Coronavírus: estudantes acreditam que suspensão das aulas é necessária

salvador
19.03.2020, 05:00:00
(Divulgação)

Coronavírus: estudantes acreditam que suspensão das aulas é necessária

De acordo com o secretário da Educação do Estado, Bahia possui cerca de 3,5 milhões de estudantes

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Todas as escolas estaduais e privadas da Bahia devem suspender suas aulas pelos próximos 30 dias, determinou o governador do Estado Rui Costa. A medida de prevenção ao novo coronavírus (Covid-19) passa a valer nesta quinta-feira (19). Pais e estudantes acreditam que a ação é necessária, apesar das consequências para os alunos.

Apenas na rede estadual de ensino, estão matriculados 750 mil estudantes. De acordo com o secretário da Educação do Estado, Jerônimo Rodrigues, a Bahia possui cerca de 3,5 milhões de alunos em escolas particulares e públicas.

Mãe de Leonardo, 6 anos, e Letícia, 3, a moradora de Feira de Santana Bruna Machado, 36, acredita que a decisão de se fechar as escolas é positiva e tem papel fundamental na contenção do novo coronavírus (Covid-19). “É importante porque muitas crianças ficam juntas na escola e assim elas podem pegar a doença e trazer para casa. Estando em casa, é possível proteger mais os filhos contra o vírus”, disse.

No Colégio Santo Antônio, onde Leonardo e Letícia estudam, as aulas foram suspensas por 15 dias a partir da última segunda-feira (16). Com o decreto do governador, a suspensão deve ser prorrogada por, pelo menos, outros 15 dias.

As crianças e os adolescentes possuem baixo risco de terem complicações caso adquiram a doença, mas poder ser os responsáveis por levar o vírus para dentro de casa. “Essa faixa etária tem a maior probabilidade de possuir poucos sintomas ou ser assintomático. Mesmo sem o risco de complicações, crianças que são infectadas na escola podem transmitir a doença dentro de casa para pessoas no grupo de risco”, explicou a infectologista Melissa Falcão.

Aluno do segundo ano do colégio Salesiano Dom Bosco, João Pedro Forte Teixeira, 16, vai ficar sem aulas por, pelo menos, um mês. Enquanto está em casa, ele busca aliar os estudos ao lazer. “Estou buscando estabelecer uma nova rotina com coisas que eu normalmente não faria em período de aula. A escola ainda não mandou atividades, mas eu estou buscando adiantar os assuntos através de videoaulas”, disse o jovem, que acredita que a medida é necessária.

Diferente do Salesiano Dom Bosco, alguns professores do Colégio Oficina, onde estuda Caio Valadão, 17, gravaram vídeo-aulas e fazem lives com os alunos para dar continuidade aos conteúdos. “O oficina é parceiro do Poliedro que é uma plataforma de ensino que tem video aula e módulo online. Podemos usar essas ferramentas para continuar estudando”, contou.

O jovem se preocupa com a quantidade de aulas que deverão ser repostas ao fim da suspensão, por isso, está revisando os conteúdos mais difíceis para se sair melhor no resto do ano letivo. “Em ano de vestibular, me preocupo com as aulas perdidas. Se colocaram muita aula extra, isso também pode prejudicar o nosso tempo de estudo em casa e descanso”, disse.

Em nota, o Sindicato Dos Estabelecimentos De Ensino Particulares Do Estado Da Bahia (Sinepe-ba) recomenda que as instituições de ensino desenvolvam atividades pedagógicas não presenciais durante período de suspensão das aulas. Ainda de acordo com o sindicato, os professores devem trabalhar de casa para desenvolver as atividades dos planos de aula. Neste caso, cabe à escola fiscalizar o cumprimento da solicitação.

O Sinepe-ba também recomenda que os funcionários do setor administrativo exerçam suas funções de forma remota. Se não for possível realizar o trabalho de casa, a indicação é fazer o revezamento dos funcionários na escola para evitar aglomerações. Os trabalhadores devem manter a distância de um metro entre as pessoas. 

Os funcionários que fazem parte do grupo de risco devem ser afastados temporariamente do ambiente de trabalho e a Instituição de Ensino deve restringir o atendimento externo.

Durante vídeo ao vivo para responder perguntas dos prefeitos da Bahia, o secretário da Educação do Estado afirmou que a pasta prepara um material de atividades domiciliares para os estudantes da rede estadual afetados pelo decreto. De acordo com o gestor, as atividades devem ser aproveitadas quando as aulas forem retomadas. “Também vai haver um diálogo com as redes privada e municipal de ensino”, destacou.

Com as escolas fechadas, o município de Feira de Santana tem um esvaziamento do transporte público. De acordo com o prefeito Colbert Martins, a prefeitura estuda reduzir o número de veículos que rodam pela cidade. “Vamos discutir a redução com os empresários de ônibus amanhã. Mas não podemos reduzir muito porque o transporte clandestino pode captar esta demanda”, disse.

*Com orientação da subeditora Clarissa Pacheco

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