Férias no campo: conheça as opções de turismo rural na Bahia

sustentabilidade
06.01.2020, 06:00:00
Atualizado: 06.01.2020, 17:53:57

Férias no campo: conheça as opções de turismo rural na Bahia

Empreendimentos oferecem experiências diversas, como colher morangos e tirar leite diretamente da vaca

Andar de charrete, colher frutas fresquinhas, pescar o próprio peixe, sentir o cheio de mato, tomar banho de cachoeira, ouvir o canto dos pássaros ou, simplesmente, deitar num varandão para contemplar uma paisagem natural que se estenda além do horizonte. 

Atrás destas sensações muita gente tem pego o caminho da roça. Elas estão em busca dos atrativos do turismo rural na Bahia. Gente que quer desacelerar, descansar, desestressar ou proporcionar aos filhos experiências longe do asfalto e de equipamentos eletrônicos.

Seja chamadao de turismo rural, agroturismo ou turismo de experiência, não há dados oficiais sobre quanto este segmento turístico diferenciado movimenta na Bahia. Em muitas fazendas o atendimento ainda é mantido de modo informal, e nem todas oferecem serviço de hospedagem, apenas Day Use, opção de visita sem pernoite. Apesar da carência de dados, segundo a Associação Baiana de Agências de Viagens (Abav) este é um nicho promissor.

“Nós temos percebido uma crescente procura, inclusive do cidadão soteropolitano que tem viajado mais no próprio estado. O setor tem se estruturado para atender estas pessoas que querem percorrer montanhas, rios, cachoeiras e conhecer cenários diferentes dentro da Bahia”, afirma Claudio Almeida, superintendente da Abav.

TENDÊNCIA

O agroturismo é uma tendência mundial. Cada vez mais gente quer viver a experiência de colher o alimento direto nas lavouras, entender como se mantem um pomar de pé, ou de que forma se cultiva uvas em pleno sertão. Melhor ainda se der para tomar aquele cafezinho quentinho com grãos cultivados pelos próprios anfitriões. Durante o passeio dá ainda para conhecer a história do lugar, ver de perto casarões coloniais seculares e testemunhar a diversidade de biomas da Bahia.  

Estima-se que existem no estado mais de 60 hotéis fazenda. As opções são muitas e se espalham por todas as regiões, do agreste ao cerrado. São desde pequenas fazendinhas rústicas, que permitem acompanhar de perto a rotina dos moradores, até hotéis mais sofisticados que aliam conforto à rotina rural.

A diversidade vai de belas chácaras instaladas às margens de rios no Oeste ao exuberante cenário do Vale do Pati, na Chapada Diamantina, onde os poucos habitantes transformaram as casas em acolhedoras hospedarias. Ainda na Chapada dá para colher amoras, morangos e café no meio da plantação. 

Quem dispõe de um tempinho livre a mais, vale seguir até áreas mais distantes para conferir o processo de produção em antigas fazendas ou mergulhar em caudalosas cachoeiras.

Já quem está na capital não precisa ir muito longe. Existem opções a menos de cem quilômetros de Salvador, ideais para quem quer fugir da zona urbana nem que seja por um dia. 

O CORREIO mostra abaixo algumas opções de roteiros rurais no estado. São alternativas de passeio cheias de histórias e criadas por pessoas que transformaram sonhos em hospitalidade.

RECÔNCAVO

O casarão imponente do século XVII logo se destaca na paisagem assim que o visitante chega perto do Monte Recôncavo, na zona rural de São Francisco do Conde, a 60 quilômetros de Salvador. É nele que são servidas as refeições para os hóspedes.  Ao redor, a plantação de cacau e o pomar de banana dividem espaço com uma extensa faixa de mata atlântica, ainda preservada, que se prolonga até as margens da Baía de Todos os Santos. No alto a capela em estilo renascentista proporciona uma vista panorâmica.

A Engenho D´água é uma das fazendas mais antigas da Bahia e guarda histórias centenárias da época da colonização e da luta pela independência do Brasil. Ela chegou a ficar em ruínas, mas foi totalmente reconstruída graças ao empenho do produtor rural Mário Ribeiro. Depois que adquiriu a propriedade, ele passou quase quinze anos reformando o lugar. Tudo foi reerguido, da casa grande à senzala, transformada em área de festa.


