Entenda o risco da trombose, doença que fez Anitta ser internada

saúde
27.06.2020, 18:15:36
Atualizado: 27.06.2020, 19:45:58
Coágulo bloqueia a circulação do sangue, sobretudo nas pernas (Reprodução)

Entenda o risco da trombose, doença que fez Anitta ser internada

Problema pode sim atingir jovens que praticam atividade física regularmente

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Sempre que algum famoso adoece, surge a oportunidade de falar sobre o problema de saúde para uma audiência muito maior. A celebridade da vez é Anitta, que na última quinta-feira (25) precisou ser internada, alertando para uma doença que pode surgir repentinamente e ser grave: a trombose.

Chamou a atenção o fato da cantora ser jovem (27 anos) e levar uma vida de atividade física frequente. “Não tomo anticoncepcional, não fumo. Não se sabe de onde veio esse babado, só veio”, comentou a própria Anitta, reforçando que está fora de outros reconhecidos fatores de risco da trombose e que não tem feito longas viagens de avião.

O cirurgião vascular Ítalo Andrade, porém, alerta: o problema de saúde pode sim acometer pessoas que estão fora de todos os grupos de risco. “Nesse tipo de caso tem que se investigar a parte hematológica. A paciente pode ter nascido com uma característica do sangue que gera hipercoagulação. Ela pode viver sem saber disso, porque não tem indicação para se sair pesquisando previamente”.

Essa característica chama-se trombofilia, e trata-se de um processo de hipercoagulação do sangue. A pessoa pode nascer com ela por conta de uma alteração genética. “Anitta é jovem, magra e pratica atividade física. Como ela disse que não está viajando ultimamente, não fuma e não usa anticoncepcional, a hipótese é essa. Mas é preciso toda uma investigação do médico”, explica o Dr. Ítalo Andrade.

Se a trombofilia não é genética, ela pode ter sido adquirida por conta de um comportamento do indivíduo ou por conta do uso de determinados medicamentos. Se não for tratada, a trombose pode ser fatal ou deixar sequelas no corpo.

Para os mais jovens, o risco de ter a primeira trombose é ter de conviver com ela pelos próximos anos. “Quem teve uma vez fica mais suscetível de ter outra. Então o problema é o paciente ter várias tromboses proximais, e aí sim o risco de ter uma complicação aumenta”, explica do Dr. Ítalo Andrade.

Abaixo, algumas dúvidas sobre a doença:

O que é trombose?

É a formação de um coágulo que obstrui a passagem do sangue. O tipo de trombose depende de onde surge esse coágulo.

A mais típica é a trombose venosa profunda (TVP) que, como o nome diz, surge nas veias profundas (mais internas) do corpo. Elas são mais comuns nas pernas, como é o caso de Anitta, mas também podem ocorrer nos braços e outros membros.

A trombose arterial é o tipo mais grave, pois obstrui a chegada do sangue aos órgaos. Existe ainda a tromboflebite superficial, que atinge os vasos mais finos da camada superficial da pele e costumam deixar lesões.

Como surge?

Segundo Ítalo Andrade, o fator mais comum é o longo período de inatividade: “Por exemplo, um voo muito longo, acima de seis horas. Se a pessoa não se mexer, gera um quadro que chamamos de estase sanguínea, que pode gerar trombose. Outro caso clássico é do paciente que faz uma cirurgia, por exemplo, e precisa ficar com alguma parte do corpo imobilizada”.

Tabagistas, obesos, sedentários e pessoas com varizes de grosso calibre nas pernas também têm predisposição à trombose. Segundo o cirurgião vascular, pacientes com câncer podem adquirir trombose e até mesmo descobrir o câncer na investigação do coágulo.

Entre as mulheres, há a chance de ter trombose pelo uso de anticoncepcionais: “O estrógeno gera uma alteração hormonal que pode levar à hipercoagulação do sangue. É o típico caso de trombofilia adquirida, porque a paciente não tinha nenhuma predisposição e de repente sofre a trombose. Ocorre sobretudo entre as mais jovens”, explica Ítalo Andrade.

O especialista destaca: “É preciso esclarecer que não é um caso muito prevalente, para que as mulheres não fiquem assustadas. Até porque, se fosse algo recorrente, os anticoncepcionais não seriam indicados. Mesmo as que têm fatores de risco para trombofilia podem consultar um hematologista para investigar se podem tomar anticoncepcionais”.

Quais os sintomas?

Os casos mais comuns são de trombose nas pernas. “O principal sinal é inchaço. Se a pessoa notar que uma perna está mais inchada que a outra e não está melhorando, mesmo com a movimentação, é preciso procurar atendimento urgentemente”, diz o Dr. Ítalo Andrade.

Se o inchaço na perna vier acompanhado de dor, sem ter ocorrido nenhum tipo de trauma ou choque no local, é mais um sinal de trombose. Existe também a chance do membro ficar quente ou vermelho, ainda que não sejam sintomas comuns.

Até mesmo a falta de ar repentina pode ser sintoma de trombose – e aí num estágio mais grave. Pessoas que estão em algum tratamento com uso constante de catéter, como quimioterapia, também devem ficar atentas aos inchaços.

Quais os riscos?

O risco mais comum da trombose, e que pode levar à morte, é o de embolia pulmonar. “Quando o coágulo chega ao pulmão e impede a oxigenação. Existe também a chance de atingir o cérebro, gerando embolia cerebral, mas é mais raro”, explica o Dr. Ítalo Andrade.

“Outro risco de vida é se a trombose for arterial, porque impacta na oferta de sangue para os órgãos, prejudicando assim o funcionamento deles”, completa o cirurgião vascular.

As possíveis sequelas da trombose vão desde o inchaço crônico da perna até o escurecimento permanente dela ou do surgimento de varizes mais grossas. A doença também pode levar a um quadro de inflamação, gerando úlceras constantes na pele.

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