Com lojas fechadas, soteropolitanos buscam alternativas para presentes de última hora

salvador
12.10.2018, 14:50:00
Atualizado: 12.10.2018, 14:51:07
(Miguel, a mãe e a avó conseguiram comprar presente nesta sexta-feira (Foto: Evandro Veiga/CORREIO))

Com lojas fechadas, soteropolitanos buscam alternativas para presentes de última hora

Acordo sobre convenção coletiva dos comerciários não foi assinado; shoppings também não abrem no domingo (13)

O pequeno Miguel Melo, 10 anos, já tinha até imaginado que o presente podia não chegar nesta sexta-feira (12), Dia das Crianças. Achou que talvez o mimo só viesse lá pela quarta-feira (17) – ainda mais após a decisão, do Tribunal Regional do Trabalho (TRT-5) de que os comerciários não trabalhem aos domingos e feriados até que seja assinado acordo sobre a convenção coletiva da categoria. 

Só que Miguel acabou tendo uma boa surpresa – mesmo diante de uma Avenida Sete de Setembro praticamente toda fechada. A mãe, a ialorixá Gabriela Fabiana, 40, e a avó Jucélia dos Santos, 49, estavam indo em direção ao mercado quando notaram que pelo menos duas lojas com brinquedos estavam abertas. Em poucos minutos, ele escolheu o presente na primeira em que entrou. 

Assim como a família de Miguel, muita gente decidiu tentar presentes de última hora. E, mesmo com shoppings fechados, as opções eram variadas: desde lojas que conseguiram abrir, de alguma forma, a lojas ‘âncora’ e ambulantes que aproveitavam o dia para impulsionar as vendas. 

“A gente acabou deixando para agora por causa da correria, mas a mãe dele mora aqui do lado. Se não tivesse aberto, a gente não ia conseguir comprar nada hoje”, admite Jucélia. Mais novo de três irmãos, Miguel estava comemorando. “Só quem ganha presente lá em casa sou eu. Meus irmãos já são mais velhos”. 

Na mesma loja, o cabo de turma Joabe Gonçalves e o segurança Genivaldo Silva, 33, tentavam se ajudar a encontrar presentes para os respectivos afilhados. Moradores de Pernambués, acabaram deixando para a última hora também por falta de tempo durante a semana. Acabaram recorrendo à Avenida Sete depois que viram que os shoppings estariam fechados. 

Genivaldo estava tentando encontrar presentes para os afilhados (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

“A gente não esperava achar algo aberto, mas viemos tentar, de qualquer forma”, contou Genivaldo. Joabe procurava uma máscara e um boneco do Capitão Américo para um dos afilhados. Pretendia gastar, no máximo, R$ 50 por presente. “Até agora, só achei do Homem de Ferro, mas ele só quer do Capitão América. Devem estar ansiosos já, mas, como tem aula, acredito que acordaram um pouco mais tarde”, disse. 

Nessa primeira loja, a RV Utilidades, um dos funcionários disse que não sabia o motivo de a loja estar aberta, após a decisão do TRT5. Sem querer conversar com a reportagem, disse que o proprietário não estava no local. 

Lojas em família
A poucos metros dali, no Mundo das Utilidades, quem estava trabalhando eram os membros da família proprietária. A estudante Sabrina da Silva, 17, que atendia no caixa da loja, admitiu que esperava um movimento maior. “Decidimos abrir para ver se vendia o resto dos brinquedos que ficaram aí”. 

A doméstica Ana Cristina Santos, 47, e o autônomo Hamilton Júnior, 43, tinham recorrido ao estabelecimento na tentativa de encontrar presentes para os quatro netos dela. “A correria não deixou vir antes. A gente decidiu vir na sorte mesmo, até porque sempre tem alguma loja aberta funcionando”, explicou Hamilton. Moradora de Cosme de Farias, Ana Cristina tinha recebido até alguns pedidos. “A de um ano e pouquinho pediu uma boneca que fala”, revelou, aos risos. 

O técnico em enfermagem Eric França, 32, até tentou garantir o presente da pequena Maria Heloísa, 4, no dia anterior. O problema foi que os shoppings estavam lotados. Mesmo assim, foi com a pequena no Shopping Center Lapa. Embora a maioria das lojas estivesse fechada, ele conseguiu encontrar o presente nas Lojas Americanas do centro de compras. 

Maria Heloísa ganhou, do pai, a Baby Alive que tanto queria (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

Assim, ainda nas primeiras horas da manhã, a pequena garantiu uma boneca Baby Alive – uma das mais pedidas pelas meninas. “Já estava pedindo fazia tempo”, contou a menina, feliz com o presente. “Não ia deixar de comprar o presente dela”, garantiu o pai.

Outras alternativas
Entre os vendedores ambulantes, muitos aproveitavam para tentar atrair um público que ficou sem alternativa, com o fechamento das lojas. Foi o caso do técnico de conserto de celulares Rosevaldo Torres, 46, que, ao longo do ano, sequer vende brinquedos – vende justamente celulares. No entanto, há um mês, começou a vender bonecas – uma versão parecida com a Barbie – e bonecos, pensando no Dia das Crianças. 

“Eu estava vendendo no atacado, para os ambulantes. Vendemos bem, mas sobraram algumas. Por isso, decidi vir vender aqui o que sobrou. Hoje, é a primeira vez que venho para cá. Nem sabia que não ia encontrar o shopping aberto. Logo cedo, foi pouco movimento, agora que está melhorado”, disse ele, no fim da manhã. Cada boneca custava R$ 15. 

Quem recorreu aos ambulantes foi a vendedora Rosenilda Marinho, 52, acompanhada de um dos netos, o pequeno Eike, 3. Com quatro netos para presentear, ela não queria gastar mais do que R$ 20 por mimo. O problema foi que Eike se apaixonou por um carrinho de polícia que, já com um desconto, ficava um pouco mais caro. 

No fim, Eike ganhou o carrinho que tanto queria (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

“Normalmente, eu compro o de todos antes, mas, dessa vez, estava esperando receber o dinheiro de uma venda que fiz. Como a cliente pagou ontem, consegui vir comprar hoje”, contou. No fim, ela acabou decidindo levar o carrinho de polícia. “Um dos netos é um bebê de um mês. Ele não pediu nada específico”, brinco. 

O vendedor ambulante João Barbosa, 53, tem uma barraquinha de brinquedos há 10 anos na Avenida Joana Angélica. Das 8h às 10h da manhã desta sexta-feira, ele tinha vendido cerca de 20, mas esperava mais. “O fechamento das lojas acaba atrapalhando também. O pessoal não compra nas lojas, mas isso diminui o movimento de gente na rua”, explica. 

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