Entenda como deve funcionar a gestão de crise de Karol Conká após sair do BBB

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24.02.2021, 12:46:34
Atualizado: 24.02.2021, 12:53:53
(Foto: Reprodução / Globo)

Entenda como deve funcionar a gestão de crise de Karol Conká após sair do BBB

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Após um paredão no BBB, geralmente o eliminado sai da casa diretamente para o estúdio onde ocorre uma entrevista com o apresentador. Na saída de Karol Conká, ocorrida na noite desta terça-feira (23), este processo demorou mais tempo que o normal, com um intervalo longo entre a despedida da casa e o encontro com Tiago Leifert. 

Após a espera, o público deparou-se com uma Conká muito diferente da "Mamacita", apresentando uma postura mais doce e calma do que a vista nas semanas de confinamento. Esta mudança súbita de atitude tem nome e sobrenome: gestão de crise.

Não é possível dizer se, de fato, alguém conversou com a rapper nos bastidores, ditando as palavras que deveriam ser ditas no primeiro contato com o mundo exterior. Apesar disso, o especialista em relações públicas, Rodrigo Almeida, afirma que a gestão de crise já ocorria naquele momento. 

"Dois pontos em sua atitude de saída apontam para isso. Ela assumiu seus erros, pediu desculpas, falou que erra como qualquer pessoa. Além disso, Karol também mencionou a família, dizendo que espera o perdão da mãe e do filho. Tudo isso a aproxima mais do público", analisa o RP.

Essa tentativa de se humanizar foi vista também durante entrevista ao Mais Você, na manhã desta quarta-feira (24). Mas isso é apenas o começo. Afinal, o prejuízo de Karol Conká no BBB foi tão grande quanto a ansiedade por sua entrada.

"É tudo uma questão de expectativa versus realidade. Durante toda a carreira dela foi construída uma reputação com base na representatividade, na figura de uma mulher negra de opinião forte. Esperava-se que ela fosse mocinha, não vilã. Justamente por conta disso o baque foi maior", detalha o especialista.

Ainda durante o programa, alguns festivais cortaram a participação dela, fãs a abandonaram e a imagem dela passou a ser associada a tortura psicológica. Ela, que para o público deveria ser uma representante da pauta identitária, tornou-se a responsável pela opressão de um homem negro.

Os prejuízos somados podem chegar a casa dos R$ 5 milhões, calculam alguns especialistas.

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Saída da crise
A trajetória dela, que foi uma âncora puxando ainda mais para baixo a popularidade dela, pode tornar-se uma boia que a salvará do "afogamento". Na visão de Rodrigo Almeida, ela precisa mostrar para o público de onde veio, toda a sua trajetória que não pode ser apagada por conta de 4 semanas de reality.

"Ela precisa trazer toda a história e reputação que tem. Além de ponderar que ela estava vivendo em um ambiente de tensão, enclausurada com desconhecidos num lugar que incentiva a discórdia 24 horas por dia. A gente já está vendo essa iniciativa de pessoas dizendo 'ok, ela errou, mas todo mundo erra'. Esse é o caminho da redenção. Ressignificar toda sua trajetória dentro da casa", aconselha, Rodrigo.

Outro ponto que pode ser abordado é a cultura do cancelamento - termo dado ao processo de linchamento virtual causado por alguma atitude ou posicionamento divergente da opinião da maioria. 

"Isso é algo que está em evidência e ela pode tornar-se uma bandeira pelo fim deste movimento que é extremamente prejudicial. Muitos artistas perdem sua espontaneidade por conta disso. Claro que, também, isso não inclui atitudes preconceituosas, que, sim, devem ser combatidas", pondera.

Agilidade e verdade
Algo é certo: não importa qual estratégia adotará Karol Conká, mas dois princípios devem ser seguidos, a agilidade e verdade. Ou seja, a resposta para o problema precisa ser rápida, mas honesta.

"Muitos diriam que agora o ideal seria ela se esconder, não dar entrevistas. Não é assim que funciona. O nome dela está em evidência, talvez seja o mais falado no Brasil hoje. Isso é algo ruim, mas também significa a oportunidade de se redimir. Tudo que ela falar será escutado e, se ela se portar bem, isso ajudará", afirma o especialista.

O ideal numa gestão de crise é que ela resolva o problema antes do grande público tomar conhecimento. No caso de Karol isso foi impossível porque o país inteiro assistiu, em tevê aberta, o problema surgir e não havia como entrar em contato com a artista para pedir uma mudança de postura.

"Porém, muito provavelmente, enquanto ela estava lá dentro, aqui fora a equipe dela estava traçando uma estratégia para recuperar sua imagem positiva que foi construída ao longo de anos de carreira. Por isso a mudança de postura dela foi tão rápida e assertiva", analisa Rodrigo.

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