A antiga fazenda de cana-de-açúcar foi reconstruída e recebe hóspedes que queiram conhecer de perto a arquitetura, a história e o cotidiano do local. (Foto: divulgação)

Nos últimos anos a fazenda virou referência em gestão rural e área de pesquisa para especialistas e estudantes. No ano passado, o conjunto arquitetônico conquistou o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em reconhecimento pelo trabalho de restauração e revitalização do acervo.

A fazenda sempre recebeu hóspedes em dias de festa temática, como o São João, e em eventos reservados, como casamentos, e desde o ano passado também passou a contar com uma hospedaria, com chalés reservados. Quem se hospeda no local tem acesso aos espaços históricos da fazenda, pode passear a cavalo, pescar, percorrer trilhas na mata e conhecer o processo produtivo.

Os chalés têm capacidade para até seis pessoas, e a diária custa R$ 1.200. Além do café da manhã, feito com iguarias deliciosas produzidas com ingredientes da fazenda, a diária inclui almoço e jantar acompanhado por vinhos e espumantes servidos ao pôr do sol. 

“Nós gostamos de proporcionar ao hóspede uma convivência harmoniosa entre o patrimônio histórico e o agronegócio. Ele tem a oportunidade de vivenciar, junto com a equipe da fazenda, todas as etapas relativas a produção e o beneficiamento do cacau, além de consumir os alimentos produzidos no local, como o leite, os queijos e as polpas de frutas naturais”, afirma o produtor rural.

Capela da fazenda ainda serve de espaço para eventos como casamentos. Do alto a vista é panorâmica para a Baía de Todos os Santos. (Foto: divulgação)

Para quem não quer dormir na hospedaria, e prefere apenas passar um dia, com permanência de até seis horas, o valor é de R$ 120,00 por pessoa. Esta opção de Day Use está disponível apenas para grupos com no mínimo 10 pessoas. O valor inclui almoço completo, com entrada e pratos principais, e visitação a área da fazenda.

Para permanência mais curta, de apenas três horas, sem refeições, o valor é R$ 60, também para grupos com no mínimo dez pessoas. Todas as opções exigem agendamento prévio. 

LINHA VERDE

Que tal misturar o cheiro da mata atlântica com a brisa do mar? No Litoral Norte da Bahia uma das opções de turismo rural é o Hotel Fazenda Água da Prata, no município de Camaçari, entre Guarajuba e Praia do Forte.

O hotel fica no alto de um morro, numa antiga fazenda produtora de limão, e oferece passeios a cavalo, pesca no rio, quadra de vôlei, piscina, charrete e parque infantil. 

Um dos grandes diferenciais é a gastronomia. Entre os ingredientes são utilizados produtos orgânicos retirados do pomar e da granja da própria fazenda, como galinha caipira e sucos de frutas naturais, como caju, graviola, carambola e jabuticaba. O menu conta ainda com receitas que misturam a culinária baiana com a mediterrânea, como Gnocchi Al Gorgonzola e Zuppa de Brócolis e Abóbora.

A ponte que une as duas culturas é feita pelo dono, Carlo Giovanni Giliberti. Italiano e apaixonado pela Bahia, ele decidiu montar o empreendimento depois de várias décadas trabalhando na indústria de moda de calçados exclusivos na Itália.


O clima aconhegante invade a noite nos varandões do Hotel Fazenda Água de Prata em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. (Foto: divulgação)

A inspiração veio do agroturismo tradicional na Toscana italiana, e tem como destaque a arquitetura em coluna de tijolos, com decoração caprichada.

“Não tem nada de luxo, mas não é apenas um hotel fazenda, é muito mais. Ficamos a apenas 35 minutos de Salvador, os hóspedes podem aproveitar a área verde para oxigenar o pulmão, respirar o cheiro da grande floresta tropical, esquecer o celular e o estresse da metrópole, dormir bem e descansar, aproveitando a diversidade da nossa culinária”, afirma Carlo.

A diária custa R$ 420,00 por casal, com café de manhã e jantar a noite, e criança com até 4 anos não paga. Já o Day Use sai por R$ 120 por pessoa, com café da manhã, almoço e lanche. No Day Use criança até 11 anos não paga.

