Festival lança capacitações artísticas gratuitas para público LGBTQIA+

correio afro
22.10.2021, 16:34:00
A artista Jup do Bairro dará uma aula de construção musical e literária em parceria com Badsista (Foto: Isac Oliveira)

Festival lança capacitações artísticas gratuitas para público LGBTQIA+

Iniciativa é dos coletivos Afrobapho e MARSHA!

Afrobapho e MARSHA! são potências de inovação, inclusão e diversidade na cena de produção cultural e artística brasileira, com grande impacto social e político. Promovendo conexão entre Bahia e São Paulo, os coletivos lançaram o Circuito Arti (Autonomia, Restituição, Transformação e Interação), com cursos de formação e qualificação profissional nas áreas de Gestão e Empreendedorismo Cultural, Produção Musical e Direção Artística, além de podcasts, Festival híbrido e demais atividades numa programação Online que irá até o fim do ano.

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A Série de Formação acontecerá entre 8 e 25 de Novembro, com 11 aulas online e gratuitas para todo o país,  ministradas por personalidades da música e cultura brasileira como Jup do Bairro, Badsista, Ciça Pereira, Dandara Pagu, Gabriela Chaves da NoFront, Felipa Damasco, entre outras.  Os alunos ainda poderão concorrer a vagas de estágio no Festival Arti, que acontecerá em Dezembro. 

O público-alvo são pessoas negras e LGBTQIA+, sendo 40% das vagas destinadas a transexuais e travestis. A programação completa está disponível nas redes dos coletivos e as inscrições, com vagas limitadas, estão abertas até o dia 28 de Outubro pelo link.

O Circuito Arti foi pensado para viabilizar políticas de acesso e inclusão de populações vulnerabilizadas na sociedade, sendo estes os fios condutores das articulações de ambos coletivos realizadores. 

O projeto tem o objetivo de formar pontes para o futuro alcançando de forma interseccional o público alvo das comunidades negra e LGBTQIA+. Além  disso, toda a frente de produção e equipe de apoio será formada por pessoas negras, LGBTQIA+. 

Fundadora da coletividade MARSHA! e uma das curadoras do Natura Musical 2021, A Transälien explica que o Circuito ARTI deriva da intersecção entre os movimentos negro e LGBTQIA+, que são as frentes da Afrobapho e MARSHA!, em prol de interesses políticos em comum: enfrentar de forma propositiva os problemas históricos de acesso a educação e inserção no mercado de trabalho, efeito da ausência de políticas públicas para essas comunidades no Brasil.

Ela explica que a equipe de ministrantes conta com 8 mulheres cisgêneras e 3 pessoas trans, como maneira de descentralizar a presença hétero-cis-masculina em lugares de poder e, nesse caso, na produção de saberes, esse resultado também é um reflexo da escassez de pessoas trans atuantes nas áreas trabalhadas. 

"Por este motivo, a formação tem enfoque no público T [trans]. Assim, visamos promover capacitação a fim de gerar autonomia e reintegração social, bem como fomentar a ampliação da diversidade no ecossistema de profissionais da cultura, formando pontes para uma sociedade mais justa e plural.”, explicou. 

O CIRCUITO ARTI é um dos projetos contemplados pelo Edital Natura Musical 2020, ao lado de nomes como Linn da Quebrada, Bia Ferreira, Juçara Marçal, Kunumi MC, Rico Dalasam. Ao longo dos 16 anos, Natura Musical já ofereceu recursos para mais de 140 projetos no âmbito nacional, como Lia de Itamaracá, Mariana Aydar, Emicida, Jards Macalé e Elza Soares.

“Nós acreditamos no impacto transformador que a música pode ter no mundo. E os artistas, bandas e projetos de fomento à cena selecionados pelo edital Natura Musical têm essa potência de mobilizar o público na construção de um mundo mais bonito, cada vez mais plural, inclusivo e sustentável”, afirma Fernanda Paiva, Head of Global Cultural Branding. 
 

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