Disputa do tráfico e migração de bandidos elevam violência em Brotas

salvador
15.05.2013, 08:23:00
Atualizado: 15.05.2013, 08:47:30

Disputa do tráfico e migração de bandidos elevam violência em Brotas

A disputa por pontos de tráfico em Brotas fez o bairro amargar o primeiro lugar da tabela de crescimento de crimes letais, entre janeiro e abril deste ano

Bruno Wendel
bruno.cardoso@redebahia.com.br

Um agrupamento de morros com rotas para as avenidas Bonocô, Vasco da Gama, Juracy Magalhães, ACM e o Dique do Tororó   e as disputas de quadrilhas pelo controle do tráfico compõem o cenário de Brotas, região que registrou maior  crescimento de violência este ano, com 84% a mais de crimes letais do que no ano passado.



Segundo dados divulgados pela Secretaria da Segurança Pública (SSP), no comparativo dos quatro primeiros meses de 2012 para 2013, na Área Integrada de Segurança Pública de Brotas (Aisp 6) foram registrados 35 crimes violentos letais e intencionais (CVLIs), contra 19 no ano passado. Os CVLIs são homicídio, lesão corporal seguida de morte e latrocínio (roubo seguido de morte).
 
“Isso decorre de uma instabilidade do tráfico. Com a prisão de líderes, outros traficantes passam a disputar o controle dos pontos de venda”, explicou ontem o secretário da Segurança Pública, Maurício Barbosa, que de manhã participou da abertura do VIII Encontro do Sistema Nacional de Repressão a Drogas em Salvador, organizado pela Polícia Federal.

Disputas
A delegada Maria Sá Dail Barreto, titular da 6ª Delegacia (Galés), explica que atualmente a região da Aisp de  Brotas  (Campinas de Brotas, Acupe de Brotas, Engenho Velho de Brotas, Cosme de Farias, Luís Anselmo, Candeal, Matatu de Brotas, Horto Florestal e Vila Laura) vive uma intensa disputa por pontos de drogas. Segundo ela, com a prisão de líderes, no ano passado, os remanescentes tentam se estabelecer na liderança, como é o caso do grupo de um rapaz de prenome Felipe, que liderava o tráfico no Alto do Saldanha e foi preso há cerca  de uma semana por agentes da unidade.

Com a ausência do líder, seus seguidores, Galego e Tico, tentam tomar de Ricardo os pontos de venda na rua principal da Polêmica, onde ele atua. 

Na Baixa do Tubo, em Cosme de Farias, o grupo liderado por outro rapaz de prenome Felipe duela com Robson, da localidade do Brongo. Felipe teve ascensão no grupo com a prisão de Olho de Gato, no ano passado.

O maior bonde é do grupo de Ricardo Cabeção, que detém o controle de duas áreas do Engenho Velho de Brotas: Manguinhos e Bariri. O bando é formado por vários integrantes, mas alguns se destacam, como Ademir, Se Bulindo, Osmar, Luan, Tábuaê, Fábio Dentão. A quadrilha tenta tomar o Brongo.

“Todos eles são perigosos. Alguns já foram presos, mas logo são soltos. Como a lei diz que existe um prazo para que o acusado seja julgado, o advogado alega excesso de prazo e o juiz libera para o acusado responder em liberdade. Então, ele volta a cometer os mesmos crimes”, analisa a delegada.

Geografia
Dail disse ainda que a topografia da região também favorece para o aumento nas estatísticas. “Brotas é corredor entre avenidas de importante acesso da cidade. Qualquer rua, beco ou viela é rota de fuga para a bandidagem local”, disse a delegada. “Brotas é uma região com muitas residências, estabelecimentos comerciais, carros, muitos imóveis sendo construídos, tudo isso chama a atenção dos bandidos. Temos informações que bandidos do Uruguai estão vindo pra cá por causa desses atributos e das rotas de fuga”, complementa.

A  delegada disse ainda que ações de combate à criminalidade estão sendo desenvolvidas pela unidade. “Em 2012 foram 38 prisões, contra 76 em 2013, entre os meses de janeiro e abril. Houve uma redução nas tentativas de homicídios referente ao mesmo período: 18 em 2012 e 15 em 2013”.

Migração
O secretário Mauricio Barbosa também destacou a migração de traficantes após a instalação de Bases Comunitárias de Segurança.  “A tendência do crime é migrar. Cabe à polícia fazer sua readequação. Boa parte dessas bases foi instalada em locais onde o tráfico era forte. Hoje, houve uma redução significativa nessas localidades”, declara.

O major Lindemberg Serrão, comandante da 26ª CIPM (Brotas), reforçou a questão da migração como fundamental para  o aumento da criminalidade na região.

