'Enquanto não descobrirem, não vou parar', diz pai de menina de 10 anos achada morta

salvador
18.01.2019, 15:07:00
Atualizado: 23.01.2019, 17:02:49

'Enquanto não descobrirem, não vou parar', diz pai de menina de 10 anos achada morta

Pai acredita que menina foi estrangulada por alguém próximo à família

A casa simples, ainda no reboco, de dois andares, estava cheia de parentes e amigos. Mas para o pedreiro João dos Santos Cortes, 47 anos, é como se ele estivesse sozinho. Na verdade, faltava alguém: sua filha Maria Elaine Sobral Cortes, 10 anos, que estava desaparecida desde a segunda-feira (14) e foi encontrada morta no quintal da casa de um vizinho, em Alto de Coutos. O sentimento é de vazio.

“De lá pra cá não tenho sentido fome. Hoje tomei à pulso um café. Enquanto não descobrirem (o assassino da minha filha), não vou parar”, declarou ele, pedindo justiça. 

Pai, madrasta e irmão da garota de 10 anos amanheceram abatidos (Foto: Bruno Wendel/CORREIO)

Na manhã desta sexta-feira (18), João recebeu a equipe do CORREIO em sua casa. Amparado pela companheira e madrasta da menina, Josenildes Brasilino Silva, 45, o pedreiro acredita que Elaine pode ter sido obrigada a ir até o local onde o corpo foi encontrado e foi, posteriormente, estrangulada.

"Acredito que minha filha foi obrigada a ir até o local e, depois, asfixiada até a morte, porque me disseram que o corpo estava com a língua para fora e um inchaço na região do pescoço”, declarou João, bastante abalado.

O pai da garota explicou que a criança foi encontrada em um local que pouquíssimas pessoas conheciam. A causa da morte será apontada com um laudo do Departamento de Polícia Técnica (DPT). 

“Ela não era de andar ali. Sequer sabia que exista um porão debaixo da casa. O próprio dono do imóvel disse que pouquíssimas pessoas sabiam da existência desse porão", alertou o pai.

João não teve condição emocional de acompanhar o levantamento cadavérico do corpo da filha, encontrado a poucos metros da casa dele, na Travessa 15 de Novembro. Ele também não pretendia ir ao enterro, que ocorreu às 14h desta sexta-feira (18), no Cemitério Municipal de Plataforma, mas depois mudou de ideia.

“Não tive coragem de ir lá embaixo, onde estava o corpo. Prefiro guardar a imagem de minha filha alegre, uma pessoa feliz, criada com muito amor e devoção à Deus”, declarou. 

A menina estava em um caixão branco, com uma foto sua colada na tampa. Ele estava fechado devido ao estado de decomposição do corpo. 

Menina de 10 anos foi encontrada morta a 100 metros de casa (Foto: Reprodução)

Desaparecimento
Segundo moradores da região, Elaine foi vista na segunda-feira (14), numa barraca de doces, localizada perto da casa onde o corpo dela foi encontrado. “A dona da barraca disse que ela esteve lá entre 14h e 14h30, para comprar uma pipoca e saiu. Que depois não a viu mais”, disse a dona de casa Marina Santos e Souza, 41, que é amiga da família.


“Alguém a abordou no retorno para casa, porque minha filha não fala com estranhos. Foi muito alertada quanto a isso. Alguém que conhecia a nossa família esteve com ela, a levou para algum lugar e fez essa crueldade. Via outras pessoas sofrendo pela perda dos filhos, me compadecia, e hoje sinto a mesma dor”, falou o pai.

Seu João irá prestar depoimento na segunda-feira (21), no Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). “Um delegado do DHPP me ligou e pediu para ir na segunda à tarde. Esse criminoso tem que ser preso. O que ele fez com a minha filha, pode ter feito ou poderá fazer com outras meninas. Tenho certeza que esse criminoso pode estar circulando por aqui, acreditando que não será descoberto. A polícia só não pega se não quiser”, desabafou.  

Violência
De acordo com amigos da família, o corpo foi encontrado com marcas de violência. A menina estava sozinha em casa quando desapareceu. O pai saiu para trabalhar e a madrasta foi ao hospital, onde a irmã caçula da vítima, de dois anos, está internada desde dezembro. 

Durante entrevista ao CORREIO, a madrasta de Elaine, Josenildes, disse que cuidava da enteada como se fosse uma filha.

“Estou tão arrasada quanto o pai. Eu a tinha como uma filha. Era uma menina bondosa, que respeitava a todos, uma menina serva de Deus, uma menina que nos orgulhava”, disse ela.

A mãe de Maria Elaine morreu há dois anos de ataque cardíaco e complicações com a diabetes e hipertensão.


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