César Romero: Revelações da Pele

colunistas
07.05.2017, 06:01:00

César Romero: Revelações da Pele


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Em cartaz no Museu de Arte da Bahia, Corredor da Vitória, a exposição O Avesso da Pele, de José Henrique Barreto e Luiz Claudio Campos, até 5 de junho. A curadoria é de Mariela Brazón, historiadora de arte, formada na Universidade Central da Venezuela, com mestrado e doutorado pela UFRJ.

O Avesso da Pele é uma expo instigante, organizada através de experimentos que investigam maneiras, sentimentos quando projetamos nossa corporeidade ou mente corpórea.

Os artistas investem em O Avesso da Pele, para tratar de assuntos que cuidam da existência humana e suas contradições. A pele é o maior órgão de nosso corpo e assegura grande parte das relações entre os meios interno e  externo. Os artistas questionam a pele como superfície de trocas, desconstroem a questão da pele como limite, a questão do avesso, do dentro e do fora, interior e exterior.

São instalações, fotos bordadas, livro de artista que foi desfeito e apresentado na parede do museu sobre um suporte vermelho. Apresentam totens em que se veem bordados pelo lado direito e pelo avesso, placa de resina que contém em seu interior couros suturados, fragmentos de couros carcomidos, onde entra a questão do tempo, caixas com corações bordados em diferentes materiais. Transparências, desgastes, reorganizações e dilaceramentos. Os materiais usados pelos artistas são fios de cobre, couro, madeira, ferro, plotagens, fotografia, caixas e luzes.

A pele reveste nosso corpo de forma total, nos protege e é órgão de contato. O corpo é a sede de todos os prazeres e de todas as torturas. O corpo é uma estrutura total e material do organismo humano. Sempre foi objeto de curiosidade por ser uma engrenagem de mistérios. Algo secreto de significados ou causa oculta, que não se pode explicar, e vai se desenvolvendo, se revelando através de ações da vida real.

José Henrique Barreto e Luiz Claudio Campos revelam nesta mostra o interesse por matérias e procedimentos vinculados a ações invasivas, tais como perfurar, lacerar, esfoliar, rachar e fissurar, e em reparações buscam acoplar, alinhar, atar, suturar, emendar e reconstruir. Assim pode-se pensar que os artistas atrelados às definições da fenomenologia que explica os estados do corpo, também da antropologia ligada ao homem que cada ser é um corpo no sentido social e cultural, as experiências que se vivenciam a partir de valores relativos ao corpo e assim sejam culturalmente construídos.

Os artistas trabalham em harmonia, buscando confluir ideias e olhares contemporâneos. Já é tradição os dois se empenharem mutuamente na busca do original, do convincente, do uno e do plural.

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