'Com ele nunca havia problema', conta feirante sobre homem morto em Pojuca

bahia
08.06.2021, 18:14:00
Atualizado: 08.06.2021, 19:12:54

'Com ele nunca havia problema', conta feirante sobre homem morto em Pojuca

Gilson da Silva, que fornecia produtos para o Centro de Abastecimento da cidade, e Marileide de Araújo, dona de um bar, foram mortos a tiros na noite de segunda (7)

Foto: Bruno Wendel/CORREIO

Uma festa de aniversário em um bar terminou em tragédia com a morte a tiros de duas pessoas na noite desta segunda-feira (7) na cidade de Pojuca, Região Metropolitana de Salvador (RMS). Um homem em uma bicicleta efetuou vários disparos contra o comerciante Gilson Roque dos Prazeres da Silva, 46 anos, parente do aniversariante. A dona do bar, Marileide Soares de Araújo, 42, conhecida como Índia, estava perto de Gilson e acabou baleada uma única vez e não resistiu.

Em nota, a Polícia Civil informou que a Delegacia de  Pojuca vai investigar o duplo homicídio. Gilson foi vítima de disparo de arma de fogo na cabeça e morreu no local. Já Marileide foi atingida no tórax e, em seguida, socorrida para o Hospital Municipal Dr. Carlito Silva, mas não sobreviveu. " A autoria e motivação do crime ainda não foram esclarecidas", diz a nota enviada ao CORREIO. 

Essa era uma das barracas de Gilson no Centro de Abastecimento de Pojuca (Foto: Bruno Wendel/CORREIO)

Gilson tinha duas barracas no Centro de Abastecimento da cidade e atuava também como o único fornecedor de produtos para os feirantes do centro. O CORREIO esteve no local e apurou com os moradores que o crime teve o envolvimento de dois rapazes e que o alvo do ataque era o comerciante, devido à quantidade de perfurações que ele sofreu. Eles contam que, há cerca de um mês, a vítima expulsou um grupo de rapazes que fazia arrastões no Centro de Abastecimento. "Levavam o dinheiro dos caixas e produtos. Ele (Gilson) não gostou e botou os caras para correr. Tá todo mundo comentando que o crime pode ter sido por isso e a mulher foi bala perdida", disse um morador da cidade. 

 crime aconteceu por volta 18h40 no Bar da Índia, a poucos metros do Centro de Abastecimento. Segundo testemunhas, a festa de aniversário começou por voltas 15h. "Estava todo mundo bebendo desde cedo. Estava um clima bom. Era aniversário de um parente de Gilson. Tinha bem umas dez pessoas. Todo mundo amigo. Uma confraternização na paz", contou. 

Marileide era dona do Bar da Índia, que fica próximo ao Centro de Abastecimento (Foto: Reprodução)

Pouco depois das 18h40, um rapaz na bicicleta se aproximou do bar, enquanto um outro manteve uma distância como se desse cobertura. "O da bike chegou ainda mais perto e começou a atirar. O primeiro disparo, ele errou e atingiu o peito da moça (Marileide) que estava atrás do balcão. Depois, ele foi atrás de Gilson e efetou vários tiros. Depois, o cara correu e outro rapaz também", detalhou o morador. 

A Polícia Militar informou que, de acordo com informações do Cicom, um casal foi vítima de disparos de arma de fogo na noite desta segunda em Pojuca. " O homem não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Já a mulher chegou a ser socorrida por populares para o hospital municipal, mas também acabou morrendo", disse a PM. 

Gilson era o único fornecedor dos produtos para os feirantes (Foto: Reprodução)

Gilson era o comerciante mais bem sucedido do Centro de  Abastecimento de Pojuca. Além de ter duas barracas no local, era o único fornecedor dos quase 200 feirantes que trabalham no centro. "Ele usava seus dois caminhões para trazer os melhores produtos para cá. Ele pegava tudo da Ceasinha de Simões Filho e ainda cobrava um preço justo. Com ele nunca havia problema. Se não podia pagar no dia, a gente acertava depois", declarou um dos feirantes, que revelou tambem que, na manhã desta terça, a pedido da família da vítima, foram fechadas as barracas. 

Ele disse que sempre manteve uma boa relação do Gilson e que foi convidado pelo comerciante para participar do aniversário. "Mas, eu não fui, porque, apesar da proximidade, eu sou uma pessoa muito humilde e por isso não tenho essa coisa de estar bem arrumado. Já ele vivia sempre bem vestido, assim como o parente dele. Todos que estavam no aniversário eram como ele, sempre com roupas novas e não ia me sentir bem", disse. 

Marileide também era uma pessoa querida na região. Ele tinha o Bar da Índia há mais de cinco anos. "Era uma pessoa que vivia para o trabalho. Sempre alegre. Todo mundo gostava dela. O que aconteceu com ela foi uma fatalidade", contou uma moradora. 

O CORREIO tentou localizar os parentes das vítimas, mas não obteve sucesso.

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