Empreendedorismo social cresce no Brasil; tema será discutido no Fórum Agenda Bahia

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16.07.2018, 20:29:00
Atualizado: 19.07.2018, 21:27:56
Parque Social, em Salvador, oferece capacitação em empreendedorismo social (Marina Silva/CORREIO)

Empreendedorismo social cresce no Brasil; tema será discutido no Fórum Agenda Bahia

Em Salvador, o Parque Social estimula o desenvolvimento de negócios

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Empreender para promover cidadania e resolver um problema social e ambiental. Este propósito tem motivado o surgimento de organizações e startups, empresas de inovação e base tecnológica que conjugam os resultados financeiros à geração de benefícios para a comunidade, como educação, saúde, moradia e emprego.

O foco deste tipo de empreendimento, também conhecido como negócio social, está na base da pirâmide brasileira, composta, principalmente, por classes menos favorecidas. No país, cerca de 168 milhões de pessoas integram as camadas com faixas de renda mais baixas, segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Levantamento do Sebrae em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) identificou mais de 800 negócios sociais em todo o país. E boa parte desses novos negócios que prestam serviços sociais e geram desenvolvimento econômico é feito por startups.

SAIBA O QUE SÃO STARTUPS E COMO CRIAR UMA

No próximo dia 8 de agosto, em Salvador, na programação do seminário Sustentabilidade do Agora, haverá duas atividades com foco em negócios sociais, a palestra Yunus: A Transformação das Cidades pelos Negócios e a oficina Yunus: Como criar negócio social através da sua empresa. Ambas serão conduzidas por Rogério Oliveira, diretor da Yunus Brasil Negócios Sociais e mentor internacional em programas globais de empreendedorismo, como na Singularity University, no Vale do Silício.

O seminário é um dos eventos do Fórum Agenda Bahia 2018, uma realização do CORREIO, com patrocínio da Revita, e apoio institucional da Federação das Indústrias da Bahia (Fieb), Fundação Rockefeller e Rede Bahia.

VEJA A PROGRAMAÇÃO E SE INSCREVA PARA O SEMINÁRIO

Fomento aos negócios sociais

Na capital baiana, o Parque Social – organização sem fins lucrativos que funciona no Parque da Cidade (Itaigara) – desenvolve projetos de fomento ao empreendedorismo social desde 2013. Atualmente, a entidade possui nove iniciativas em execução. 

"Hoje damos muita atenção à geração de negócios sociais que promovam impactos positivos nas comunidades. Queremos atingir empreendedores e potenciais empreendedores, moradores de bairros carentes de Salvador, que já realizam alguma iniciativa ou negócio social ou que tenham alguma ideia transformadora e de impacto positivo"  (Lareyne Almeida, gerente de projetos do Parque Social)

Entre os projetos enumerados por Lareyne, alguns proporcionam uma imersão empreendedora, envolvendo conteúdos como projeto de vida; liderança e empreendedorismo; análise de mercado; modelagem de negócios; finanças; comunicação e marketing; e redes e mobilização de recursos. Além dessa instrutoria, também são previstas mentorias individuais e coletivas; prototipagem; oficinas temáticas; e encontros com empreendedores e/ou profissionais reconhecidos na sua área de atuação.

O Parque Social também capacita novos líderes

(Fotos: Divulgação/Parque Social)

Novos líderes

O Parque Social também oferece capacitações voltadas para a formação de lideranças, desenvolvimento comunitário e empreendedorismo social.

Para participar das iniciativas da entidade, basta conferir os requisitos de cada projeto no site oficial e realizar inscrição online ou pessoalmente, na sede do Parque Social. Para os projetos que incentivam a geração de negócios sociais, é importante que os interessados sejam empreendedores ou tenham potencial empreendedor, morem em comunidades carentes de Salvador e tenham no mínimo 18 anos.

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Um dos destaques do Parque Social é o Programa Comunidade Empreende (PCE), que dissemina a cultura de autodesenvolvimento nas comunidades de Salvador, através do empreendedorismo social, potencializando quatro elementos: empreendedor social, organização comunitária, ativos da comunidade e educação cidadã. 

“Esse programa é destinado a cidadãos que já desenvolvem ações de transformação na comunidade ou que tenham o potencial e o desejo de desenvolver negócios de impacto social positivo”, acrescena Lareyne Almeida.

Na edição do PCE - Pelourinho (2015 e 2016), mais de 50 empreendedores participaram de 60 horas de formação em empreendedorismo social e modelagem de empreendimentos de impacto positivo. Com o programa, 16 iniciativas sociais foram desenvolvidas, sendo 11 criados e/ou desenvolvidos durante o PCE. Outros sete empreendimentos individuais foram fortalecidos. 

Este ano, o PCE está voltado para o Nordeste de Amaralina, contemplando os bairros da Santa Cruz, Nordeste de Amaralina, Vale das Pedrinhas e Chapada do Rio Vermelho. Há 53 ideias ou projetos no Programa de Capacitação nas áreas de comunicação/empoderamento local, sustentabilidade, empoderamento feminino, cultura, design, educação, esporte e desenvolvimento local e econômico.

Sete participantes do PCE também foram selecionados para a segunda etapa do Prêmio Laureate Jovens Empreendedores Sociais, iniciativa global da Laureate International Universities. 

A maior parte dos projetos do Parque Social tem como principal financiador a Prefeitura Municipal do Salvador, contando também com parceiros privados como o Instituto Coca-Cola, Instituto Camargo Correa, Revita, Banco do Nordeste, Uber e AVSI Brasil. 

A entidade conta ainda com o apoio do Centro de Empreendedorismo & Inovação e o Laboratório de Negócios Sociais - LabSocial da Unifacs e o Núcleo de Práticas em Empreendedorismo - NPE/Unijorge.

Oficina de reciclagem para jovens líderes empreendedores

Panorama Nacional

O Brasil tem 17 milhões de pequenos negócios, que representam 99% do total de empresas do país, 52% dos postos de trabalho e contabilizam 27% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Dentro deste universo, houve crescimento, nos últimos dez anos, do número de negócios de impacto no Brasil e no mundo.

Os negócios sociais têm movimentado cerca de US$ 60 bilhões em nível global e registrado aumento aproximado de 7% ao ano, segundo levantamento da Ande Brasil (Aspen Network of Development Entrepreneurs), uma rede de empreendedores de países em desenvolvimento.

Ainda de acordo com a entidade, em outra pesquisa feita com a Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (ABVCAP), foram alocados US$ 1,3 bilhão em investimentos de impacto na América Latina em 2014 e 2015. O Brasil foi o segundo maior mercado da região.

Desafios

Com a premissa de gerar lucro e melhorar a qualidade de vida da população, os negócios de impacto tem crescido no Brasil sob vários desafios. Os principais problemas enfrentados pelos empreendedores sociais foram debatidos durante o Startup Summit, primeiro evento nacional sobre empreendedorismo de inovação e tecnologia realizado em Florianópolis, no último final de semana.

A definição de um modelo de negócio, a falta de um marco legal específico para o negócio social e a forma de atração e captação de recursos foram os principais pontos levantados pelos especialistas e empreendedores que participaram do evento.

"Esta é uma agenda nova, mas a gente quer muito mais empreendedores sociais no Brasil, seja pelos problemas que a gente visualiza todo dia, mas principalmente para pensar como é que vocês podem trazer soluções inovadoras para resolver os problemas sociais no Brasil" (Célia Cruz, economista e diretora do Instituto de Cidadania Empresarial - ICE)

A especialista apontou que os principais atores da oferta de capital do país atuam por meio de doações ou investimentos diretos e defendeu que o movimento deve crescer com a lógica de um negócio que gere impacto de forma inovadora e ao mesmo tempo tenha performance e sustentabilidade financeira.

Célia destacou ainda a importância de atrair a população-alvo para o desenho dos negócios e de mensurar por meio de indicadores o impacto real do investimento. A organização atua ainda no fortalecimento de intermediários, que podem ser fundos de investimentos ou universidades. “A gente acredita muito no papel da universidade para formar talentos que já nascem com essa cabeça de impacto e performance financeira”, afirmou.

Laboratório Atlético de Basquete (LAB), empreendimento criado por Carlos Bahia, no Vale das Pedrinhas, a partir das capacitações do Parque Social

Rede global

O ICE formou recentemente a Aliança pelos Investimentos e Negócios Sociais, que gerou 15 recomendações para o Brasil avançar no apoio ao empreendimento social. A Aliança é a representante brasileira na rede global formada por 18 países que também estão atuando por políticas de desenvolvimento do setor.

Os principais atores do novo mercado também se aproximaram do governo federal para conseguir apoio para o setor e criaram um grupo de trabalho composto por representantes de sete ministérios, entre eles o de Desenvolvimento Social (MDS), da Indústria (MDIC), do Planejamento, além de organizações como PNUD, Sebrae e potenciais financiadores como o BNDES, Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Caixa e Banco do Brasil.

O grupo elaborou a Estratégia Nacional de Investimentos e Negócios Sociais (Enimpacto), que pretende em 10 anos melhorar o ambiente de desenvolvimento das soluções sociais e promover iniciativas de inclusão deste tipo de negócio na cadeia de valor das empresas.

Serviço:

>>Para conhecer os projetos oferecidos pelo Parque Social acesse: www.parquesocial.org.br ou ligue na Central de Atendimento (71) 3202-7100/55. A participação em todos os projetos é gratuita.

>>Confira a programação gratuita aqui e faça sua inscrição para o seminário Sustentabilidade do Agora aqui.

*Com Débora Brito, da Agência Brasil

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