Dois senadores baianos têm celulares clonados

bahia
03.08.2021, 08:31:00
Atualizado: 03.08.2021, 08:31:41
(Foto: Montagem/CORREIO)

Dois senadores baianos têm celulares clonados

Políticos alertam que contatos suspeitem de mensagens enviadas pelos contatos deles

Os crimes cibernéticos continuam fazendo cada vez mais vítimas. Dessa vez, os alvos foram os senadores baianos Otto Alencar e Ângelo Coronel, ambos do (PSD-BA). Os dois tiveram os celulares clonados na última segunda-feira (2). Em nota, os políticos informaram que foram alvos do golpe e alertam aos contatos que suspeitem de qualquer mensagem recebida que tenha sido enviadas pelos números de celular até então usados por eles.

"Pedimos aos que estão na lista de contato do senador, que suspeitem de qualquer mensagem recebida. As devidas providências já estão sendo tomadas e as autoridades policiais farão a investigação do caso", informa a nota enviada pela comunicação do senador Otto Alencar. Já a comunicação de Ângelo Coronel alerta que todos que estão na lista de contatos do senador devam desconsidar qualquer mensagem recebida. "Todas as providências já estão sendo tomadas para que se investigue o caso".

Na semana passada, o CORREIO mostrou que os prefeitos baianos eram os novos alvos dos cibercriminosos. Só no mês de julho, entre os dias 19 e 26, ao menos seis prefeitos e um vereador tiveram os nomes e fotos utilizados por bandidos para aplicar golpes ou as contas do WhatsApp clonadas. Aproveitando da influência que eles têm em suas cidades, os golpistas tentam se passar pelos políticos para conseguir extorquir dinheiro de comerciantes e populares.

Relembre outros políticos baianos que já foram vítimas de crimes digitais:  
Raissa Soares, secretária da Saúde de Porto Seguro: No dia 17 de maio de 2021, a gestora disse nas redes sociais ter recebido uma ligação de um número com o DDD 61, da macrorregião de Brasília, dentro do Distrito Federal, que dizia ser uma pesquisa do Ministério da Saúde sobre a Covid-19. "Eu respondi umas cinco perguntas. [Quando] terminou a pesquisa, a pessoa fala assim para mim: 'Para confirmar esta pesquisa, confirme que você recebeu um código'", disse a médica. No entanto, o código solicitado fez com que o aplicativo de mensagens da secretária fosse clonado. 

Márcio Marinho (Republicanos), deputado federal e Lucio Vieira Lima, ex-deputado federal: No dia 28 de maio de 2020, Lúcio Vieira Lima sofreu uma tentativa de golpe no WhatsApp por uma pessoa que clonou o WhatsApp de Márcio Marinho. Na conversa, o homem pedia um favor ao ex-deputado que, desconfiado, pediu para ele ligasse. O homem respondeu: "Falou em favores e a conversa já fica estreita". A conversa termina com a reposta de Lúcio: "Falou em falar para ouvir sua voz e já não quer mais o favor". Marcio Marinho confirmou depois que o número dele foi clonado e cancelou a linha.  

Rui Costa (PT), governador: No dia 25 de março de 2021, o governador fez uma postagem nas redes sociais denunciando que alguém está se passando por ele no WhatsApp para aplicar golpes. "Atenção: estão praticando um golpe com meu nome, usando uma foto minha no Zap em um número que não é meu. Já denunciei à polícia, que vai investigar o caso. Tenho convicção que a autoria será identificada. Nos últimos dias, tenho sido vítima de várias calúnias e fakes news. Por que será?", escreveu o governador. Ele não explicou como funciona o golpe que estava sendo aplicado. 

Félix Mendonça Júnior (PDT), deputado federal: No dia 23 de julho, o parlamentar denunciou que estão usando o nome dele para aplicar golpes na internet. Por meio do telefone com DDD 71 e final 2527, criminosos estão ligando para pessoas conhecidas do deputado e convidando para um jantar. "Esse é um novo golpe na praça. Você recebe uma ligação em nome de um amigo ou autoridade pública convidando para um evento. Depois, recebe um código, que deve ser enviado via WhatsApp. O objetivo é justamente hackear o WhatsApp desses contatos", afirmou Félix. "Peço que as pessoas que me conhecem alertem toda vez que receberem a mensagem. Não estou organizando nenhum jantar. Já estou adotando as medidas policiais e judiciais cabíveis para encontrar e punir esses criminosos", acrescentou.

