Cenas de Carnaval: É O Tchan

salvador
05.02.2019, 05:00:00
(Welton Araújo/Arquivo CORREIO)

Cenas de Carnaval: É O Tchan

Grupo fez o pagode conquistar espaço na festa

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É certo que o samba nasceu na Bahia, mas, depois do surgimento do axé, o ritmo parecia alijado do ‘horário nobre’ do Carnaval de Salvador. Até que, em 1995, o Gera Samba lançou o disco É o Tchan.

Com uma mistura de samba de roda, músicas de duplo sentido e a sensualidade das dançarinas Carla Perez e Débora Brasil e do dançarino Jacaré, a banda explodiu no país todo. Posteriormente, mudou de nome por questões legais para o mesmo do álbum, o que não atrapalhou em nada.

Aparentemente, havia uma dúvida se canções cheias de coreografias caberiam bem no Carnaval, uma festa em que as pessoas costumam andar atrás - ou na frente - dos trios elétricos.

Quando o pagode começou a entoar nos circuitos, não teve jeito: a história do Carnaval ganhava mais um capítulo. 
O Tchan conquistava quem queria dançar e quem queria ver também toda sensualidade de seus dançarinos. A fórmula acabou repetida por dezenas de outras bandas e o pagode, com outras mudanças na própria concepção rítmica, cresceu a ponto de disputar a preferência do público com o axé music. 

(Manu Dias/Arquivo CORREIO)
(Marina Silva/Arquivo CORREIO)
(Márcio Costa e Silva/Arquivo CORREIO)
(Robson Mendes/Arquivo CORREIO)
(Haroldo Abrantes/Arquivo CORREIO)
(Evandro Veiga/Arquivo CORREIO)
(Márcio Costa e Silva/Arquivo CORREIO)
(Márcio Costa e Silva/Arquivo CORREIO)
(Welton Araújo/Arquivo CORREIO)


Entre os blocos travestidos, essa preferência é bem clara, com destaque para As Muquiranas, há bastante tempo só comandado por bandas de pagode. A combinação bem casada pode ser justificada pelo senso de humor das letras do É O Tchan com o dos foliões deste tipo de bloco, que não têm vergonha alguma de se vestirem de mulher e pertubarem bastante nas ruas.

Entre as consequências do pagode feito pelo É O Tchan, apareceram outros subestilos: o pagode mais ‘sofisticado’, com grupos como o Harmonia do Samba, o pagode com uma pegada mais intensa e manutenção de letras de duplo sentido e humorísticas, com bandas como o Psirico, e o ritmo com canções com letras mais sociais, como é o caso de Igor Kannário.

No ano passado, o pagode ganhou uma nova mistura, com a música eletrônica: era o ÀTTØØXXÀ, com Elas Gostam.

*Cenas de Carnaval é um oferecimento do Bradesco, com patrocínio do Hapvida e apoio de Claro, Fieb, Salvador Shopping, Vinci Airports e Unijorge

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