Fiéis fazem fila para celebrar Santa Dulce no Largo de Roma

salvador
13.08.2021, 09:37:00
Atualizado: 13.08.2021, 13:34:10
(Paula Froés/CORREIO)

Fiéis fazem fila para celebrar Santa Dulce no Largo de Roma

Santuário ficou lotado para missa celebrada por D. Sergio da Rocha

Sexta-feira 13 pode ser um dia de mau agouro para muita gente, mas não para os católicos, em especial para os baianos que hoje celebram o dia de Santa Dulce dos Pobres. O Santuário que homenageia a religiosa, no Largo de Roma, amanheceu em festa e com fila. Uma missa celebrada pelo arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, cardeal D. Sergio da Rocha, maior autoridade da Igreja na Bahia, levou centenas de fiéis ao templo.

Por conta da pandemia o Santuário não pode receber 100% da capacidade e os religiosos tiveram que manter o distanciamento. Uma fila foi organizada do lado de fora do templo, enquanto os funcionários tentavam acomodar o máximo de pessoas possível. Outros fiéis desistiram de entrar e assistiram à missa pelas portas laterais da igreja. 

Dulce foi homenageada de diversas formas (Foto: Paula Fróes/ CORREIO)

Durante a homilia Dom Sergio disse que a forma como Santa Dulce viveu foi o maior exemplo de fé que ela deixou e pediu que os devotos pratiquem o amor e a caridade para com o próximo, seja ele uma pessoa conhecida ou não.

“Foi um testemunho de caridade que continua a produzir frutos na vida da Igreja, através de pessoas que inspiradas na vida de Santa Dulce manifestaram amor fraterno, principalmente, em tempos de pandemia. Precisamos viver como Santa Dulce viveu para tornarmos o mundo mais humano, justo e fraterno”, afirmou.

Muitos devotos vestiram branco, levaram objetos com a imagem da santa, como camisetas, santinhos e até bonecos e pequenas esculturas. A superintendente das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), Maria Rita Pontes, sobrinha da santa e que atualmente comanda a instituição que Irmã Dulce começou em um pequeno galinheiro, agradeceu a participação de todos.

“Nesses tempos difíceis da pandemia a gente tem que se lembrar sempre de Santa Dulce, do que ela fez enquanto viveu e o que ela continua fazendo em suas obras pelos mais pobres. Esse é o exemplo que a gente deve seguir. E hoje, no dia litúrgico, temos que pedir a ela forças e a mesma vontade que ela teve para trabalhar por quem mais precisa”, contou.

Devotos levaram objetos com a imagem da santa (Foto: Paula Fróes/ CORREIO)

O público se dividiu entre cânticos e orações, como nas missas comuns, mas alguns se emocionaram. A vice-prefeita Ana Paula Matos acompanhou a cerimônia no primeiro banco e contou que o escritório de projetos sociais da Prefeitura será batizado de Santa Dulce. O local vai desenvolver iniciativas voltadas para o acolhimento de crianças e idosos.

“Hoje é um dia muito especial. Sou apaixonada não apenas por Santa Dulce, mas pela história que essa mulher pequenininha, frágil de saúde, conseguiu construir. De um galinheiro ela fez um hospital, uma obra que se perpetua e faz com que a gente se sinta tocado a fazer mais”, disse.

(Paula Froés/CORREIO)
(Paula Froés/CORREIO)
(Paula Froés/CORREIO)
(Paula Froés/CORREIO)
(Paula Froés/CORREIO)
(Paula Froés/CORREIO)
(Paula Froés/CORREIO)
(Paula Froés/CORREIO)

A data litúrgica de Santa Dulce foi estabelecida em 13 de agosto pelo Papa Bento XVI, em 2011. Em maio daquele ano ela já tinha sido beatificada. A canonização veio oito anos depois, em outubro de 2019, quando a baiana se tornou Santa aos olhos da Igreja e de milhares de fiéis. 

As celebrações seguem ao longo dia, com missas às 12h, 14h e 16h.

Devotos
O Santuário ficou lotado de devotos. Uma caravana com 46 pessoas saiu de Itabaiana, município de Sergipe, para assistir à missa no Largo de Roma, em Salvador. O cirurgião-dentista Marcel Rocha, 32 anos, contou que a cidade tem um oratório em homenagem a santa e que o grupo de religiosos realiza ações sociais.

“Oferecemos cursos profissionalizantes e doação de cestas básicas, entre outras ações. Tudo em Itabaiana, cidade onde aconteceu o primeiro milagre de Santa Dulce. Por eu ser muito amigo da miraculada, da mulher que recebeu o milagre, minha relação com a santa é de muito amor”, disse.

Maciel Rocha saiu de SE para assistir à missa (Foto: Paula Fróes/ CORREIO)

O primeiro milagre de Santa Dulce dos Pobres aconteceu em 2001, quando uma moradora da cidade e Malhador (SE) entrou em trabalho de parto. Ela foi levada para uma maternidade em Itabaiana, município vizinho, mas teve problemas no pós-parto. Os médicos disseram para a família que apenas um milagre poderia salvar a mulher, foi quando ela se apegou a irmã Dulce. O sangramento parou e ela recebeu alta médica no dia seguinte.  

A auxiliar de enfermagem Gildete Brasil, 68 anos, trabalhou com Irmã Dulce e contou que ficou impressionada com a dedicação da freira. “Ela ajudava todas as pessoas, principalmente os mais necessitados. Ela ia até o jardim que ficava na frente do hospital, onde ficavam pessoas que estavam na rua, desabrigadas, e colocava para dentro. Ela tinha o coração muito bom”, contou.

Gildete Brasil disse sentir orgulho de ser baiana (Foto: Paula Fróes/ CORREIO)

A profissional, hoje aposentada, levou para a missa a bandeira do Brasil. O símbolo estava até na máscara que protegia contra a covid-19. Ela explicou. “Irmã Dulce foi uma grande mulher, uma baiana que nos dá muito orgulho, assim como os baianos e os outros brasileiros que venceram na Olimpíada. Trouxe a bandeira para deixar claro o meu orgulho de ser brasileira e de ter esses bons exemplos para seguir”, contou.

Do lado de fora do Santuário, o artista plástico Adilson Guedes, 55 anos, levou um estandarte de 1,4 metros de altura e 1,2 kg para homenagear a santa. Ele mesmo confeccionou a peça. “Fiz essa obra em 2019, para a canonização. Foram seis meses até a confecção completa. Desde então, ele me acompanha nos eventos religiosos”, contou.

Djalma e Adilson fizeram homenagem através da arte (Foto: Paula Fróes/ CORREIO)

Ele também fez uma cruz de 1,7 metros de altura e cerca de 2kg, com material reciclado coberto por 2,2 mil fitas do Senhor do Bonfim. A peça foi entregue ao amigo dele, o cantor e compositor Djalma Santos, 47 anos, devoto de Dulce e de Senhor do Bonfim.

“Foi um presentaço. Levo essa cruz para todas as festas, ela é meu amuleto da sorte. Hoje estou aqui para pedir pela paz. O mundo precisa de mais amor e Santa Dulce é quem mais pode nos ensinar a amar”, concluiu.

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