Casa aberta: com programação para a família, Centro de Convenções é inaugurado

salvador
26.01.2020, 17:42:00
Atualizado: 27.01.2020, 08:20:31
(Foto: Marina Silva/CORREIO)

Casa aberta: com programação para a família, Centro de Convenções é inaugurado

'A gente achava que não ia ser possível recuperar nada aqui, mas ficou surpreendente', disse uma moradora

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Depois que o Aeroclube fechou as portas, a paisagem da praia da Boca do Rio ganhou ferrugem, tapumes e um ar de descaso. O carpinteiro Carlos Conceição, 36 anos, morador do bairro há 20, costumava dizer que tinha uma certeza: dali, não sairia mais nada. Duvidava que qualquer novo empreendimento voltasse a florescer naquele espaço. 

Foi por isso que, neste domingo (26), ele chamou a família toda para um passeio diferente: queria conhecer o novo Centro de Convenções de Salvador (CCS), em sua abertura para o público. “A gente chegou aqui 9h. Ainda não estava nem aberto”, contou, referindo-se à esposa, a dona de casa Rosália Ribeiro, 43, e aos dois filhos – Pamela, 12, e Pablo, 8. 

A programação, de fato, estava prevista para começar às 10h. Com show de Claudia Leitte, apresentações de Lore Improta e Tio Paulinho e brinquedos para a criançada, a inauguração foi uma espécie de programa para todas as idades. “Agora, tem espaço para crianças. Espero que continue tendo eventos assim e que surjam oportunidades de trabalho para os moradores”, disse Rosália.

Como eles, muita gente decidiu ir à Boca do Rio neste domingo justamente para conhecer o novo espaço. Depois de 15 meses de construção, ficou a curiosidade para ver como o centro estava por dentro.

“O ambiente é grande. É muito bom porque a gente ia muito no antigo Centro de Convenções (da Bahia). Já fui para muitas feiras e trabalhei em eventos”, contou Carlos, referindo-se ao equipamento fechado em 2015. 

Pablo foi com os pais e a irmã conhecer o espaço (Foto: Marina Silva/CORREIO)

Ao todo, foram investidos R$ 130 milhões em recursos municipais na construção do CCS. A partir de agora, o Centro de Convenções de Salvador será administrado pela GL Events, empresa francesa que se tornou a concessionária do espaço pelos próximos 25 anos. 

A abertura ao público, neste domingo, foi precedida de uma inauguração na quinta-feira (26), organizada pela empresa. Na ocasião, houve um jantar para mil convidados e show da cantora Maria Bethânia. 

De presente
Para o prefeito ACM Neto, a chegada do Centro de Convenções deve impulsionar a economia de Salvador. “Eu não tenho nenhuma dúvida de que Salvador entra no roteiro dos principais eventos de negócios do Brasil e do mundo. Depois que apresentamos o centro, na última quinta, para mim, fica claro o peso, a magnitude dessa obra”, afirmou, pouco antes do show de Claudia Leitte. 

A abertura do equipamento foi duplamente especial para o prefeito: neste domingo, ACM Neto completou 41 anos. Ao lado da família e diante dos soteropolitanos que foram conferir, o prefeito ganhou bolo de aniversário e ainda ganhou “Parabéns” cantado por Claudia Leitte. 

Aniversariante do dia, ACM Neto ganhou bolo e "Parabéns" (Foto: Marina Silva/CORREIO)

“Hoje foi uma feliz coincidência. Sendo meu aniversário, quem ganha o presente é a cidade. A gente trabalhou muito para que o Centro de Convenções ficasse perfeito, como ficou. Fico muito feliz de ver a quantidade de pessoas que estão presentes nesse domingo, já conhecendo”, completou o prefeito. 

O próprio show de Claudia já era um presente: a cantora, que apresentou o projeto Prainha da Claudinha, não cobrou cachê pelo evento. Pelo formato mais acústico, a turnê conta com um palco mais baixo e mais próximo do público – com direito até a areia e Claudinha descalça durante toda a apresentação. 

Antes de comandar a festa, ela contou que considerava o dia um “momento histórico”. “A gente, como artista, sempre procura lugar para fazer apresentação e a gente sabe que faltava (um centro de convenções). Além de ser uma honra, motivo de orgulho, isso aqui está lindo, é uma estrutura intergalática. É maravilhoso você ter um lugar para trazer o seu show”, disse a cantora. 

À vontade, Claudia explicou que sempre teve o sonho de fazer uma Prainha de Claudinha aberta ao público.

Claudia trouxe o projeto acústico Praia da Claudinha (Foto: Marina Silva/CORREIO)

“É um evento menor, com um repertório mais compacto. Não é aquela coisa do trio elétrico, mas tem alegria do mesmo jeito, porque eu sou cantora de trio”, explicou. 

No repertório, havia desde sucessos das antigas – a exemplo de Amor Perfeito e A Camisa e o Botão, ainda da época do Babado Novo – até hits recentes, como Perigosinha, seu novo single. Essa última era justamente a que a atendente Débora Borges, 34, e a promotora de vendas Carol Cardoso, 33, mais queriam escutar. 

As duas se conheceram neste domingo por ter algo em comum: chegaram bem cedo para ficar perto da grade durante o show. “A gente vai ter a oportunidade de vê-la bem de perto, quase que olhando em nossa direção. Nunca a vi de perto, só no Carnaval. Já fui em um show dela em São Paulo, mas estava tão longe que tinha que dar zoom na câmera várias vezes”, explicou Débora. 

