Estabilidade de preços faz área de produção de café recuar na Bahia, mostra IBGE

bahia
09.01.2020, 05:00:00
Atualizado: 09.01.2020, 05:54:12
(ABACAFÉ)

Estabilidade de preços faz área de produção de café recuar na Bahia, mostra IBGE

Os preços do café conillon fecharam 2019 praticamente do mesmo jeito que começaram

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A estabilidade de  preços do café durante 2019 fez com que a área de produção na Bahia recuasse em 20% para a variedade conillon e em 30% para o tipo arábica, informou, nessa quarta-feira (8),  o IBGE. Segundo dados do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), a área cultivada com o café conillon, plantado no sul e extremo-sul do estado, fechou o ano em 41.800 hectares, ante os 52 mil hectares de 2018. Já  área plantada do café arábica caiu de 102 mil hectares, em 2018, para 71.500 em 2019.

Com a redução de área, a produção do conillon, em 2019,  ficou em 108.090 toneladas, queda de 23% em relação a 2018 (140.400 toneladas). No arábica, a redução da produção foi maior, de 33%: saiu de 122.568 toneladas, em 2018, para 105.018 toneladas  no ano seguinte.  

De acordo com dados do sistema de cotações da Secretaria de Agricultura, os preços do café conillon fecharam 2019 praticamente do mesmo jeito que começaram. Há um ano, apenas para exemplificar, a saca de 60 quilos do conillon, cotada em Eunápolis, estava em R$ 290, e ontem em R$ 280. No varejo, os preços do café também têm se mantido estáveis. Até maio (dado mais recente), o consumidor pagava R$ 19,65 no quilo do café.

Surpresa
Os  preços do café são regulados pelas Bolsas de Londres (no caso do conillon) e Nova York (arábica), as quais apresentaram grande volatilidade, porém,  mesmo com estoques altos e grande oferta durante o ano, fechou com variação para melhor no caso da arábica. 

A melhora nos preços ocorreu após uma redução nos estoques mundiais, que trouxe o sentimento de que o balanço de oferta e demanda seria mais apertado que a expectativa do mercado. Está condição foi corroborada pelo relatório da Associação do Café Verde, que indicou uma queda de mais de 170 mil sacas nos estoques americanos em outubro. Desde então os estoques reportados pela associação têm mostrado quedas.

“Essa queda nos estoques que deu a reação, o que fez subir foi o sentimento de uma oferta e demanda mais apertada, além do movimento dos fundos especulativos”, disse o analista de café Fernando Maximiliano, da consultoria INTL FCStone. O preço do café arábica fechou o ano com alta de 27,7%  na Bolsa de Nova York, a US$ 134,25 a saca. O conillon chegou a ir no mesmo embalo de crescimento em outubro, mas estabilizou em novembro e caiu em dezembro, fechando a US$ 75,65, queda de 11,2% durante o ano.

Segundo Maximiliano, os preços do conillon não reagiram devido produção recorde do Vietnã, de 32,2 milhões de sacas. “Os preços do conillon se mantiveram pressionados por conta da alta produção do Vietnã”,  afirmou. 

E para 2020 as expectativas de melhoria no preço não são boas por conta de ser um ano de melhor produtividade – a cultura   possui uma bienalidade, em um ano produz mais e no outro a produção cai. Mas com relação ao café conillon, por conta da redução da área plantada em 2019, a estimativa é de redução da produção com relação a 2018 – deve ficar em 106,6 mil toneladas, ou 1,8 milhão de sacas de 60 kg.

“Dessa forma, a menos que haja recuperação dos preços nos próximos meses, não se aguarda aumento nos investimentos em tratos culturais e adubação, o que pode comprometer o rendimento das lavouras ao longo do ano”, diz  Rodrigo Anunciação, da Supervisão de Pesquisas Agropecuárias do IBGE.


Safra  de grãos tem queda de 11,15%
Informações do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA)  apontam que a safra baiana de grãos, em 2019, ficou em 8.283.660 de toneladas, 11,15% menor que a de 2018 (9.323.119 toneladas). Nos grãos, o destaque maior é para a produção do milho segunda safra, que em 2019 ficou em 276 mil toneladas, alta de 482,2% em relação a 2018, quando a produção foi de 47,4 mil toneladas. A safra de feijão também teve crescimento expressivo, de 117,6 mil toneladas, 357,2% a mais que 2018, que teve 25,7 mil toneladas produzidas.

Em 2019, segundo a pesquisa do IBGE, a Bahia deixou de produzir arroz – em 2018 a produção chegou a 9.126 toneladas. A produção de mandioca foi a que mais teve queda  ano passado: em 2018 foi de 1,52 milhão de toneladas e em 2019 de 963 mil toneladas.

No agronegócio baiano,  destaque para o algodão herbáceo plantado no oeste da Bahia. A produção fechou 2019 com alta de 19,7% em relação a 2018, acima do previsto ao longo do ano passado, entre 15 e 17%. A Bahia, em 2019, teve produção de algodão de 1,494 milhão de toneladas – em 2018 foi de 1,248 milhão de toneladas. 

A soja, por sua vez, teve queda de 14,98%, com produção de 5,3 milhões de toneladas, ante as 6,2 milhões de toneladas produzidas em 2018. Queda semelhante a da soja teve a produção de cacau, de 14,32%. Concentrada no sul da Bahia, a produção de cacau fechou 2019 em 105.018 toneladas, sendo que em 2018 foi de 122.568.

Numa análise breve, o IBGE informou que a safra 2019, apesar de menor que 2018, está entre as melhores da Bahia, conforme a série histórica, e que a de 2018 é que foi “um ponto fora da curva”. 

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