Como seu filho pode ajudar a economizar na compra do material escolar

salvador
25.01.2019, 05:00:00
(Marina Silva/CORREIO)

Como seu filho pode ajudar a economizar na compra do material escolar

Especialistas explicam importância de falar sobre valor do dinheiro com crianças

A fisioterapeuta Maria Calheira, 40 anos, conseguiu economizar 50% na compra do material escolar dos filhos este ano. Praticamente um milagre, que só foi alcançado após negociação com os vendedores e, principalmente, com suas duas crianças. Sim, levar os estudantes na hora do compra não só pode ajudar a reduzir os custos, como é o momento ideal para ensinar aos pequenos o valor do dinheiro.

Para dar uma mãozinha na hora da compra, o CORREIO percorreu diversas lojas da cidade e fez um garimpo de opções de material escolar para todos os gostos. Confira no Achados de Perla.

A psicanalista Shirley Moraes explicou que é importante negociar com os filhos e que esse conhecimento deve ser iniciado ainda nos primeiros anos. Segundo ela, além da economia financeira, esse hábito ensina a criança a fazer escolhas, analisar situações e ser mais consciente.

Shirley Moraes fala sobre importância de incluir a criança no processo de compra (Foto: Divulgação)

“É mais fácil não levar os filhos para comprar o material, porque é mais rápido, menos desgastante e você não precisa dizer ‘não’. Simplesmente isola a criança desse momento", analisa ela, que enxerga um lado negativo nisso.

"Agindo assim, é tirada da criança a possibilidade de aprender a negociar e de lidar com a frustração”, afirmou.

Ana Beatriz, 11, é filha de Maria Calheira e participou do processo de compra do seu material escolar. Segundo a mãe da menina, o objetivo foi fazer a filha entender quanto custa cada produto e o peso que eles têm no orçamento. A estratégia deu certo.

“Conversamos em casa, vimos o que seria necessário comprar e fomos até a loja. O principal ponto de negociação foi um caderno que custava R$ 50. Temos que comprar três, então eu expliquei para ela que esse valor estava muito alto. Trocamos por outro de R$ 16 e usamos o dinheiro que sobrou para comprar outros produtos”, contou.

As canetas e utensílios que estavam fora da lista da escola foram descontados da mesada da menina. Com o caçula, o sistema foi similar. “Ele queria uma mochila nova, mas eu reformei ela no ano passado. Está ótima. Conversamos e ele entendeu que não havia necessidade de ter essa despesa. Vamos usar o dinheiro em outra coisa”, disse.

Dizer não
Na prática, nem sempre é tão fácil assim dizer não. As prateleiras coloridas das papelarias são encantadoras para as crianças e muitas querem o caderno mais famoso, a mochila mais bonita e os estojos da moda, mesmo que isso custe caro aos pais. Segundo os especialistas, é aí que mora o perigo, já que muitos adultos não sabem dizer ‘não'.   

“O erro mais comum que vejo no consultório são pais manipulados pelos filhos. Saber dizer ‘não’ é fundamental. Sempre tem que ter o diálogo, e nesse diálogo haverá frustrações, momentos em que você não dará o que ele quer. Isso é normal, faz parte do desenvolvimento do ser humano”, afirmou Shirley.

Para a psicanalista a compra dos materiais escolares é o momento de pais e filhos fazerem esse exercício.

“Isso é importante para que ele chegue lá na frente e consiga ouvir um ‘não’ quando o limite do cartão de crédito acabar, quando o chefe não concordar com ele ou ocorrer uma discordância de opinião”, afirmou Shirley.

Na casa da consultora de moda e imagem Kika Maia, 41, a pequena Nicolle, 9, até que tenta, mas a mãe garante que a última palavra é dela. Ela acredita que ensinar aos filhos a economizar é uma forma de torná-los mais conscientes.

“Esse ano não vamos comprar lápis de cor, nem hidrocor. Ela vai usar o que sobrou do ano passado. Às vezes, a gente compra um caderno mais caro para agradar, mas apenas se for funcional. Se o caderno não serve e ela quer apenas porque é bonito ou porque está na moda, esquece. A gente não vai levar”, afirmou.

Planejamento
A conversa é o principal recurso usado também pelo aposentado Roque Santana, 51, na hora de comprar material escolar, roupas e calçados para a filha, Letícia, 12. Em todos os anos ele vai com a garota até a Avenida Joana Angélica, no Centro, para escolher cadernos, livros e canetas.

Aposentado Roque Santana já garantiu o  material escolar da filha (Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO)

“Ela sempre foi muito consciente, mas não foi por acaso. A gente sempre conversou sobre isso em casa, desde que ela era pequena. Tentamos comprar o que ela quer, mas dentro do limite que podemos pagar”, contou, enquanto escolhia os produtos.

Roque contou que fez um planejamento antes de sair de casa, com a lista de materiais e o máximo que pode gastar. Depois, foi só bater perna indo de loja em loja para descobrir onde encontrar os melhores preços.

“Sempre compramos tudo que ela precisa. Este ano não sobrou muita coisa do ano anterior, só deu para aproveitar a mochila e o fardamento, mas tudo que pegamos estava dentro do limite que a gente podia gastar”, contou.   

Para o educador financeiro Antônio Guerreiro, essa consciência é uma regra básica para não entrar no vermelho. Ele frisou que, além de ensinar a criança a ouvir ‘não’, os pais precisam focar na funcionalidade dos produtos e criar o hábito de pesquisar os preços antes de usar o cartão de crédito.

“Os pais não podem se deixar levar pelas vontades dos filhos. Precisam buscar a funcionalidade dos produtos. Qual a função de uma caneta? Escrever. Então, não se deixe levar por aquela que tem esse ou aquele desenho e custa muito mais caro. A função é a mesma”, afirmou.

Ele também defende que o valor da economia seja ensinado aos pequenos e que eles sejam levados a refletir sobre isso no ato da compra.

“Tem que mostrar para eles as vantagens de economizar, que o dinheiro economizado poderá ser usado depois, na compra de um brinquedo, em uma viagem”, disse.

O educador financeiro sugeriu também que os pais adotem algumas estratégias para gastar menos. Uma delas é formar um grupo entre si e apresentar a lista de materiais escolares diretamente ao gerente da loja. Segundo ele, dessa forma é mais fácil conseguir descontos maiores. Além disso, pagar à vista é sempre o melhor negócio. 

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