'Eu a liberto, mas quero responsabilização', diz Marinúbia sobre Kátia Vargas

salvador
03.08.2018, 02:00:00
Atualizado: 03.08.2018, 13:50:34

'Eu a liberto, mas quero responsabilização', diz Marinúbia sobre Kátia Vargas

Julgamento de apelação contra absolvição será retomado dia 16 de agosto

Durante todo o julgamento, a enfermeira Marinúbia Gomes se manteve de olhos fechados. Sentada na segunda fileira, atrás dos advogados de defesa da médica oftalmologista Kátia Vargas Leal Pereira, a enfermeira não tirava a mão de seu terço, pendurado no pescoço, na tarde desta quinta-feira (2), no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). Seus familiares, que ficaram ao seu lado, foram às lágrimas com a decisão de dois desembargadores para anular o júri popular que inocentou a médica. 

O destino de Marinúbia e Kátia foram cruzados em outubro de 2013, quando Emanuel e Emanuelle, 21 e 23 anos, filhos da enfermeira, morreram em um acidente de trânsito em Ondina. Kátia Vargas é acusada de ter ocasionado o acidente jogando seu carro contra a moto em que os irmãos estavam. 

Apesar de a maioria no julgamento já ter sido alcançada, a sessão do TJ-BA não terminou. Um pedido de vista do terceiro e último desembargador votante, Mário Alberto Hirs, adiou a decisão para o próximo dia 16, às 13h30. 

Comovida, Marinúbia deu entrevistas após o julgamento afirmando que o voto dos dois desembargadores era proveniente da “justiça de Deus”. Seu marido e padrasto de Emanuel e Emanuelle, Otto Malta, teve uma queda de pressão e chegou a desmaiar fora da sala.

Marinúbia com o promotor de Justiça, Davi Gallo, após adiamento de sessão (Foto: Júlia Vigné/CORREIO)

Na frente do TJ-BA, ela era aguardada pelas amigas. No início, o grupo era só lágrimas de felicidade. Bordões que foram gritados nesses cinco anos foram repetidos por elas. "Júri popular para impune não ficar" e "queremos justiça" foram entoados. Uma grande felicidade, até que Marinúbia foi ao chão. Ajoelhada, a mãe lamentou a morte de seus dois filhos, que foram tiveram suas vidas ceifadas em um violento acidente.

"Todas as mães vão ver, Emanuel, que ninguém fica impune. Todas as mães vão lavar as suas almas na justiça de Deus porque você é livre, meu filho, tá tudo curado, tudo perdoado. Você é como um pássaro", disse Marinúbia chorando e segurando um banner com a foto do filho Emanuel. No banner, a frase "Emanuel.. uma vida de amor e generosidade!" estava escrita.

Marinúbia ficou por mais de 10 minutos no local sendo amparada por suas amigas e por seus familiares. Apesar de todo seu sofrimento com a perda de seus filhos, Marinúbia disse que não queria que a médica oftalmologista fosse submetida “a terror”. “Nós não queremos a dor nem o sofrer de ninguém. Emanuel era um coração bom, um coração generoso. (...) Ele já libertou Kátia Vargas, eu a liberto também, mas queremos que a responsabilidade seja dada”, bradou.

Em seu discurso, Marinúbia disse que nunca foi a um psicólogo ou psiquiatra. Que era forte. E que ela tinha que ter forças para seguir lutando. A força de Marinúbia terá que aguentar pelo menos mais um dia no tribunal, quando o desembargador Mário Hirs votará. Pelo que tudo se indica, o caso não ficará por aí. Partes do processo já falam em recursos, que poderão ser pedidos no próprio TJ-BA, ou no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Todo o caso pode até mesmo chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF), maior instância do Judiciário brasileiro. 

Veja o vídeo em que Marinúbia fala sobre seu posicionamento atual em relação a Kátia Vargas.

Julgamento
Dois dos três desembargadores da Segunda Turma da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) sorteados para analisar o pedido de anulação do júri da médica Kátia Vargas Leal Pereira, absolvida da morte dos irmãos Emanuel e Emanuelle Gomes Dias, 21 e 23 anos, votaram a favor da apelação. Apesar de terem acatado o pedido do Ministério Público do Estado (MP-BA), que considerou a decisão dos jurados contrária às provas apresentadas, o julgamento da anulação foi adiado por conta de um voto de vista do desembargador Mário Alberto Hirs. Os três desembargadores foram sorteados dentre os cinco que fazem parte da Segunda Turma da Câmara. Mesmo com a maioria firmada, o julgamento ainda não terminou. Os desembargadores que já votaram podem alterar seus entendimentos, caso considerem necessário.

Durante a análise do recurso, nesta quinta-feira (2), o desembargador relator do caso, José Alfredo Cerqueira, defendeu que o tribunal do júri que absolveu Kátia Vargas em dezembro de 2017 deve ser anulado. Ele foi acompanhado pelo revisor, desembargador João Bosco de Oliveira Seixas. No terceiro voto, houve o pedido de vista, por necessidade de maior tempo para analisar os autos. O desembargador Mário Alberto Hirs afirmou que o caso é “contraditório e complicado”.

O julgamento analisa se o tribunal popular, realizado em primeiro grau, em dezembro do ano passado, deve perder efeito. O pedido de anulação foi realizado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA). O recurso interposto pelo MP-BA ainda requeria a anulação do perito utilizado pela defesa no primeiro julgamento, o que foi negado pelos desembargadores em unanimidade.

Relembre o caso
Os irmãos Emanuel, 21 anos, e Emanuelle, 23, morreram na manhã de 11 de outubro de 2013, depois que a moto em que eles estavam bateu em um poste em frente ao Ondina Apart Hotel. Na época, testemunhas disseram que Kátia Vargas saiu com o carro da Rua Morro do Escravo Miguel, no mesmo bairro, e fechou a passagem da moto pilotada por Emanuel, que levava a irmã na garupa, no sentido Rio Vermelho.

Após uma parada no sinal, Emanuel teria protestado contra a atitude da médica, batendo com o capacete contra o capô do carro. Foi quando o sinal abriu para a moto, mas não para o carro da médica, que faria um retorno no sentido Jardim Apipema.

A médica, então, segundo as investigações, furou o sinal vermelho e acelerou o veículo em direção à motocicleta. Foi quando Emanuel perdeu o controle da direção e se chocou contra o poste, em alta velocidade. Ele e a irmã morreram na hora. Após o impacto, a médica chegou a entrar na contramão e bateu, alguns metros à frente, no portão do Ondina Apart Hotel.

Ela ficou internada no Hospital Aliança e saiu de lá direto para o Presídio Feminino de Salvador, na Mata Escura, onde ficou presa por 58 dias, até ter o alvará de soltura assinado pelo juiz Moacyr Pitta Lima, no dia 16 de dezembro de 2013.


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