Cenas de Carnaval: a Mudança do Garcia

salvador
01.02.2019, 05:00:00
Mudança do Garcia em 1979 (Antonio Valente/Arquivo CORREIO)

Cenas de Carnaval: a Mudança do Garcia

Irreverência marca bloco mais antigo da folia baiana

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A Mudança do Garcia é um evento tão antigo e curioso que conta até com lenda sobre sua fundação. Historicamente, o bloco surgiu em 1926, com o Arranca-Tocos, criados por ex-policiais. Virou Faxina do Garcia e, depois, já na década de 50, por sugestão do então vereador Herbert de Castro, ganhou seu nome definitivo.

Mas a Bahia é rica em lendas e, no Garcia, ela tinha que envolver um dos seus filhos mais nobres: o sambista Riachão. Na realidade, seu pai teria expulsado uma prostituta do bairro numa grande algazarra. A mudança da mulher, virou Mudança do Garcia.

De qualquer forma, a Mudança segue como o mais antigo bloco em atividade no Carnaval e com uma categoria única. Não é afro, de trio, infantil ou travestido. “Importante dizer que tinha mudança de todos os bairros Garcia, Massaranduba, Itapagipe. A do Garcia ficou pelo empenho do organizador. Ficou sozinha, e se destacou por ser um bloco de contestação, sátira, para área política. Não se enquadra em nada”, analisa o jornalista e pesquisador Nelson Cadena, autor do livro História do Carnaval da Bahia - 130 Anos do Carnaval de Salvador e colunista do CORREIO.

(Fernando Amorim/Arquivo CORREIO)
(Claudionor Junior/Arquivo CORREIO)
(Marina Silva/Arquivo CORREIO)
(Tayse Argôlo/Arquivo CORREIO)
(Antônio Queirós/Arquivo CORREIO)
(Sidney Haack/Arquivo CORREIO)
(Claudionor Junior/Arquivo CORREIO)
(Sônia/Arquivo CORREIO)
(Antônio Queirós/Arquivo CORREIO)
(Evandro Veiga/Arquivo CORREIO)

Na Mudança, há espaço para tudo e todos. Religiosos e pagãos, protesto e agradecimento, samba, frevo, máscaras, fantasia e, claro, sua principal característica: a irreverência. Por vezes, parece a antítese do próprio Carnaval, que teoricamente é uma festa para esquecer os problemas: na Mudança, é hora de abrir a boca para falar deles.

O bloco chega a ter 100 mil participantes, atraindo os olhos curiosos da população. Mas, para Cadena, perdeu um pouco da força nos últimos anos. “Acho que se acomodou, parou de falar mal dos políticos. Perdeu a coisa da espontaneidade. A proibição das carroças com animais também contribuiu”, diz Cadena, se referindo à medida do Ministério Público da Bahia em 2010.


*Cenas de Carnaval é um oferecimento do Bradesco, com patrocínio do Hapvida e apoio da Claro, Fieb, Salvador Shopping, Vinci Airports e Unijorge

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