Depois de enchentes, festas ocorrem em cidades do Sul da Bahia

bahia
02.01.2022, 20:40:00
Festas ocorreram em algumas cidades e distritos do sul (Divulgação/Festival Mil Sorrisos)

Depois de enchentes, festas ocorrem em cidades do Sul da Bahia

Prado e Caraíva estão lotadas; também houve celebrações canceladas, em solidariedade às vítimas das enchentes

As estradas estavam cobertas por lama, outras destruídas, mas os turistas chegaram. Com o Vale dos Búfalos submerso pela cheia dos rios Buranhém e dos Frades, bastou desviar a rota por Eunápolis para chegar a Caraíva, distrito de Porto Seguro. As duas cidades estão entre as 153 em emergência depois das enchentes entre o sul e o sudoeste da Bahia. Nas regiões mais turísticas dos locais atingidos, e onde era possível, festas de Réveillon e pós-virada de pequeno ou grande porte ocorreram. 

As festas começaram logo após o Natal. Coube aos municípios definir as regras. Em Porto Seguro, por exemplo, a Secretaria municipal de Turismo informou, por meio da assessoria de comunicação, que os eventos não foram cancelados, pois não houve grandes perdas e a situação das estradas não impediu a passagem de turistas. 

A cantora Luedji Luna desistiu de participar de uma das festas, a Viva Caraíva, em solidariedade às vítimas das enchentes. O número de desabrigados na Bahia passa de 90 mil e o de afetados pelas enchentes, 620 mil. 

Sem Luedji, o evento ocorreu entre os dias 27 de dezembro e domingo (2), com participação da cantora Duda Beat. A virada do ano teve show de Elba Ramalho. Outros eventos ocorreram com participação de artistas como o cantor Silva, e ainda estão agendados para esta semana.

“O acesso, sem o Vale dos Búfalos, fica mais complicado. Mas o turismo chegou e a vila está bastante cheia, com os eventos acontecendo”, conta Agrício Ribeiro, dono de uma pousada em Caraíva.

Mais ao Sul da Bahia está a cidade de Prado, município com 28 mil habitantes e paisagens paradisíacas. No município, duas pessoas morreram depois das enchentes. As festas públicas previstas para os dias 30, 31 e 1º de janeiro, na Praça de Eventos, foram canceladas pela prefeitura.

Já as festas privadas ocorreram em pousadas, praias e restaurantes, em Cumuruxatiba, Corumbau e Barra do Cahy. Pela proximidade com o sudeste brasileiro, há turistas que chegam de carro.

A cidade está “lotada”, conta a secretária de Cultura e Turismo do município, Iracema Ribeiro, e o clima é de “reconstrução e solidariedade”. "Acho que é hora de realmente levantar a cabeça e correr atrás", diz ela.

Não houve cancelamento de festas privadas e a rede hoteleira e as casas de aluguel estão 100% ocupadas, ainda segundo a secretária. Antes de partir de carro com a família para Prado, a administradora mineira Claudia Rocha, 43, pensou em desistir da viagem.

“Procuramos saber de quem veio primeiro como estavam as estradas. Quando tivemos certeza que estava tranquilo, viemos”, conta ela, moradora de Minas Gerais. 

Em Itacaré, onde também choveu, mas as devastações não incluíram a cidade na lista das que vivem em situação de calamidade, as festas aconteceram e reuniram parte do público que passaria o Réveillon em outras regiões baianas. "Por aqui está tudo normal com os eventos. Nada cancelado", diz a produtora Kiara Lopes, que trabalha em festas realizadas na região. 

Festas canceladas

Depois das enchentes que afundaram partes de Ilhéus, houve produtores que cancelaram os eventos marcados para os últimos dias do ano. Na orla, no entanto, barracas de praia foram alugadas para festas privadas.

Numa rede de hospedaria que possui hotel e serviços de aluguel de apartamentos, houve festa na virada de ano. 

“A gente sente por isso, porque de certa forma os produtores esperaram o ano todo por isso. Mas os turistas vieram, apesar de toda a tragédia”, contou Claudio Magalhães, morador de Ilhéus, liderança indígena e vereador no município. 

Um dos eventos cancelados foi o Réveillon do Boca do Mar. A produção informou que cancelou a festa porque “não é momento de celebrar, pelos últimos acontecimentos na região, que provocou tristeza e destruição para várias famílias” e que “não há motivo para celebrar com alegria, é tempo de empatia”.

Os clientes que compraram ingressos puderam pedir ressarcimento do valor pago. Em outros bares, como Mar Aberto Music, as festas começaram dia 30 e terminaram no último domingo. A reportagem tentou contato com o bar, para entender se houve mudanças na programação, mas não obteve retorno.

Em Itabuna, onde 40% da população foi atingida pelas enchentes, não havia motivo para comemorar, de acordo com a prefeitura. Toda a programação prevista para os últimos dias foi, portanto, cancelada. A família do estudante Everton Oliveira, 16, passou o Réveillon e as festas de fim de ano em casa.

A avó dele foi uma das moradores de Itabuna que tiveram a casa destruída pela enchente. "Nas ruas, acabou não tendo nada, pois a maioria dos bairros foi atingido", contou ele. 

Longe dos olhos do turismo, Guaratinga não pôde sediar nenhuma festa ao longo da semana. A prefeitura emitiu um decreto que proibiu qualquer evento. O decreto foi fundamentado, segundo o secretário municipal de Meio Ambiente Juvenil Dias, no surto de síndrome gripal e covid-19 e pelas perdas provocadas pelas enchentes.

Lá, 600 pessoas ficaram desabrigadas e 60 casas desabaram. A fiscalização não flagrou nenhum evento irregular. Os encontros permitidos incluíam apenas amigos e familiares. 

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas