Cidades baianas distribuem prêmios para estimular vacinação contra a covid-19

coronavírus
22.06.2021, 05:30:00
Prêmios serão sorteados em Bom Jesus da Lapa (Divulgação)

Cidades baianas distribuem prêmios para estimular vacinação contra a covid-19

Busca ativa e carro de som na rua também são estratégias para acelerar imunização

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Já pensou ir ao posto de saúde tomar a vacina contra a covid-19 e sair de lá com um liquidificador ou batedeira? Se estiver grávida, pode levar até enxoval completo e um berço para o bebê. Em cidades baianas como Bom Jesus da Lapa e Sítio do Mato, no oeste do estado, é possível. Isso porque, para estimular a vacinação, as prefeituras dessas cidades começaram a sortear prêmios entre os imunizados. 

Em Bom Jesus da Lapa, com quase 70 mil habitantes, a iniciativa ocorre desde a quinta-feira (17) focada, inicialmente, nas gestantes. Segundo o secretário de Saúde Euler Nogueira, o município tem cerca de 850 mulheres grávidas, mas apenas 98 compareceram para tomar a 1ª dose da Pfizer. Foi então que o gestor pensou em criar o sorteio valendo o enxoval completo e um ensaio fotográfico. Três dias depois, o número de imunizadas saltou para 400.  

“As gestantes estavam com receio de receber a vacina. Tivemos dia em que nenhuma delas procurou a 1ª dose. E se elas não tomam, temos que dar vazão, vacinar outro grupo. Só que elas são prioridade e precisam ficar imunizadas”, diz o secretário, que fez contato com os comerciantes do município para conseguir os prêmios.  

“Liguei para o pessoal, pedi ajuda e ainda brinquei que só queria coisa boa. Em pouco tempo, tínhamos 20 tipos de prêmios. Depois, os próprios comerciantes começaram a aparecer para fazer doação. Arrecadamos liquidificador, batedeira, ferro de passar, espremedor de fruta, purificador de ar”, enumera.   

A participação dos comerciantes fez a ação ser ampliada para o público que não retornou para a 2ª dose. Em Bom Jesus da Lapa, havia 600 ampolas da AstraZeneca paradas aguardando as pessoas que tem direito de tomar o reforço. Com a iniciativa, qualquer um que tomar a 2ª dose na cidade pode participar do sorteio, que é semanal. O primeiro ocorre amanhã, com cinco prêmios. Já o sorteio das gestantes ocorrerá quando todas forem vacinadas ou as doses da Pfizer acabarem.

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“Por causa do show de prêmios, vacinamos até domingo 180 pessoas que estavam com a data de retorno atrasada”, aponta o secretário.   

Segundo a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), as vacinas enviadas para aplicação da segunda dose não podem ser destinadas para outra função, o que ligou o alerta da equipe de saúde para acelerar a imunização na cidade.

Até esse domingo, 21 mil pessoas tomaram a primeira dose da vacina em Bom Jesus da Lapa, o que equivale a 31% do público alvo, mas apenas 6,6 mil pessoas (9%) tomaram a segunda dose.  

Primeiro sorteio em Bom Jesus da Lapa acontece nesta quarta, 23

(Foto: divulgação)

Outras cidades também realizam ações

Segundo a prefeitura de Bom Jesus da Lapa, a iniciativa do município inspirou a vizinha Sítio do Mato a fazer o mesmo. Por lá, as gestantes e puérperas (mulheres com até 45 dias após o parto) com 18 anos ou mais que tomarem a 1ª dose da vacina concorrerão a um enxoval completo e um berço. Ainda de acordo com o que a prefeitura informou em redes sociais, a imunização pode acontecer até o dia 5 de julho no posto de vacinação da sede ou da zona rural.

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Em Ribeira do Pombal, nordeste da Bahia, não há entrega de prêmios mas, por lá, segundo a prefeitura, a vacinação segue tranquila e com participação da população. O que tem ajudado é o serviço de busca ativa lançado pela Secretaria da Saúde. Através das Equipes de Saúde da Família e Agentes Comunitários, a equipe faz contato para informar a data de retorno para a 2ª dose.  

