Calma, não surte agora: Veja como revisar conteúdos a 15 dias para o Enem

enem
23.10.2019, 05:30:00
Atualizado: 29.10.2019, 18:00:15
Beatriz Calil está terminando o ensino médio, faz cursinho e aulas de reforço em quatro disciplinas; mas também dorme o suficiente para manter a saúde mental (Marina Silva/CORREIO)

Calma, não surte agora: Veja como revisar conteúdos a 15 dias para o Enem

Evitar o estresse é essencial para fazer uma boa prova

Faltam apenas quinze dias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e quem se preparou para as provas o ano inteiro tem maneiras diversas de usar os momentos finais para garantir o melhor desempenho possível. Há quem adicione às aulas regulares do colégio vários cursos e revisões extras de última hora. Há quem prefira estudar em casa e criar o seu próprio ritmo de estudos. Professores e coordenadores que trabalham diretamente com a preparação desses jovens concordam: não existe certo ou errado; e a melhor forma de aproveitar a reta final depende muito de cada aluno.  

Com a proximidade das provas, muitos alunos acabam intensificando o ritmo de estudos. Beatriz Calil, 17 anos, por exemplo, desde a última semana resolveu conciliar as aulas do último ano da escola, com um cursinho de revisão preparatório para as provas e frequenta, ainda, aulas isoladas de quatro matérias: biologia, física, química e redação. Todo o esforço e as quase 50 horas de atividades por semana tem um objetivo certo: uma vaga no curso de medicina. 

“Pessoas não têm fórmula pronta, o que pode ser bom para um aluno pode não ser para o outro. Tem pessoas que conseguem revisar em casa e pessoas que, psicologicamente, precisam da revisão em grupo”, exemplifica o professor Wladmir Fernandes, professor de física do curso Pontomed, que prepara alunos que, como Beatriz, sonham com carreira na medicina. 

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“A diferença está em como você lidou com a matéria e com as aulas durante o ano. Revisar é bom pra quem já viu, não é um ritmo para quem está vendo pela primeira vez, é pra relembrar e o professor vai rever os pontos que acredita que mais podem cair, mais relevantes”, pontua.

No caso da jovem, a ideia foi justamente a de rever os assuntos aprendidos ao longo do ano e estar mais preparada possível para as provas. “As aulas extras só começaram semana passada, e por enquanto está sendo tranquilo conciliar, não me sinto cansada, até porque eu sabia que essa fase ia chegar então me poupei no começo para agora aguentar”, conta a jovem. 

Durante o ano, por exemplo, Beatriz não estudava nos finais de semana. Agora, com os dias de semana tomados por aulas, precisa desse tempo para dar conta de todos os conteúdos vistos em sala. Mesmo assim, é preciso limites. “Não passo de um determinado horário para garantir a qualidade do sono. Sei que se eu passar desse horário, no outro dia não vou render”, conta ela. 

Em casa

A experiência do estudante Gabriel Leal, 18 anos, é completamente oposta. Hoje estudante de engenharia química, na Universidade Federal da Bahia (Ufba), o rapaz conta que, na sua época de Enem, escolheu seguir um caminho diferente na reta final para o exame e parou de frequentar as aulas da escola nos últimos quinze dias, para revisar sozinho em casa. 

“Como já estava aprovado no colégio, parei de frequentar. Para mim essa etapa final envolve mais aprender o que o aluno sabe que precisa. Na escola, eu estaria submetido ao ritmo das revisões e sentia que não me ajudava”.

Gabriel Leal estudava em casa com disciplina (Foto: Acervo Pessoal)

Ficar em casa, no entanto, não significou relaxar. O estudante montou uma rotina de estudos bem extensa.

“Todos os dias eu fazia um caderno inteiro do Enem com um alarme programado para apitar no final do tempo do caderno. Eu desligava internet, celular e todas as distrações e realmente simulava a prova. Eu só comia a comida que eu comeria no dia da prova para simular da forma mais realista possível. Normalmente, eu começava a fazer a prova de manhã cedo e depois que terminava, eu ia almoçar. De tarde, eu conferia o gabarito e estudava as questões que eu errei. De noite, eu ia para a academia e relaxava”, detalha o jovem.