Confira alguns dos principais golpes aplicados atualmente: 

1 - Golpe da clonagem do Whatsapp: Entre os meios usados pelos bandidos está o Whatsapp. Os criminosos enviam uma mensagem pelo aplicativo fingindo ser de empresas em que a vítima tem cadastro. Eles solicitam o código de segurança, que já foi enviado por SMS pelo aplicativo, afirmando se tratar de uma atualização, manutenção ou confirmação de cadastro. 
Com o código, os bandidos conseguem replicar a conta de WhatsApp em outro celular. A partir daí, os criminosos enviam mensagens para os contatos da pessoa, fazendo-se passar por ela, pedindo dinheiro emprestado por transferência via Pix. 
Uma medida simples para evitar que o WhatsApp seja clonado é habilitar, no aplicativo, a opção “Verificação em duas etapas” (Configurações/Ajustes > Conta > Verificação em duas etapas). Desta forma, é possível cadastrar uma senha que será solicitada periodicamente pelo app. Essa senha não deve ser enviada para outras pessoas ou digitadas em links recebidos. 

2 - Golpe de engenharia social com Whatsapp: Em outra fraude que usa o Whatsapp, o criminoso escolhe uma vítima, pega sua foto em redes sociais, e, de alguma forma, consegue descobrir números de celulares de contatos da pessoa. Com um novo número de celular, manda mensagem para amigos e familiares da vítima, alegando que teve de trocar de número devido a algum problema, como, por exemplo, um assalto. A partir daí, pede uma transferência via Pix, dizendo estar em alguma situação de emergência. 
Nesta fraude, o bandido nem precisa clonar o whatsapp da pessoa, e usa a estratégia de pegar dados pessoais da vítima e de seus contatos. A FEBRABAN alerta que é preciso ter muito cuidado com a exposição de dados em redes sociais, como, por exemplo, em sorteios e promoções que pedem o número de telefone do usuário. 
Ao receber uma mensagem de algum contato com um número novo, é preciso certificar-se que a pessoa realmente mudou seu número de telefone. O cliente sempre deve suspeitar quando recebe uma mensagem de algum contato que solicita dinheiro de forma urgente. Não faça o Pix ou qualquer tipo de transferência até falar com a pessoa que está solicitando o dinheiro. 

3 - Golpe do falso funcionário de banco e das falsas centrais telefônicas: Outros golpes praticados são os do falso funcionário e falsas centrais telefônica de instituições financeiras. O fraudador entra em contato com a vítima se passando por um falso funcionário do banco ou empresa com a qual o cliente tem um relacionamento ativo. O criminoso oferece ajuda para que o cliente cadastre a chave Pix, ou ainda diz que o usuário precisa fazer um teste com o sistema de pagamentos instantâneos para regularizar seu cadastro, e o induz a fazer uma transferência bancária. 
É importante ressaltar que os dados pessoais do cliente jamais são solicitados ativamente pelas instituições financeiras, tampouco funcionários de bancos ligam para clientes para fazer testes com o Pix. Na dúvida, sempre procure seu banco para obter esclarecimentos. 

4 - Golpe do bug do Pix: Outra ação criminosa que está sendo praticada por quadrilhas e que envolvem o Pix é o golpe do “bug” (falha que ocorre ao executar algum sistema eletrônico). Mensagens e vídeos disseminados pelas redes sociais por bandidos afirmam que, graças a um “bug” no Pix, é possível ganhar o dobro do valor que foi transferido para chaves aleatórias. Entretanto, ao fazer este  processo, o cliente está enviando dinheiro para golpistas. 

5 – Golpe dos perfis falsos em redes sociais: Contas fakes de restaurantes, hotéis e pousadas são feitas e oferecem promoções ou reservas em que a vítima precisa transferir algum valor com antecedência.  

6 - Golpe do boleto falso: Os criminosos fazem boletos muito parecidos com o da empresa que a vítima é cliente. Eles enviam esse documento por e-mail, às vezes de forma aleatória, na esperança de que alguém ache que o boleto é verdadeiro e faça o pagamento.    

7 - Golpe nos aplicativos de namoro: Pessoas criam contas, algumas vezes falsas, e entram em contato com outros usuários. Eles mantêm um contato íntimo via redes sociais, às vezes com o envio de fotos íntimas, que depois são usadas para extorsão. Há também os casos em que a vítima é induzida a transferir dinheiro para o golpista na esperança de encontrá-lo pessoalmente.   

8 - Golpe do consórcio/imóvel barato: Os golpistas criam falsos anúncios de venda de imóveis em aplicativos ou redes socais. Com o preço barato, eles atraem os clientes a entrarem num consórcio e não a comprar o imóvel indicado na propaganda.    

9 - Golpe na venda de produtos pela internet: O vendedor anuncia um produto, geralmente eletrônico ou de rápida saída, e encontra um suposto interessado, que envia um e-mail para o vendedor dizendo que já realizou o pagamento. Esse e-mail é enviado como se fosse da empresa onde o produto foi anunciado. O vendedor envia a mercadoria para o endereço do golpista, que nunca fez a compra.   
 

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