Ela leva o metrô da meia-noite: a carioca que é operadora de trem em Salvador

salvador
08.03.2017, 11:11:00
Atualizado: 08.03.2017, 17:57:56

Ela leva o metrô da meia-noite: a carioca que é operadora de trem em Salvador

Neta de maquinista, Catherine Freire, 27, começa a trabalhar no Metrô de Salvador das 21h50 às 6h10 do dia seguinte

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A operadora de trem Catherine Freire em serviço (Foto: Evandro Veiga/CORREIO)

Não é qualquer pessoa que conseguiria ter a rotina da operadora de trem Catherine Freire, 27 anos. Ela começa o turno na CCR Metrô Bahia às 21h50 e só sai às 6h10 do dia seguinte. Neta de um maquinista, a carioca cresceu em uma família com proximidades com ferrovias. Mas Catherine nunca tinha pensado em trabalhar no ramo até que veio para Salvador em 2014, quando o marido foi trabalhar justamente no metrô, como agente especializado em Engenharia.

No Rio, ela atuava como técnica em enfermagem, mas já chegou aqui desanimada com a profissão. Assim, logo conseguiu a vaga como operadora na CCR, onde está há dois anos. Na época, até os parentes, que já conviviam com o mundo dos trens, estranharam. “Eles diziam: ‘Nossa, mas mulher?’. É novidade encontrar operadora mulher. Aqui, no metrô da Bahia, estamos quebrando vários paradigmas”.

Mãe de um filho de sete anos com espectro autista, Catherine pediu para trabalhar à noite para poder acompanhá-lo durante o dia. Desde então, vive uma maratona todos os dias. Quando chega em casa, de manhã, ajuda o marido a levar o filho para a escola e só depois vai descansar um pouco. Pelo menos, até ele chegar para o almoço. À tarde, acompanha o garoto nas terapias que faz todos os dias – que vão de psicoterapia a fonoaudiologia e terapia ocupacional.

Ela diz que nunca percebeu preconceito na profissão. Pelo contrário: várias vezes, nota um olhar de admiração. “Logo que comecei, tinha usuário que vinha na plataforma e tirava foto, quando via que era mulher. Tinha criança que vinha, cutucava a mãe e falava ‘olha, uma menina!’. Quando vejo o olhar de uma menininha assim na plataforma, me dá muito orgulho. É o diferencial de mostrar para a criança que ela não precisa ter uma profissão ‘de menina’. Ela pode ter o que ela quiser”.

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