Entenda a história do biquíni baiano que virou briga judicial nos EUA

bazar
07.01.2019, 16:52:00
Atualizado: 07.01.2019, 17:08:05
(Foto: Reprodução/Instagram @kiini)

Entenda a história do biquíni baiano que virou briga judicial nos EUA

Artesã de Trancoso entrou com processo contra grife badalada mundialmente

Em momentos como o que vivemos, o jornalismo sério ganha ainda mais relevância. Precisamos um do outro para atravessar essa tempestade. Se puder, apoie nosso trabalho e assine o Jornal Correio por apenas R$ 5,94/mês.

Giovanna Ewbank, Lala Rudge, Margot Robbie, Bar Refaeli, Alessandra Ambrósio, Camila Queiroz, Irina Shayk, Cara Delevingne e Heidi Klum. Essas foram algumas das celebridades, nacionais e internacionais, que se renderam a um biquíni de crochê multicolorido - principalmente em 2015, quando a peça virou um must-have. Agora, o modelo voltou a render nas notícias, mas por um motivo bem diferente.

Siga o Bazar nas redes sociais e saiba das novidades de gastronomia, turismo, moda, beleza, decoração, tecnologia, pets, bem-estar e as melhores coisas de Salvador e da Bahia:

Quando bombou, o item era conhecido como uma criação da turca naturalizada americana Ipek Irgit. Batizado de Kiini, foi lançado pela gringa em 2013, com o valor de 285 dólares (R$ 1.112). 

Várias famosas já usaram o biquíni
(Foto: Reprodução)

Em 2015, Ipek já tinha mais de 9 milhões de dólares (cerca de R$ 35,4 milhões) em vendas, segundo Sally Wu - uma 'amiga' da turca que, durante anos, ajudou a produzir a peça na China.

O Kiini virou tanto hit que foi copiado por várias marcas bombadas internacionalmente - como a Victoria's Secret. Ipek entrou na justiça contra a grife e, em 2017, chegaram a um acordo judicial. Depois, veio mais um processo federal, contra a gigante do varejo Neiman Marcus. 

Cadastre seu e-mail e receba novidades de gastronomia, turismo, moda, beleza, decoração, pets, tecnologia, bem-estar, sexo e o melhor de Salvador e da Bahia, toda semana:

A Victoria's Secret chegou a fazer uma versão do modelo
(Foto: Divulgação)

Tudo na Bahia
Bom, eis que a história ganha um novo - e turbulento - capítulo. Em uma entrevista dada para o jornal The New York Times, Ipek confessou que tinha passado férias no Brasil, antes do lançamento do biquíni - incluindo uma passagem por Trancoso, no Extremo-Sul da Bahia.

Pois, na mesma localidade, mora a paulista Solange Ferrarini, de 61 anos. Em 1994, ela se mudou para lá, e, para sobreviver, começou a vender seus artesanatos. Em 1998, começou a comercializar, nas praias, um modelo de biquíni, feito de crochê e faixas elásticas.

Adivinha como é a peça de Solange? Exatamente: idêntica a de Ipek.

O biquíni que Solange vende há mais de 20 anos em Trancoso é igualzinho
(Foto: Reprodução/Instagram @solangeferrarini)

Quase todos os dias, desde 1998, a paulista vai à praia de Trancoso, oferecer seu modelito. O preço aumenta um pouquinho a cada ano e, atualmente, está por R$ 500. O costume é tanto que ela já ficou até conhecida como 'a mulher dos biquínis' por lá.

Ok, então o que aconteceu? Segundo Sally, teria sido uma cópia descarada de Ipek. Quando a turca a contactou, em 2012, para pediu um favor para produzir a peça, já tinha vindo ao Brasil e comprado um biquíni aqui. E, de acordo com a entrevista de Sally ao The New York Times, Ipek teria a falado: "preciso descobrir como copiá-lo".

Giovanna Ewbank chegou a usar uma versão do biquíni na capa da revista Boa Forma
(Foto: Divulgação)

Ipek então enviou um e-mail à amiga, dia 28 de julho de 2012, com imagens do modelo em anexo e algumas especificações. Anos depois, na época do processo contra a Neiman Marcus, o relacionamento de trabalho entre as duas acabou.

Sally então encontrou um advogado, Jason Forge, que é casado com a dona da marca PilyQ. A grife vende também o tal biquíni de crochê, mas paga honorários a Solange. A mulher mostrou a ele o e-mail enviado por Ipek e, quando Jason ampliou as imagens... Lá estavam escritos o nome de Solange e "Trancoso-BA".

Camila Queiroz apareceu com o modelito na novela Verdades Secretas
(Foto: Felipe Monteiro/Gshow)

O caso, agora, está na justiça dos Estados Unidos. "Ela confiou que a senhora Ferrarini não descobriria nada porque mora em um lugar distante e remoto, mas esse não é o mundo em que vivemos hoje", explicou a advogada Michelle Rutherford em entrevista ao Fantástico.

Segundo Michelle, o caso deve demorar seis meses. "Vamos pedir de US$ 3 a US$ 5 milhões. Esse é o nosso palpite com base nas vendas do Kiini", falou, ainda ao Fantástico.

Solange e seus biquínis: "Muito amor", postou, no Instagram
(Foto: Reprodução/Instagram @solangeferrarini)


***

Em tempos de coronavírus e desinformação, o CORREIO continua produzindo diariamente informação responsável e apurada pela nossa redação que escreve, edita e entrega notícias nas quais você pode confiar. Assim como o de tantos outros profissionais ligados a atividades essenciais, nosso trabalho tem sido maior do que nunca. Colabore para que nossa equipe de jornalistas seja mantida para entregar a você e todos os baianos conteúdo profissional. Assine o jornal.


Relacionadas