó Afonjá, comandado desde 1976 por Mãe Stella de Oxossi. Foi fundado em 1910 por  Mãe Aninha, responsável por avanços para a religião, como a liberação do culto, na década de 1930, após encontro com Getúlio Vargas. Criado em 1850 pelo Tata Roberto Barros Reis, o Terreiro Tumbenci é um dos mais antigos de Salvador e motivo de tese de doutorado de Hyldete Costa, que organiza a memória do centro, hoje comandado por Mameto Lembamuxi. “É um terreiro de grande valor histórico”, explica a pesquisadora, que reunirá todo o conteúdo em um museu digital, em produção.

Museu
O Cabula já tem um museu digital que conta a história do antigo quilombo. “Ele  mostra essa trajetória desde o início do Século XIX e retrata uma fase da resistência negra”, afirma a historiadora  Luciana Martins, que desenvolveu o museu. Segundo a professora, a região era habitada por negros libertos e fugidos, que ocuparam a área pertencente à Marquesa de Nisa, que morava em Portugal. Em 1839, ela vendeu as terras para Tomaz da Silva Paranhos, que posteriormente comercializou  lotes para produtores de laranja. “Houve resistência por aqueles que já ocupavam a área”, citou. O museu, acessado no museudocabula.com.br, mostra a história através de imagens criadas em 3D, e o cenário indica onde hoje estavam localizados os espaços citados. 

Arte
O turismo de base comunitária busca promover a inserção de atores sociais e econômicos, para que estes se organizem e ofereçam produtos e serviços. A professora Francisca de Paula explicou que o projeto mobiliza os moradores para que surjam agentes e iniciativas que legitimem as expressões culturais e artísticas das localidades. Uma das ações é o Coletivo de Arte e Cultura do Cabula – Cultarte, com artesãos da região que se organizar após diagnosticarem demandas comuns no mercado produtivo. Eles  participam de oficinas e capacitações e iniciativas coletivas de venda. Outras manifestações, como o Terno de Reis Rosa Menina -  fundado em 1945 por Silvano Nascimento -, continua  levando o colorido e alegria na Folia de Reis graças ao empenho dos seus integrantes.

Natureza
Mais verde Atrações naturais também são destaque na região. A Mata do Cascão é uma área preservada de Mata Atlântica, situada nos fundos do quartel do 19º Batalhão de Caçadores do Exército. O acesso ao local, onde apenas soldados em treinamento percorriam, hoje também é permitido aos visitantes, que podem fazer suas trilhas mediante prévia autorização. A vegetação, com diversas espécies, também protege as nascentes do Rio Cascão, que alimenta um reservatório de 4,4 mil metros quadrados de espelho-d’água. Já na parte do Horto Florestal encontra-se a primeira represa d'água que abastecia Salvador. Entre os atrativos históricos e culturais também estão casarões centenários, o Teatro Caetano Veloso, o Memorial Legislativo, além de serviços turísticos, como restaurantes.

O Estúdio Correio produz conteúdo sob medida para marcas, em diferentes plataformas.

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas