Empresários da capital denunciam favorecimento do Litoral Norte

bahia
01.06.2013, 09:23:00
Atualizado: 01.06.2013, 09:32:23

Empresários da capital denunciam favorecimento do Litoral Norte

O conflito ameaça dividir em duas partes o Convention Bureau (CB), fundação privada sem fins lucrativos responsável por atrair eventos para a hotelaria

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Victor Longo
victor.longo@redebahia.com.br


A disputa por uma fatia maior de mercado no turismo de eventos e negócios levou a um racha entre hoteleiros de Salvador e do Litoral Norte. Sem solução à vista, o conflito ameaça dividir em duas partes o Convention Bureau (CB), fundação privada sem fins lucrativos responsável por atrair eventos para a hotelaria.

No centro do impasse, revelado por Jairo Costa Jr na coluna Satélite, estão alguns dos grandes hoteleiros de Salvador, que exigem a eleição direta para a direção do CB e a exclusão dos concorrentes do Litoral Norte da pauta de captação de eventos pela  fundação. Hoje, o Bureau é sustentado em parte pelas room taxes (taxas de apartamento), que variam de R$ 2,50 a
R$ 4,50, cobradas em alguns hotéis de Salvador aos hóspedes.

“Os hotéis do Litoral Norte não contribuem com nada”, protestou o empresário Silvio Pessoa, diretor da rede Sol Express, que engloba Gran Hotel Stella Maris, Sol Victória Marina, Sol Barra, Sol Bahia e Sol Plaza Sleep. “Se nada mudar até 7 de junho, vamos parar de recolher a taxa, sair do Convention Bureau e talvez criar alguma fundação paralela focada em Salvador”, ameaçou.

Segundo o empresário, que preside o Sindicato de Hotéis, Bares e Similares de Salvador e Litoral Norte, a capital perdeu, nos últimos dois anos, 10% da clientela no turismo de eventos para os grandes hotéis do Litoral Norte, sobretudo os da Costa do Sauipe.

Outros hotéis como Vila Galé, Othon e Pestana estão na briga. “Se não há eventos em Salvador, nós sofremos diretamente com isso”, afirmou o diretor do Bahia Othon Palace Hotel, localizado em Ondina, o português Luiz Marques.
O Sheraton e a rede Express Hotéis, que hoje não cobram as room taxes, também pleiteiam um CB mais focado em Salvador para começar a contribuir, segundo Pessoa.

Do outro lado, diretores de grandes resorts do Litoral Norte, como o Iberostar, preferem não comentar o assunto relacionado ao CB, mas comemoram os benefícios trazidos pelo turismo de negócios. “Registramos um crescimento na área de eventos e negócios de 33% nos últimos anos”, comemorou o diretor da rede espanhola Iberostar, David Malagelada, em entrevista por e-mail. “O crescimento anual tem sido na faixa de 10% a 15%”, calculou.

Segundo ele, o mercado de eventos representa até 40% do faturamento dos resorts no Litoral Norte. “Isso demonstra a importância deste segmento do mercado”, arrematou.

Exigências
Além da possibilidade de escolher por eleição direta um novo diretor executivo do CB, cargo hoje ocupado pelo empresário Pedro Costa, os hoteleiros de Salvador querem promover uma ampla reforma na fundação, adaptando-a aos moldes de  grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro.

“Os Convention Bureaus de São Paulo, por exemplo, têm mais de 30 entidades que participam das decisões e que decidem o destino dos eventos. Queremos uma entidade descentralizada”, afirmou Pessoa, cheio de números na memória quando o assunto é criticar as gestões mais recentes da fundação. “Há cerca de 15 anos, o Convention Bureau movimentava mais de R$ 1 milhão por ano. Hoje, não chega nem a R$ 600 mil”, criticou. “Salvador vive uma grande crise hoteleira e os eventos de negócios são essenciais para matermos a ocupação na baixa estação”, lamentou o empresário.

O CORREIO tentou contato ao longo de toda a tarde de ontem com a direção e com o conselho curador do Convention Bureau, mas os representantes não atenderam ou retornaram as ligações. Até o fechamento desta edição, eles não responderam a uma solicitação de entrevista enviada por e-mail.

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