Moradora de Pituaçu, ela costumava frequentar o Aeroclube, nos tempos áureos do shopping center. Nos últimos anos, acompanhou a degradação do local. “Cheguei às 9h30, mas dei uma circulada. Conheci os espaços, dei um pulo no show de Lore e voltei para cá para segurar o meu lugar. Adorei porque tem essa área aberta”, completou Débora. Já Carol destacou a localização. “Está no meio de tudo, perto de muita coisa da cidade”, completou. 

Gerações
Entre os mais jovens, é seguro dizer: a maioria não tinha lembrança do que, um dia, esteve naquele lugar. Mas, se muitos não alcançaram o antigo Aeroclube, a lembrança ainda estava fresca na memória de pais e responsáveis. Era o caso da autônoma Débora Silva, 25, que levou a filha, Isabella, 6, e a sobrinha, Laisa, 3, para o evento. 

Laisa, 3, e Isabella, 6, pediram em casa para participar do evento (Foto: Marina Silva/CORREIO)

“Elas viram na televisão que ia ter Tio Paulinho e Lore Improta e ficaram pedindo para vir. Foi bom porque eu queria ver como estava. A gente achava que não ia ser possível recuperar nada aqui, mas ficou surpreendente”, afirmou. 

Desde cedo, o grupo de nove crianças e adolescentes do Lar da Criança sabia que era um dia de festa. Escolheram as roupas mais bonitas para usar. “Explicamos para eles o que aconteceria aqui e eles ficaram ansiosos”, disse a diretora-presidente da entidade que acolhe crianças e jovens em situação de risco, Iraci Coimbra. 

Alguns nunca tinham tido a chance de participar de um evento como aquele. “Eles se animaram para ver Lore Improta. Agora, nas férias, passam o dia todo ouvindo a música dela”, contou Iraci.

Para ver o Show da Lore, inclusive, teve até quem saísse de outras cidades. A professora Larissa Amorim, 28 anos, saiu de Feira de Santana, no sábado (25), para ter certeza de que estaria bem cedo no local do show. “Como Lore tem um projeto infantil, achamos que tem tudo a ver com o público, com a família, com a proposta do evento”, opinou. 

Assim como ela, fãs de diferentes cidades se reuniam na frente da grade para esperar por ela. “Aqui tem gente de Salvador, de Juazeiro, de Feira e de Teodoro Sampaio. Quando anunciaram, a gente logo marca ponto de encontro para sair junto. Hoje, vimos que tem mais um lazer para a cidade”, disse a enfermeira Jessica Cardoso, 26, natural de Juazeiro. 

Pouco antes de se apresentar, Lore comemorava o fato de o evento incluir uma programação infantil.

Com o Show da Lore, a bailarina Lorena Improta fez a criançada dançar (Foto: Marina Silva/CORREIO)

“O mais incrível é que eles pensaram nas crianças. Tem Claudinha para a galera mais velha, assim como eu Tio Paulinho para a criançada. O Aeroclube fez parte da minha adolescência e da minha infância, e a gente viu repaginada. Está lindo o centro”, disse a bailarina. 

De acordo com o secretário municipal de Cultura e Turismo, Claudio Tinoco, desde o início, a ideia era dividir a inauguração em duas etapas. No primeiro momento, que aconteceu na quinta-feira, foi o dia de reunir possíveis investidores e pessoas que podem ocupar o centro com seus eventos – a exemplo do trade turístico e de entidades representativas. 

“Já neste domingo, o prefeito queria que a população pudesse estar aqui para ter a dimensão e a compreensão do que esse equipamento vai gerar em sua vida, como oportunidade de trabalho, novos negócios”, explicou. 

Para prefeito, Salvador pode passar o Rio de Janeiro no turismo de eventos
Com o Centro de Convenções, as projeções da prefeitura e da GL Events, concessionária do espaço, é de que Salvador volte a ocuparo terceiro lugar no ranking do turismo de negócios no Brasil - hoje, é a sexta. No entanto, o prefeito ACM Neto tem uma meta ainda mais ambiciosa. 

"Acredito que possamos passar o Rio de Janeiro (RJ) e chegar ao segundo lugar, até porque a rede hoteleira vai acompanhar esses investimentos que fizemos aqui e que estamos fazendo na orla, no Centro Histórico e em toda cidade ", afirmou o prefeito ACM Neto, neste domingo (26). 

Para o prefeito, o equipamento deve ajudar na geração de empregos para a cidade. Além de 100 empregos diretos com a instalação do centro, a prefeitura estima que o número de empregos indiretos possa passar dos dois mil de forma flutuante – atingindo das empresas de montagem até o setor publicitário. 

Segundo o secretário municipal de Cultura e Turismo, Claudio Tinoco, o turismo de negócios movimentaria uma cadeia produtiva que envolve 52 setores da economia, indo desde a rede hoteleira e as empresas de receptivo até ambulantes e motoristas por aplicativo. 

“A gente tem outra característica: esse é um turista que gasta três vezes mais do que o turista de lazer. É um turista que vem para cá, muitas vezes, incentivado pelas suas empresas. Isso significa que eles vêm, muitas vezes, com passagens e hospedagens compradas, assim, destinam mais recursos para nossos atrativos”, disse Tinoco. 

Até 2020, já existem 20 eventos confirmados no Centro de Convenções, a exemplo da Bienal do Livro e o Festival Afropunk. Outros 130 estão sendo prospectados. 

"Temos um equipamento versátil, que se adapta à necessidade do evento. Pode ser pequeno, grande ou médio", enfatizou o diretor-geral do CCS, Ludovic Moullin. 

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