“Nosso objetivo é reduzir ao máximo o número de faltosos e, consequentemente, ampliar a eficácia da cobertura vacinal para a população”, explica a secretária Lakcelma Costa. Até o momento, a prefeitura aplicou 16,8 mil primeiras doses e 6,1 mil segundas. Há ainda 505 segundas doses em estoque, mas com a vacinação já programada.  

Já em Crisópolis, também no nordeste da Bahia, a prefeitura colocou um carro de som para informar à população que vive nos povoados mais afastados a data, horário, local e o público-alvo da vacinação. “O carro vai para todas as ruas, becos e vielas das áreas mais remotas ou descobertas por agentes de saúde. São, geralmente, áreas que não tem acesso a internet e o público é carente”, explica o coordenador da Vigilância Epidemiológica, Tiago Argolo. Na cidade, já foram aplicadas 5,4 mil primeiras doses e 2,2 mil segundas.     

Carro de som tem informado população sobre a vacinação em Crisópolis

(Foto: divulgação)

Salvador também tem utilizado busca ativa e carro de som para estimular a vacinação e o retornaram para a segunda dose.

“Existe vacina disponível para as pessoas tomarem. Nós vemos que, para a 1ª dose, muitos ficam na expectativa de tomar logo. Nós pedimos para que as pessoas tenham também pressa para a 2ª. Todos são bem-vindos, mas devem retornar”, diz Andréa Salvador, Diretora de Vigilância à Saúde do município.

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Noventa mil pessoas não voltaram para a 2ª dose

Na Bahia, quase 90 mil pessoas já poderiam ter completado o esquema vacinal, mas não retornaram aos postos para a segunda dose de CoronaVac e AstraZeneca, segundo dados da Sesab. Há duas semanas, o número de faltosos no estado era praticamente o mesmo: 91 mil.  

A vacina mais preterida pelos baianos é a CoronaVac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan. No total, são 63.955 pessoas que deveriam ter tomado a 2ª dose do imunizante e não retornaram. Já a AstraZeneca, produzida nacionalmente pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), tem 25.533 faltantes no estado. Os ausentes representam 1,1% de todas as doses de vacina recebidas pela Bahia.   

No total, 8 milhões de ampolas foram enviadas ao estado, sendo 3,1 milhões de Coronavac, que tem intervalo entre as doses de 28 dias, e 4,3 milhões da AstraZeneca, cujo período entre a 1ª dose e o reforço é de 90 dias. A Bahia ainda recebeu outras 540 mil doses da Pfizer/BioNTech, que começou a ser aplicada em 4 de maio e possui intervalo de 90 dias, ou seja, ainda não existem baianos que podem tomar a 2ª injeção. 

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Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), para que a vacina tenha efeito coletivo, é preciso que cerca de 70% da população esteja imunizada com as duas doses. Uma só não basta, pois os fabricantes ponderam que só com o esquema vacinal completo é possível garantir 100% de eficácia contra casos graves. 

A Sesab também segue essa linha. “A primeira dose já garante alguma proteção, mas a imunidade completa, indicada pelo fabricante, só com a segunda”, diz o órgão. 
Infectologista da SMS, Adielma Nizarala enxerga outros problemas associados ao ato de não tomar a 2ª dose da vacina.

“Tem gente com menos de 18 anos que precisa se vacinar e não pode. A chance dela ficar protegida é a imunidade coletiva vinda com a vacinação. A pessoa que não toma as duas doses não vai estar completamente imunizada e protegida para os casos graves, mas também não estará contribuindo para a imunização coletiva, contribuindo para que toda sociedade seja beneficiada”, explica.  

Nizarala também diz que guardar a 2ª dose, por enquanto, é a única alternativa do poder público. “E nós temos que arcar com essa logística de armazenamento. Se a pessoa não aparecer, essa dose pode ser perdida, a não ser que haja determinação futura. Mas hoje, a primeira dose só pode ser usada como primeira e a segunda somente como segunda. É verba pública que pode ser perdida e nós, como cidadãos, precisamos de mais conscientização”. 

*Com a orientação da chefe de reportagem Perla Ribeiro.

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