A rotina rendeu ótimas notas no Enem e aprovação na Ufba. Gabriel, no entanto, admite que a sua escolha pode não funcionar para todos. “Nas aulas os professores geralmente abordavam os assuntos que mais caem no Enem, só que por causa da minha rotina de estudos, eu já dominava o que seria ‘revisado’. Para mim, então, foi mais vantajoso ficar resolvendo provas para identificar falhas em assuntos específicos que não são cobrados com tanta frequência. Para quem não tem tanta disciplina, as revisões do colégio podem ajudar por serem um processo guiado”.

Atenção aos limites

Apesar da experiência bem sucedida do universitário, abandonar as aulas não é um conselho de quem prepara os alunos. A professora de português Jamile Godinho, trabalha há 19 anos preparando apenas alunos de ensino médio e de cursinhos pontua que é necessário estar nas atividades propostas pela escola mesmo nessa reta final. “Nesse momento o aluno precisa aprender a otimizar o tempo e a forma de estudar. Precisa ser um período de exercício intenso, na hora das aulas, foco,  e em casa não é momento de exceder o tempo de estudo”, opina ela que além do Colégio Gregor Mendel, ensina também em cursinhos pré-vestibular.

Independente das decisões e da forma como cada aluno encara sua reta final, uma coisa é unanimidade entre os profissionais: é preciso observar as escolhas para não passar dos limites.  “Não adianta puxar demais a corda porque ela vai partir. O aluno pode ter agregado uma série de informações e conhecimentos, mas se não se cuidar, não adianta, vai tudo por água abaixo”, acredita Jamile. 

A supervisora pedagógica do Ensino Médio no Colégio Módulo, Luciana Lima, engrossa o coro dos profissionais que orientam atenção aos limites na hora de estudar: “O Enem é composto por provas que exigem mais que conhecimento: é preciso também cuidarmos da saúde física e mental. O aluno preparou-se para esse exame durante, no mínimo, três anos! Faltando 15 dias para as provas, ele precisa investir no equilíbrio emocional e no bem estar, tudo na medida certa é possível e bem vindo”, diz a profissional. 

Luciana destaca, ainda, que as revisões podem ser realizadas, desde que seu excesso não acabe afetando o emocional do estudante. “Revisar alguns conteúdos, dias antes da prova, pode ajudar o aluno  a manter o foco e deixá-lo mais seguro. Mas  isso não pode desestabilizá-lo. Um bom filme ou documentários pode ajudá-lo a rever um tema ou conteúdo de maneira leve e prazerosa”, aconselha Luciana.

Saúde mental garante uma boa prova

Às vésperas de uma prova importante, manter o equilíbrio pode representar um diferencial que influencia diretamente nos resultados.  Garantir um bom estado mental para poder realizar uma boa prova é, segundo os profissionais, tão importante quanto estar com os conhecimentos em dia. “Muitas pessoas estudam muito mas pouquíssimas se preocupam em fazer uma higiene mental nos dias que antecedem a prova e isso reflete diretamente no seu resultado pois a nossa capacidade de acessar conteúdos do nosso cérebro e de prestar atenção reduz de forma considerável”, explica a psicóloga especialista no trabalho com jovens Ludmila Carvalho.

A profissional destaca a importância de desenvolver a chamada inteligência emocional. Como dicas para se manter tranquilo, ela aponta a importância de realizar atividades físicas, manter atividades prazerosas e de lazer na rotina, cuidar da alimentação e do sono, e até recorrer a exercícios respiratórios e de meditação. “Sabendo que o que mais elimina as pessoas nesse tipo de prova é o estresse, principalmente no Enem, que é uma prova de resistência tudo que você fizer que te deixe mais tenso, cansado, nervoso e preocupado nessa reta final vai atrapalhar então é recomendado evitar excesso de estudo, principalmente de assuntos novos, assim como discussões e situações desagradáveis”, explica a psicóloga.