Hotel Fazenda Água de Prata promete clima bucólico e tranquilo no litoral de Camaçari. (Foto: divulgação)

RAINHA DO SUL

Enquanto as amêndoas secam na barcaça, os hóspedes podem percorrer o pomar, ver o processo de produção do chocolate fino, plantar mudas, percorrer trilhas dentro da exuberante Mata Atlântica ou visitar o Memorial do Cacau. 

Instalado dentro da Fazenda Rainha do Sul, em Camacã, a 525 quilômetros de Salvador, o acervo conta a história da produção deste alimento, cultuado como sagrado desde os antigos reis astecas. 

Percorrendo o local se descobre fatos pitorescos envolvendo este alimento, como o período em que Igreja Católica chegou a proibir o consumo de chocolate por considerá-lo excitante. O projeto de instalação do museu partiu da produtora rural, assistente social e psicoterapeuta Maria Joaquina Moura Pinto, conhecida carinhosamente como Marita. Declarada apaixonada pela história do cacau, ela faz parte da sétima geração da família a produzir o fruto no sul da Bahia. Viveu o auge e a decadência do ciclo cacaueiro afetado pela doença da vassoura-de-bruxa. Foi durante esta fase transformadora para a economia da região que ela decidiu receber hóspedes.

“Com o pomar afetado pela doença, nós tivemos que erradicar todos os pés de cacau e a produção, que antes atingia até 12 mil arrobas por ano, chegou a zero. Nós perdemos tudo, só ficaram as casas. Então passamos a receber visitantes e fomos reconstruindo nossa história e a produção de cacau”, conta.

A retomada já dura 25 anos. De lá para cá foram plantadas mudas clonadas e a produção atual chega a 600 arrobas por ano. O foco agora é a fabricação do cacau fino, gourmet, selecionado e fermentado de forma diferenciada. Considerado de qualidade excelente, ele custa até quatro vezes mais no mercado internacional.


As antigas instalações da Fazenda Rainha do Sul foram adaptadas para receber os hóspedes que queiram mergulhar no turismo rural da região cacaueira. (Foto: divulgação)

As casas antes ocupadas pelos antigos funcionários deram lugar a dez apartamentos adaptados para hospedagem. Os quartos têm capacidade para até quatro pessoas. 

A fazenda fica as margens da BR-101, no KM 580. A diária individual custa R$ 85 reais, com o café da manhã. Criança até cinco anos não paga.

Para quem pretende apenas passar o dia no local, as visitas a fazenda e ao acervo custam R$ 20,00 por pessoa. O valor cai para R$ 10 caso a visitação seja em grupo. As reservas devem ser realizadas com antecedência, tanto para a hospedagem, quanto para a visitação.

O acervo traz ainda um memorial sobre a história de Camacã, que já foi uma das principais produtoras de cacau do Brasil. Como parte das ações de responsabilidade social, a fazenda costuma receber grupos de alunos de escolas da região. “Que as próximas gerações possam entender a importância deste trabalho valorizado no mundo inteiro. O nosso objetivo é repassar este conhecimento, resgatar o valor de todos que trabalham nesta cadeia produtiva e resignificar a importância do cacau”, afirma a produtora rural.


Um dos atrativos da Fazenda Rainha do Sul é o memorial que conta a história do cultivo do cacau. (Foto: divulgação)

AGRESTE

Fora do roteiro das praias e do litoral, uma das opções é o Solar dos Ventos Hotel Rural, na zona rural do município de Pojuca, a 67 Km da capital, cerca de uma hora de viagem, no agreste da Bahia. A fazenda ocupa uma área de trinta hectares e oferece lago para pesca esportiva, passeios a cavalo e charrete, área para caminhadas, piscina com cascata, sauna e campo de futebol. O hóspede pode ainda acompanhar a ordenha das vacas e a criação de aves.

O espaço não recebe hóspedes avulsos, só atende grupos com mais de 60 pessoas. O hotel fazenda é administrado pelo advogado Edmundo Sampaio Jones, que passou as últimas três décadas erguendo o empreendimento. 

“É um sonho. Eu comprei este pedacinho de terra e me joguei para fazer o projeto. Primeiro era apenas um refúgio para os amigos, mas foi crescendo e virou uma pousada. Hoje temos 210 leitos e já estamos erguendo outras 60 suítes”, conta.

