Camisa é presente? Crianças querem ganhar brinquedos, mas pais preferem dar roupas

bahia
08.10.2021, 06:00:00
Janine Fortuna, 9 anos, acha que sempre cabe mais um brinquedo (Foto: Paula Froes)

Camisa é presente? Crianças querem ganhar brinquedos, mas pais preferem dar roupas

Pesquisa mostra como devem ser as compras para o 12 de outubro

A cada 12 de Outubro o dilema se renova: os menores ficam ansiosos aguardando mais um brinquedo para a coleção. Já os pais, por outro lado, veem a data como uma oportunidade de deixar os filhos mais arrumados, com roupas e sapatos novos. Segundo estudo da Fecomércio, tradicionalmente esses são os produtos mais procurados para dar de presente às crianças.

O segmento de roupas e calçados, que registrou crescimento em 2021, deve ter um aumento ainda mais perceptível no mês de outubro. Dados da Fecomércio apontam que as lojas do setor serão as que terão melhores desempenhos nas vendas no Dia das Crianças, estimado um crescimento em 8,7%. 

O Sindicato dos Lojistas de Salvador (Sindilojas) estima, inclusive, que a venda de roupas e sapatos deve ser maior que a de brinquedos em 2021, registrando 55% das vendas totais. Já na avaliação da Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce), embora a venda de roupas e calçados possa ter um aumento significativo este ano, os brinquedos continuarão sendo os favoritos pelos pais da hora de escolher o presente. 

dia das crianças
Janine prefere ganhar brinquedos (Foto: Paula Fróes/CORREIO)

A pedagoga Lilia Fortuna, de 48 anos, afirma que prefere dar roupas para a filha porque a menina já possui muitos brinquedos acumulados em um quarto pequeno. “Sempre dei brinquedo, mas com o passar dos anos e morando em apartamento pequeno, o quarto dela ficou lotado e, por isso, comecei a dar roupas nos últimos anos. Mas criança é um caso sério, ela sempre preferiu brinquedo, mesmo estando mais velha”, contou Lilia.

A filha de Lilia, Janine Fortuna, tem 9 anos e admite que, mesmo possuindo muitos brinquedos, não gosta de ganhar roupas e sapatos. A  mãe, que trabalha como vice-diretora em um colégio fundamental, nota que as meninas com a idade da sua filha já começam a ser mais vaidosas e perdem o interesse por brincadeiras infantis. “Janine ainda é bem infantil, graças a Deus. Ela possui muitas bonecas e eu fico impressionada que  lembre o nome de todas elas”, disse.

Lilia ainda relembrou de um fato cômico, quando uma tia decidiu presentear Janine com uma jaqueta e a menina não conseguiu disfarçar o desânimo ao abrir o presente e quando questionada se havia gostado do recebido, ela respondeu: “roupa não é presente”. “Eu gosto mais de brinquedo, gosto de brincar. Pra mim é mais importante receber o brinquedo”, declarou a criança. 

Moradora de Feira de Santana, Fabiana Gonçalves, 33 anos, admite que prefere presentear seu filho, Victor, 6 anos, com roupas, mas, para fazer a vontade da criança,  compra brinquedos. “Eu gosto de dar uma roupinha porque dura mais, tem mais utilidade”, explicou.
 
Também morador de Feira de Santana, Magno Jorge Almeida, de 12 anos, revela por que prefere brinquedos. Ele acha que é obrigação dos pais darem roupas para os filhos, ao contrário dos bonecos, carrinhos, jogos e afins. “Com brinquedo a gente se diverte mais. Às vezes a gente ganha roupa e não fica tão feliz porque não vemos muita graça nesse tipo de presente. Mas com os brinquedos a gente brinca mais e fica muito mais feliz”. 


Magno ao lado do irmãozinho, Bento (Foto: Reprodução)

Importante mesmo é estar junto
A cabeleireira Landy Silva, 42 anos, também gosta de dar roupas para sua filha porque a criança já acumula muitos brinquedos, mas a menina opta sempre por presentes que ela possa aproveitar em grupo. “Nunca fiquei triste por ganhar roupa, mas eu prefiro brinquedo porque dá pra brincar com a família e se reunir com os amigos para se divertir”, confessou Isabela Silva, 10 anos. 

Nairzinha Spinelli, uma das maiores pesquisadoras da cultura da brincadeira, afirma que não existe nenhum presente, nem sapatos e nem brinquedos, tão importantes quanto a atenção e amor dos pais. “Eu sei que a vida é difícil e que às vezes não sobra tempo para dedicar aos filhos, mas a minha solicitação aos pais é que eles reservem o dia 12, que é feriado, e dediquem exclusivamente para tornar as crianças felizes”, pediu Nairzinha. 

A pesquisadora conta que muitas vezes não precisa de muito para fazer uma criança feliz e que já viu pais fazerem brinquedos com caixa de papelão para se divertirem com seus filhos. “Acho muito importante o Dia das Crianças e minha proposta é que os pais façam dessa data o dia mais importante do ano para os seus filhos, com brincadeiras, muito carinho e atenção. As crianças precisam se sentir como as pessoas mais importantes no universo. Não existe nada mais importante do que a atenção, a paciência e o amor dos pais”, concluiu a pesquisadora. 

Nem todas as crianças preferem brinquedos

Valentina Caribé, 8 anos, admite que prefere estar arrumada e bem chique para passear com os pais, por isso, não se importa em ganhar brinquedos. “Eu gosto de ganhar maquiagem porque eu me arrumo, me maquio e fico estilosa”, disse a criança. 

Valentina gosta de andar estilosa (Foto: Reprodução)

O irmão de Valentina já separou o seu presente do Dia Das Crianças, uma mochila e um sapato. A sua mãe comprou uma paleta de maquiagem com várias cores diferentes. A criança ganha poucos brinquedos e isso não a incomoda. Mas, se fosse pra receber algo mais infantil, ela optaria por uma boneca. 

Apesar da preferência de Valentina por produtos de beleza, a psicopedagoga Elizangela Santos explica que os brinquedos continuam sendo importantes porque é através deles que as crianças se desenvolvem, estimulam a criatividade, oralidade, atenção e autonomia. Além disso, as brincadeiras contribuem para criar relações interpessoais saudáveis, porque, ao brincar, a pessoa compartilha e se relaciona com o outro, aprendendo sobre solidariedade e parceria. 

“As relações se desenvolvem de forma saudável com o dia a dia das crianças, com as brincadeiras que promovem trocas diárias e até com os atritos naturais da idade”, disse a psicopedagoga. “Sob a supervisão de um adulto, a criança vai se relacionar cada dia melhor com o outro, aprendendo sobre compreensão e respeito”, completou.

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