Trabalhando com adolescentes justamente para ensiná-los técnicas de respiração e meditação a instrutora Carolina Gordilho explica como o desequilíbrio emocional pode acabar afetando o desempenho do estudante. “O estresse é um dos maiores obstáculos no processo de aprendizagem e no rendimento em avaliações. O desempenho acadêmico acaba intimamente ligado ao equilíbrio e preparo sócio-emocional do aluno”, detalha ela.

Carolina explica que nos casos em que o aluno não garante uma mente tranquila na hora da prova, os conhecimentos podem acabar se perdendo. “É como se a mente de um vestibulando fosse uma caixa, e o conhecimento das matérias escolares são todos os materiais guardados nessa caixa. Muitas vezes a preocupação está na quantidade de coisas a serem armazenadas; mas, a verdade é que se a caixa não estiver bem preservada, está impossibilitada de desempenhar o seu papel. Uma mente estressada não é um ambiente propício para assimilar conhecimentos ou para responder de acordo com o que foi estudado.”, explica ela que realiza o trabalho através de cursos realizados na Arte de Viver, uma organização internacional que ensina técnicas de meditação, respiração e yoga.  

No dia 2 de novembro, véspera da prova, a Arte de Viver fará uma aula, gratuita, a partir das 15h, na sede da entidade, na Pituba.

Confira dicas dos profissionais para a reta final: 

1.    Não falte às aulas propostas na escola - É importante trabalhar a disciplina quanto a organização do tempo e as revisões com professores vão apontar no que é preciso focar 

2.    Cuide da alimentação - Quanto mais perto da prova, mais importante é manter uma alimentação leve e sem excessos e evitar comer alimentos estranhos à sua rotina 

3.    Busque qualidade no sono - Estar descansando é importante. Dicas para dormir melhor incluem dormir cedo e se desligar de fontes de luminosidade e distração, como celular e televisão logo antes do descanso  

4.    Faça exercicios fisicos - Exercicios, como uma simples caminhada, são outra forma de manter o equilíbrio na mente e desstressar quando a prova está chegando

5.     Mantenha o lazer na rotina - Na reta final é importante fazer coisas que deixem o aluno relaxado e tranquilo, música, filmes, passeios com a família fazem bem na reta final

6.    Busque formas prazerosas de revisar - Assistir um filme, ver um documentário, ou ler um romance podem ser forma de estudar sem o peso de responder questões 

7.    Não exagere em casa - Em casa é bom revisar o que foi visto nas aulas, mas sem excessos e sem se debruçar em assuntos desconhecidos

8.    Busque exercícios de meditação e respiração - Técnicas como essa podem ajudar aqueles que têm mais dificuldades em se manter centrados em um momento de avaliação.

9.    Evite comparações - Comparar seu desempenho em provas e simulados com o de outros colegas ou mesmo conferir o gabarito do primeiro domingo de provas do enem podem deixar o estudante inseguro para avaliações futuras  

10.    Esteja confiante - Essa é uma preparação que vem de anos, não é só desses quinze dias, então confie que o trabalho vem sendo feito há mais tempo e que você está pronto

Fascículos trazem temas para revisão

O jornal CORREIO publica até o dia 30 de outubro 18 fascículos especiais do 13º projeto Revisão Enem 2019. Na semana passada, o tema das revisões foi Ciências da Natureza e Suas Tecnologias. Nesta semana, o conteúdo trará questões gerais para revisão.

Com simulados que são disponibilizados no site do jornal (correio24horas.com.br/enem), os conteúdos contam com uma série de questões objetivas, realizadas pelo SAS Educação, para os estudantes testarem seus conhecimentos nas disciplinas cobradas no Enem.

Além disso, sempre às quartas-feiras, o site Correio 24 horas conta com videoaulas. Até agora, 17 delas já estão disponíveis e podem ser acessadas na íntegra na página: www.correio24horas.com.br/revisao.

Na versão impressa e no site do CORREIO, é possível acompanhar conteúdos focados em temas que auxiliam os alunos no processo de estudo, com artigos diversos, dicas de como estudar e macetes para fazer um bom exame. O projeto tem o oferecimento da Rede FTC.

*Com a supervisão da chefe de reportagem Perla Ribeiro
 


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