Ele cita como exemplo dois homens e uma mulher que foram executados na região em fevereiro deste ano. As vítimas fuziladas, segundo ele,  eram do Nordeste de Amaralina e tinham alugado uma casa no Buraco da Gia, no Acupe de Brotas.

Apesar do aumento nas Aips de Brotas, Nordeste de Amaralina e Periperi, no contexto geral, levando em consideração a outras áreas, houve uma redução de 13,2% no índice de CVLIs de janeiro a abril com relação ao primeiro quadrimestre de 2012: foram 537 crimes letais este ano contra 619 no ano passado.

Bairros que reduziram crimes destacam integração de polícias
Nos dados informados pela SSP sobre o primeiro quadrimeste de 2012 e 2013, duas Aips se destaram pela redução nos índices de CVLIs. A primeira, a Aisp 6 (Boca do Rio, que inclui também Costa Azul, Stiep, Pituaçu, Jardim Armação e Imbuí). Foram 31 casos de crimes letais de janeiro a abril no ano passado. Este ano, no mesmo período, foram registrados 13 - uma redução de pouco mais de 58%.

O major Jarbas Carvalho, da 39ª CIPM (Imbuí/Boca do Rio) aponta o trabalho conjunto das polícias como principal motivo da redução: “A interação entre a 39ª CIPM e a 9ª Delegacia Territorial (Boca do Rio) fez a diferença. Houve uma comunicação mais próxima, troca de informações e de experiências”, afirma o major.

Segundo ele, outros fatores também contribuíram. “O contato com órgãos municipais para a melhoria da iluminação pública, a limpeza de áreas, podagem de árvores, por exemplo, ajudam na questão da segurança pública”, completa. Ela destaca ainda o empenho da tropa, que “vem trabalhando com o conceito de polícia comunitária”, declara, apesar de o bairro não contar com Base Comunitária.

De acordo com o major, no Imbuí será criado um conselho comunitário. “A ideia é ficar mais próximo da comunidade. Vamos expandir também para bairros como Stiep e Boca do Rio”. O reforço policial da Polícia Militar é mais um fator de melhoria na segurança pública na região da Aisp 9. Na Aisp 10, a de Pau da Lima (que inclui também bairros como São Marcos, São Rafael, Castelo Branco e Sete de Abril), a redução foi de 46%.

Os  crimes violentos de 2012 somam 73 entre os meses de janeiro e abril. No mesmo período este ano foram 39 crimes. O delegado Carlos Habib, titular da 10ª DP (Pau da Lima), também atribui o resultado à parceria entre as polícias Civil e Militar. “Atribuo a melhoria  à qualidade do policiamento ostensivo da 47º CIPM (Pau da Lima) e 50º CIPM (Sete de Abril) juntamente com o aumento dos número de  procedimentos formalizados” declara o delegado.

Segundo ele, na região de Pau da Lima, os bandidos mais procurados são Pelezinho, da Creche de Castelo  Branco, Raí, do Coroado, e Dieguinho, da Estrada Velha do Aeroporto.

Mesmo com três Bases, Nordeste teve mais mortes
A região da Aisp 15 (Nordeste de Amaralina) foi a vice-líder em aumento no índice de CVLIs. Formada pelos bairros de Nordeste de Amaralina, Santa Cruz, Vale das Pedrinhas, Chapada do Rio Vermelho e Amaralina, a Aisp 15 registrou 9 crimes letais em 2012 contra 13 este ano, comparação realizada entre os meses de janeiro e abril. Um acréscimo de 44% numa região onde existem uma companhia da Polícia Militar (40ª CIPM) e três Bases Comunitárias de Segurança.

Procurado, o comandante da 40ª CIPM e responsável pelas Bases Comunitárias do Nordeste de Amaralina, major Marcelo Barbosa, disse que se pronunciaria através do Departamento de Comunicação, que enviou nota: “A PM reconhece o aumento no número de homicídios neste período (quatro a mais) e entende que o processo é contínuo e compreende a conjunção de ações de natureza policial e social para a construção de novos valores e desconstrução de outros historicamente constituídos nessas comunidades”, diz o comunicado.

Ainda segundo a nota, a 40ª CIPM, de janeiro a maio de 2013, realizou 24.010 abordagens a pessoas, 349 em estabelecimentos comerciais, 11.747 a veículos (carros e motos), que resultaram em 69 pessoas conduzidas, 16 prisões em flagrante, 6 adolescentes apreendidos, 9  armas de fogo e 16 armas brancas apreendidas, além de 6  veículos recuperados. 

A corporação diz ainda que, apesar do aumento no primeiro quadrimestre deste ano, destaca que desde a instalação das bases, há 1 ano e 8 meses, já se alcançou a redução de 50% no número de homicídios no Nordeste de Amaralina.



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