Com alta no preço do peru, clientes optam por frango para a ceia de Natal

salvador
21.12.2019, 05:30:00
Neste fim de ano, aves mais baratas agradam o paladar e o bolso dos consumidores baianos (Foto: Arisson Marinho)

Com alta no preço do peru, clientes optam por frango para a ceia de Natal

Aves natalinas devem ficar em torno de 3% mais caras neste fim de ano

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Nos supermercados baianos já é possível notar uma mudança nas compras para a ceia de Natal. Enquanto o peru fica de lado, as pessoas botam cada vez mais frangos tipo Chester e frango comum no carrinho. Para o gerente do Mercantil Rodrigues da Calçada, Jorge Rios, a mudança é motivada pelo aumento no preço do peru.

“Algumas famílias ainda mantêm a tradição de ter o peru em casa. Mas muita gente, por questões financeiras, começou a aderir a outras aves especiais de final de ano. Como o Fiesta, o Chester. As indústrias criaram essa alternativa e as pessoas estão migrando. São aves especiais, saborosas, macias e que atendem muito bem a festa natalina”, explica Rios.

Todas as aves consumidas no Natal devem ficar em torno de 3% mais caras para este fim de ano, aponta o presidente da Associação Bahiana de Supermercados (Abase) e sócio da Cesta do Povo, Joel Feldman. No grupo, o peru deve registrar o maior aumento de preço.

"Neste ano, a gente acredita que vai realizar um preço muito parecido com o preço do ano passado”, ressalta. Feldman, no entanto, não informou esse valor. 

Mais em conta
No Mercantil Rodrigues da Calçada, que atende uma média de 4 mil clientes por dia, sete em cada dez compradores que chegam em busca de aves para o Natal abrem mão do tradicional peru e preferem outras aves como o frango tipo Chester, que saem mais em conta. 

“O que não pode é passar o Natal sem ter a tradicional mesa com a ave. Muita gente, até pelo sabor, prefere hoje uma ave como o Chester ou o Fiesta, por achar que é uma ave mais macia e com um pouco mais de sabor”, acredita o gerente da unidade.

A manicure e depiladora Joselita Rodrigues, 47 anos, concorda com o gerente do supermercado. Mesmo com os valores mais altos, ela conta que o importante é achar uma opção em conta para preencher a mesa da ceia natalina. 

“Todo ano, as vezes eu levo os dois: peru para o Natal e Chester para o Réveillon. Mas, esse ano eu vou levar só o Chester. O Chester tá mais em conta que o peru. A crise foi forte, a carne aumentou e aumentou tudo, aí decidi levar um mais em conta”, relata a baiana.

Na comparação entre o peru, o frango e o frango tipo Chester, o frango comum ganha como o mais barato com um valor médio de R$ 3,5 por quilograma. Nos supermercados de Salvador, é possível comprar um quilo de Chester por R$ 12. E o peru pode ser encontrado com um valor médio de R$ 17 por quilo.

Diferenças 
Quem fizer a troca motivada pelo preço não vai perder no aspecto nutricional. A nutricionista Louise Tiúba explica que as três opções de aves entregam quase os mesmos nutrientes.

“A maior parte destes alimentos é proteína. Carboidrato praticamente não tem. O nível de gordura é praticamente igual”, indica.

O veterinário Marcus Barbosa esclarece que, apesar de pertencerem ao mesmo gênero, os dois animais são de espécies diferentes. “O frango é da espécie Gallus gallus domesticus e o peru é de outra espécie, a Meleagris gallopavo. Daí, as características físicas são diferentes”, aponta. Entre estas características estão o tamanho, a quantidade de carne, a cor da carne etc.  

Quanto ao frango tipo Chester, o diretor comercial da Mauricéa Alimentos, Marcondes Filho, conta que o animal tem uma estrutura e um tempo de vida maior que um frango. A linhagem tem um ciclo de vida de cerca de 62 a 65 dias, enquanto o do frango é de cerca de 45 dias.

Esse período é um dos pontos que mais influenciam o preço que chega ao consumidor. O veterinário acrescenta que, por ser menor e, portanto, demandar menos espaço para ser criado e também menos tempo para ser abatido, o frango consegue ser produzido em larga escala. Por isso, seu valor é mais barato. 

Produção
A indústria de avicultura percebeu a mudança nas compras do consumidor e se prepara para as vendas das festas de fim de ano. A diretora executiva da Associação Baiana de Avicultura (ABA), Patrícia Nascimento, afirma que a produção cresce para atender as demanda dos meses de dezembro e janeiro.

“Devido às festas, a gente tem um alojamento maior e uma produção maior. A equipe se prepara para, nesse período, colocarmos mais frangos na granja”, conta.

Apesar da produção aumentar, a venda de frango comum não difere muito da média anual. Já o frango tipo Chester tem um pico de vendas - o período é justamente quando o produto é mais procurado.

O diretor comercial da Mauricéa Alimentos diz que foram produzidas mil toneladas de Speciale, o frango tipo Chester da marca, para este fim de ano. Ele aponta que as vendas do produto registram um crescimento a cada ano. Em 2019, o aumento deve ser de 20% na comparação com 2018.

“O crescimento nas vendas do Speciale vem nesta média a cada ano. Esse ano cresceu um pouco mais pelo aumento do preço da carne suína e bovina. Com isso, o Speciale virou uma opção ainda melhor”, avalia.

Aves e suínos
Os gestores de supermercados apontam que a indústria passou a apostar nas aves convencionais e até nos suínos e, por isso, envia menos peru. O diretor comercial do Atakarejo, Milton Amorim, afirma que a tendência é que o consumo de aves e suínos como o tender e o pernil, deve ser de 5% a 10% maior que no ano passado. “O aumento se deve também pela melhoria natural da economia”, pontua.

No Grupo Cencosud, que engloba Gbarbosa, Mercantil Rodrigues e Perini, a expectativa é de que a venda de aves aumente em 10% neste ano ante 2018. Já o Clicco , um mercado online delivery, estima que sejam vendidos 688 quilogramas de frango tipo Chester e 250 quilogramas de peru. No estabelecimento, devem ser pedidos mais de 100 quilos de frango inteiro.

Para Marcondes Filho, o frango tipo Chester está tomando o lugar do peru nas mesas de final de ano por ser maior que um frango comum, mas ter um preço mais baixo que o peru. “Se tornou uma opção mais em conta e mais atrativa pelo sabor”, ressalta.

O sabor é o que faz a família de Sílvia Simões escolher a ave tipo Chester no lugar do peru. “Lá em casa ninguém gosta muito de peru, porque tem uma carne meio dura. O pessoal rejeita. Então, na hora de escolher a ave temperada, eu procuro a mais barata porque todas as marcas são iguais, a mesma coisa”, conta Sílvia.

Mais barato que o peru, o frango e o frango tipo Chester são alternativas para a ceia de Natal. Independente da carne escolhida, o importante é saber como valorizar o alimento e agradar os convidados. 

“O importante na ceia é um pouquinho de cada comida para todo mundo sair satisfeito. O peru tá muito caro. Pense numa casa com muitas pessoas, como dá conta? Na minha casa, só tem cinco pessoas, então só vou comprar uma ave temperada. Vou colocar outras coisas, um bacalhau”, conta Sílvia Simões sobre as ideias para a noite especial.

Quem quiser buscar uma oferta para comprar as aves natalinas deve esperar a véspera de Natal, indica o presidente da Abase, Joel Feldman. “Vale a pena o consumidor procurar os supermercados que eles sabem que têm ofertas", comenta.

O diretor comercial do Atakarejo, Milton Amorim, explica que os supermercados praticam as promoções na véspera de Natal porque as lojas de varejo têm que vender o estoque das aves. “As aves natalinas não dão muito lucro e os supermercados usam esses produtos para que o consumidor vá até a loja fazer as compras de outros itens da ceia natalina”, revela.

Dica do chef

Na hora de preparar a ceia, o chef Josenilton santos, do Senac Bahia, indica ter muita criatividade, seja para montar os pratos ou para substituir ingredientes mais caros. “A inspiração vem da vivência e dos ingredientes que temos em casa. A cozinha tem que expandir a memória afetiva para o alimento”, pontua. Para ajudar quem quer economizar sem perder no sabor, o chef criou uma receita exclusiva para o CORREIO. 

Receita da Coxa Recheada  de Natal
Ingredientes:

  • 1kg de coxa e sobrecoxa;
  • 150 g de castanha;
  • 150 g de arroz cozido;
  • 50 g de ervas (salsa, coentro, cebolinha e manjericão);
  • 200 g de aparas de frango;
  • 10 g de especiarias (pimenta do reino, sal, cominho e cúrcuma);
  • 20 ml de azeite de oliva;
  • 2 limões.

Preparo:

  • Desossar a coxa e sobrecoxa temperar e reservar;
  • Processar todos os ingredientes em um mix ou processador e rechear as coxas;
  • Pré aquecer o forma a 200º C e assar as peças por 35 minutos até dourar.

Montagem:

  • Em uma travessa, fazer uma camada de farofa doce com banana, cebola e salsa;
  • Cortar em rodelas as coxas e arrumar sobre a farofa, decorando com alface roxo;
  • O prato poderá ser servido frio ou aquecido

Colaborou Bruno Wendel e Gabriel Amorim*

*Com orientação do chefe de reportagem Jorge Gauthier

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas