Enem: quais erros podem zerar a Redação e como evitá-los

enem
03.11.2021, 06:00:00

Enem: quais erros podem zerar a Redação e como evitá-los

Professores dão dicas e fazem alerta sobre o respeito aos direitos humanos na proposta de intervenção

Dominar a escrita formal, aplicar conceitos de diversas áreas do conhecimento, organizar bem opiniões, fatos e informações, conhecer mecanismos linguísticos e elaborar uma proposta de ação sobre o tema abordado. Essas são competências que todo candidato que quer ir bem na Redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) sabe de cor e salteado. As provas serão realizadas nos dias 21 e 28 de novembro.

De forma geral, os estudantes não se esquecem dos itens necessários para tirar a nota 1000, mas, por vezes, acabam não dando atenção suficiente para os erros que podem levar à nota zero.

Sidinéia Azevedo é professora de Redação no Colégio Bernoulli/Pituba, em Salvador, e afirma que é preciso saber quais são as falhas, e não só as habilidades que devem ser colocadas ali.

“Todas as disciplinas juntas representam 1000 pontos, e Redação, sozinha, também vale 1000, tem um peso grande. Então, esse aluno tem que estar atento ao que é fundamental a este texto e o que o Inep exige, mas também precisa ter ciência do que é perigoso para ele trazer dentro do seu texto”, alerta ela.

E olha que esses erros, apesar de muitas vezes ignorados, não são poucos. Há, pelo menos, uma dezena de ações na prova de Redação que pode render um zero e foi citada pelos professores (veja a lista abaixo).

Entre todas as possibilidades de zerar a prova, o professor de Redação Danilo Santiago destaca duas como as que mais necessitam de atenção dos candidatos na hora da escrita: fuga do tema e desobediência da tipologia textual requisitada pelo exame.

“O principal erro é a fuga ao tema. É preciso ficar atento a todos os elementos temáticos da proposta e dissertar sobre todos eles. Tem que haver compreensão temática sobre o que foi proposto. Também é preciso atender à tipologia textual, que é a dissertativo-argumentativa, onde o candidato tem que trazer informações e a posição dele sobre o assunto proposto”. Ele destaca ainda que não dá para escrever sobre o tema através de um poema ou uma notícia, por exemplo, ou escrever sem apresentar uma defesa. 

Recorte temático
Mais do que entender e trabalhar dentro do que é proposto para a Redação, Sidinéia acrescenta que o candidato precisa identificar o recorte temático da proposta e explorá-lo para não fugir do que a prova pede.

“Existe o tema e o recorte temático, que é definido pela palavra núcleo. Em 2015, o tema foi a persistência da violência contra a mulher no Brasil.  Ali, ‘violência’ não era a palavra núcleo, mas sim ‘persistência’. Era preciso falar da continuidade do problema e muito candidato tangenciou na Redação por não compreender isto”, explica Sidinéia.

Para evitar situações de confusão como a citada por Sidinéia, o professor Léo Mendes recomenda o seguinte para quem vai fazer o exame: “O candidato deve ater-se ao conteúdo do tema, aplicar as técnicas redacionais, as estratégias argumentativas que julgar mais adequadas e, sobretudo, estar sob a consciência de que a avaliação é algo sério, que não comporta condutas imaturas, agressivas, que destoem dos claros propósitos daquele momento”, alerta Léo. 

Estratégias
O estudante João Pedro Forte, 17 anos, que quer fazer Psicologia, já traça a estratégia que, para ele, é a mais interessante para não deixar de lado as orientações básicas. “Vou ler a Cartilha do Participante que o Inep deixa disponível e que tem tudo que eu preciso saber, inclusive essa parte do que pode me fazer zerar. Não posso me preocupar em fazer o fantástico e esquecer o básico, né? Além disso, vou continuar consultando meus professores sobre isso”, garante o estudante. 

Já Maria Clara Menezes, 17 anos, que quer cursar Arquitetura, diz que a sua principal aposta para não cair em problemas dignos de zero para a Redação é fazer o de sempre: criar um roteiro em uma folha em branco para lembrá-la do que é mais importante de ser ou não colocado no texto.

A estudante Maria Clara Menezes quer cursar Arquitetura (Foto: Paula Fróes)

“Eu gosto de montar meu projeto de texto pegando uma folha em branco onde destaco as palavras mais importantes do tema e a estrutura da Redação. Aprendi com meu professor isso e sempre deu muito certo porque me ajuda a lembrar do que é mais importante. E lá também vou colocar o que deve ou não ser feito na prova de Redação”, conta.

O estudante João Pontes, 17, quer cursar Direito, também vai recorrer a um aliado antigo para não tropeçar na hora de redigir a Redação, que, no caso dele, é a força da prática. “Para lembrar e não deixar essas coisas passarem, acho que a resposta é a prática. Escrever com uma frequência grande é a solução para isso. São muitos fatores, competências e coisas complexas que são envolvidas na produção de uma Redação para o Enem. Então, só a prática mesmo que pode me ajudar”, declara.

João Pontes tem 17 anos e quer cursar Direito (Foto: Acervo pessoal)

Veja aqui todos conteúdos do projeto Revisão Enem 2021

Direitos Humanos
Quem não quiser perder pontos valiosos na prova vai ter que fazer mais uma coisa: respeitar os direitos humanos. Isso porque quem fere esses direitos tem a competência de número 5, que é a elaboração de proposta de intervenção da Redação, zerada, perdendo 200 pontos. 

Antes, quem feria os direitos humanos zerava a prova. Após recursos, isso mudou e só a quinta competência é prejudicada por esse motivo, o que já é uma grande perda para quem precisa de todos os pontos possíveis para chegar ao curso que quer. 

Para evitar isso, o professor Léo Mendes orienta que os estudantes se inteirem das leis que garantem os direitos. “O recomendável é o candidato buscar, como cidadão brasileiro, conhecer o máximo que puder das leis da Constituição Federal dos artigos 1 ao 7, que apresentam os direitos fundamentais das pessoas e, sobretudo, pautar a sua argumentação pelo bom senso, pela racionalidade”, indica. 

Para a professora Sidinéia Azevedo, o estudante tem que cuidar para não ferir os direitos humanos na sua proposta e não perder pontos também por questões morais. “Se ele fizer uma proposta que fere os direitos humanos, automaticamente perde 200 pontos, que é uma quantidade relevante de pontuação. E não só isso. Quando o estudante fere esses direitos em sua proposta, ele já demonstra um comportamento de intolerância enquanto cidadão e desrespeito às diferentes formas de comportamento e de enxergar a vida”, pontua.

A professora Sidinéia Azevedo alerta para a perda de 200 pontos (Foto: Acervo pessoal)

O professor Danilo Santiago faz questão de lembrar que ferir esses direitos não é apenas argumentar contra a vida e envolve outros tipos de posicionamento. “Os alunos têm a mania de acreditar que desrespeitar os direitos humanos é ‘só matar’. É claro que a vida é o principal direito, mas existem outras construções que ferem esses direitos. Se o aluno faz uma argumentação pra coibir liberdade de expressão, se proíbe liberdade de culto, se limita o ir e vir de alguém, tudo isso é desrespeito aos direitos humanos”, alerta.

Um dos materiais que listam os direitos humanos tem 30 artigos e está registrado na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que foi oficializada em 1948 pela Organização das Nações Unidas (ONU). A declaração afirma que é preciso garantir direito à igualdade e à liberdade, direito à saúde e à justiça, cultura e lazer, além de trabalho e remuneração compatíveis, além de outros pontos.

 Veja a lista dos erros mais comuns:

1 - Fugir totalmente do tema;
2 - Redigir um texto com tipologia textual que não seja a dissertativa-argumentativa;
3 - Copiar textos da prova de redação ou do caderno de questões sem, pelo menos,  oito linhas de texto  do próprio do candidato;
4 - Produzir texto com extensão de até sete linhas manuscritas ou de até dez linhas escritas no sistema Braille; 
5 - Usar impropérios - xingamentos e palavras de baixo calão -, desenhos e outras formas propositais de anulação em qualquer parte da folha de redação;
6 - Colocar números ou sinais gráficos sem função clara em qualquer parte do texto ou da folha de redação;
7 - Escrever uma redação que contenha um texto predominantemente ou de forma integral em língua estrangeira;
8 - Deixar a folha da redação em branco. Até quando o texto está no rascunho, é preciso que ele seja passado para folha "oficial" da redação ou a prova é zerada;
9 - Redigir uma redação com letra que seja considerada ilegível por dois corretores diferentes;
10 - Colocar nome e assinatura fora do local devidamente designado na folha para que o estudante assine a redação.

*Com supervisão da chefe de reportagem Perla Ribeiro

***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas