‘Faz cócegas’: estudantes de Cajazeiras começam a ser testados para covid-19

salvador
30.09.2020, 15:55:00
Atualizado: 30.09.2020, 16:07:13
Teste foi realizado em uma das salas da escola (Foto: Marina Silva/ CORREIO)

‘Faz cócegas’: estudantes de Cajazeiras começam a ser testados para covid-19

Serão 21 escolas e quase 22 mil alunos, professores e servidores públicos examinados

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Uma coceirinha no nariz e uma vontade de espirrar. Foi assim que os estudantes do Colégio Edvaldo Brandão Correia, em Cajazeira IV, descreveram o teste para o novo coronavírus realizado na unidade, nesta quarta-feira (30). O exame do tipo RT-PCR será aplicado em 21 escolas da região e a expectativa é testar 21,8 mil alunos, professores e servidores públicos até o dia 9 de outubro.

Primeiro dia foi de movimento intenso (Foto: Mariana Silva/ CORREIO)

O estudante do 1º ano do ensino médio Albérico Júnior, 16 anos, chegou tranquilo para fazer o exame. Apoiou o skate do lado de fora da sala onde os testes estavam sendo aplicados, cumprimentou as funcionárias da saúde e sentou na cadeira. Saiu da sala lacrimejando.

“Eu achei que estava preparado para tudo. Pensei: ‘se tiver que escolher, vou escolher o exame que fura o dedo’, mas infelizmente não foi assim. Faz cócegas e faz a gente chorar. Todo mundo saiu chorando. Eu pensei que não ia acabar, e o ruim é que a gente não pode contrair a face, mas já foi”, disse, aliviado. Mas o principal incômodo de Albérico foi quando a amiga dele, Ana Beatriz Fernandes, 16 anos, saiu plena da sala.

“Você não chorou? Eu não acredito”, questionou.

Albérico sentiu cócegas durante o exame (Foto: Marina Silva/ CORREIO)

Ela foi ligeira na resposta. “Foi tranquilo e foi rápido. Todo mundo estava com medo, mas o medo é psicológico. Eu já sabia que o exame seria assim, e vim porque minha mãe é faixa de risco. Achei legal a ideia de testas os estudantes pela consciência de saber como está a comunidade escolar, nosso colégio ser muito grande, e é importante saber como está a taxa [de contaminação] para pensar o retorno das aulas”, afirmou.

Ana Beatriz ficou tranquila e disse que o medo é psicológico (Foto: Marina Silva/ CORREIO)

Os dois voltaram para casa rindo da situação. Os testes estão sendo aplicados em escolas nos bairros de Cajazeiras IV, V, VI, VII, VIII e X, Fazenda Grande II, Dom Avelar, Águas Claras, Castelo Branco, e Valéria. A previsão é a de serem testados 20.625 estudantes, 733 professores e 524 funcionários, até o dia 9 de outubro. A primeira fase de testagens da comunidade estudantil em Salvador aconteceu no Subúrbio Ferroviário, entre 30 de agosto e 23 de setembro, mas teve pouca adesão.

O coordenador de articulação de Projetos para a Educação da SEC, Hélder Amorim, contou que apenas 30% do público compareceu às 29 unidades do Subúrbio onde foram realizados os testes e 9 mil estudantes foram testados, com cerca de 5% de casos positivos. Ele pediu aos alunos e professores que façam os exames.  

“Essa é uma ação do governo para que a gente possa cuidar da população, então, é importante que as pessoas venham. Por maior que tenha sido a adesão, ela ainda pode ser melhor. Esse não é um teste que se acha com facilidade e ele tem um custo alto para uma pessoa pagar, então, a população está tendo acesso a uma política interessante. É importante perder o medo e fazer o teste”, contou.

Hélder Amorim pediu que público compareça às escolas (Foto: Marina Silva/ CORREIO)

O exame já foi realizado também nos municípios de Itajuípe, Ipiaú, Itabuna, Ilhéus, Uruçuca, Jequié e no Subúrbio Ferroviário de Salvador. A iniciativa é desenvolvida pelas secretarias estaduais da Educação (SEC) e da Saúde (SESAB), com a aplicação de testes do tipo RT-PCR, realizados pelo Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN).

Confira o cronograma:

 - No dia 30 de setembro, o Colégio Estadual Batista Neves, escola-polo do bairro de Cajazeiras V, atende a sua própria comunidade escolar, assim como a da Escola Estadual Deputado Naomar Alcântara;

- Ainda no dia 30, o Colégio Edvaldo Brandão Correia, escola-polo do bairro de Cajazeira IV, atende a sua própria comunidade escolar;

- Em Cajazeiras VI, o Colégio Estadual Ana Bernardes, escola-polo do bairro, recebe a sua própria comunidade escolar no dia 1º de outubro;

- O Colégio Estadual Luiz Fernando Macedo Costa, escola-polo de Cajazeira VII, também atende, no dia 1º de outubro, a sua comunidade escolar;

- O atendimento segue no dia 2 de outubro, com o Colégio Estadual Rafael Oliveira, escola-polo de Cajazeira VIII, recebendo sua própria comunidade escolar;

- E no mesmo dia 2, o Colégio Estadual Professor Nelson Barros, escola-polo de Cajazeira X, atende a sua própria comunidade escolar, assim como a do Colégio Estadual Dona Mora Guimarães.

- Na Fazenda Grande II, o Colégio Estadual Luis José de Oliveira, escola-polo do bairro, recebe, no dia 5 de outubro, as comunidades escolares da própria unidade escolar, além das comunidades do Colégio Estadual Oliveira Brito e da Escola Estadual Lea Leal;

- Também no dia 5, o Colégio Estadual Conselheiro Vicente Pacheco de Oliveira, escola-polo do bairro Dom Avelar, atende a sua própria unidade escolar;

- Em Águas Claras, os colégios estaduais Renan Baleeiro e Santa Rita de Cássia, escolas-polo do bairro, recebem, respectivamente, as suas comunidades escolares no dia 6 de outubro;

- No dia 7 de outubro, também recebem as suas comunidades escolares, o Colégio Estadual Raymundo de Almeida Gouveia e a Escola Professor Roberto Santos, escolas-polo do bairro Castelo Branco;

- Em Valéria, o Colégio Estadual Professora Noemia Rego, escola-polo do bairro, atende sua própria unidade escolar, no dia 8 de outubro;

- No mesmo dia 8, o Colégio Estadual Eduardo Bahiana, escola-polo do bairro de Fazenda Grande II, atende sua própria unidade escolar. E no dia 9 de outubro, recebe a comunidade escolar do Colégio da Polícia Militar (CPM) – Dona Leonor Calmon.

- Ainda no dia 9, o Colégio Estadual Dinah Gonçalves, também escola-polo de Valéria, atende sua própria comunidade escolar, assim como  a do Colégio Estadual Nossa Senhora de Fátima.

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