A diária custa R$ 150 por pessoa, e inclui café da manhã, almoço e jantar. A reserva deve ser feita com antecedência e só é permitida para grupos.

Solar dos Ventos Hotel Fazenda fica na zona rural de Pojuca e só recebe hóspedes em grupo. (Foto: divulgação)

SUDOESTE DAS ÁGUAS

Quem está de passagem pelo médio sudoeste da Bahia, vale chegar até Iguaí. O município fica numa área de serras e vales, tem dezenas de rios, possui cento e oitenta cachoeiras catalogadas e mais de duas mil nascentes. 

A economia da região até agora era marcada pela pecuária leiteira, mas vem ganhando destaque também no turismo rural. Uma das opções é o Hotel Fazenda Princesa Ester. A fazenda, produtora de cacau, fica a cerca de 7 quilômetros do centro da cidade e possui quarenta hectares de mata nativa preservada. 

Além de trilhas, o hóspede pode conhecer de perto o cotidiano da fazenda, o manejo do gado e o processo de colheita. O espaço possui ainda piscina adulto e infantil, salão de jogos, espaço para eventos e restaurante exclusivo para os hóspedes.


Hotel Fazenda Princesa Ester fica em Iguaí, no médio sudoeste da Bahia. Trilhas na mata nativa e turismo de experiência na plantação de cacau são principas atividades de lazer. (Foto:divulgação)

O projeto é coordenado pelo produtor rural Nelo Ferrari, que passou a se dedicar ao turismo depois de décadas trabalhando na aviação.

“Esta região é ótima para o turismo rural, de aventura e para o turismo ecológico. Iguaí tem uma quantidade de água diferenciada em relação a outras regiões da Bahia. E aqui o hóspede pode ter sossego e lazer, fazer uma imersão no campo e experimentar alimentos da roça”, afirma o produtor rural.

A fazenda fica a 18 quilômetros da Área de Proteção Ambiental Serra do Ouro. As cachoeiras estão a uma distância média de 7 a 27 km do hotel, e o acesso pode ser feito de carro.

A fazenda possui oito apartamentos climatizados. A diária custa R$ 200 (individual) e R$ 250 (casal), incluindo o café da manhã. Crianças com menos de 5 anos não pagam, e há preços diferentes para crianças e adolescentes de 6 a 17 anos. A reserva deve ser feita com antecedência. Iguaí fica a 110 km de Vitória da Conquista, a 150 km de Ilhéus e a quase 500 km de Salvador.

Em tupi-guarani, Iguaí significa "fonte de beber água". A região possui 180 cachoeiras catalogadas. (Foto: Divulgação)


SERVIÇO: Mais informações.

RECÔNCAVO: Fazenda Engenho D´água (São Francisco do Conde): Telefone: (071) 9.9602.5851. www.fazendaengenhodagua.com.br

LINHA VERDE: Hotel Fazenda Água da Prata (Camaçari): Telefone: (71) 3626-2727. www.hotelfazendaaguadaprata.com.br  

SUL: Fazenda Rainha do Sul (Camacã): Telefone:(73) 3692-2142. www.fazendarainhadosul.com.br

AGRESTE: Solar dos Ventos Hotel Rural (Pojuca): Telefone:(71) 99982-5963. www.solardosventoshotelrural.com.br

SUDOESTE: Hotel Fazenda Princesa Ester (Iguaí): Telefone: (71) 9.81717984. Contato: Instagran: htlfazprincesaester
 

Hospedaria funciona dentro da Fazenda Engenho D´Água em São Francisco do Conde, recôncavo baiano.
Hospedaria funciona dentro da Fazenda Engenho D´Água em São Francisco do Conde, recôncavo baiano. ((Foto: divulgação))
Solar dos Ventos Hotel Fazenda fica no Riachão, município de Pojuca. Só recebe hóspedes em grupo depois de agendamento..
Solar dos Ventos Hotel Fazenda fica no Riachão, município de Pojuca. Só recebe hóspedes em grupo depois de agendamento.. ((Foto: divulgação))
40 hectares de mata nativa foram preservados ao redor do Hotel Fazenda Princesa Ester, em Iguaí.
40 hectares de mata nativa foram preservados ao redor do Hotel Fazenda Princesa Ester, em Iguaí. ((Foto; divulgação))

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