Cenas de Carnaval: a praça do povo

salvador
31.01.2019, 05:00:00
(Rafael Martins/Arquivo CORREIO)

Cenas de Carnaval: a praça do povo

A Castro Alves é palco histórico da festa baiana, sobretudo com o encontro de trios

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

A praça é do poeta e do povo. Do alto dos seus quase 11 metros de altura, contando a base, Castro Alves já viu de tudo no Carnaval baiano. De amores a brigas, de estrelas a anônimos, o sol se pôr e nascer por muitas vezes. 

A estátua foi inaugurada em 1923, obra de arte do italiano Pasquale de Chirico, e recebeu os restos mortais de Castro Alves em 1971. Foi na década de 70 que o local passou a receber aquele que, durante muitos anos, foi o momento máximo do Carnaval baiano: o Encontro de Trios, sempre na madrugada de terça-feira para Quarta-feira de Cinzas. O poeta era, assim, o último folião da festa.

Algo era simbólico nos tempos áureos do encontro, o que talvez explique sua derrocada, nos anos 2000, e seu retorno já na década atual: os trios saíam sem cordas.

Foram inúmeros encontros marcantes, com grandes personagens do Carnaval. Os Novos Baianos, por exemplo, eram uma presença importante na festa. O motivo era bem conhecido: Baby, Moraes Moreira e seus colegas não tinham hora para terminar de tocar. Constantemente, iam até o sol raiar forte.

(Antenor Pereira/Arquivo CORREIO)
(Márcio Costa e Silva/Arquivo CORREIO)
(Evandro Veiga/Arquivo CORREIO)
(Edson Ruiz/Arquivo CORREIO)
(Rafael Martins/Arquivo CORREIO)


Nos anos 2000, no entanto, o encontro foi sumindo. Os grandes artistas foram cada vez mais para o Circuito Barra/Ondina, em busca da maior visibilidade junto aos camarotes e patrocinadores,  e o Arrastão passou a ser o momento de adeus da folia.

Nesta década, com mais trios sem corda e uma união para revitalizar o Circuito do Campo Grande, que uniu poder público, patrocinadores e artistas, o encontro voltou a ser realizado no seu dia original. Em 2011, Moraes, de volta à Castro Alves, resumiu: “O poeta estava chorando, estava triste, mas hoje ele voltou a sorrir com o povo na praça”.


*Cenas de Carnaval é um oferecimento do Bradesco, com patrocínio do Hapvida e apoio da Claro, Fieb, Salvador Shopping, Vinci Airports e Unijorge

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas