Filha de defensor público, jovem negra é confundida com pedinte em shopping no CE

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24.09.2021, 12:43:59
Atualizado: 24.09.2021, 12:49:57
Mel Campos foi confundida com pedinte e barrada na porta de shopping (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)

Filha de defensor público, jovem negra é confundida com pedinte em shopping no CE

'Tratou minha filha como pedinte apenas por ser negra, ligando a cor à pobreza', criticou pai, que denunciou racismo

Uma adolecente de 16 anos foi impedida de entrar em um shopping do Bairro Cocó, em Fortaleza, nesta quarta-feira (22). Ao entrar no centro de compras, a jovem foi barrada pela segurança que pensou se tratar de uma pedinte.

O pai da jovem, o defensor público Adriano Leitinho, trata o ocorrido como racismo já que a filha é negra. Ele acionou a Delegacia da Defesa da Criança e do Adolescente e registrou uma notícia-crime.

Mel Campos, 16 anos, conta o momento de constrangimento que passou no shopping. “Ela [a segurança] disse que eu não podia estar pedindo dinheiro ali e eu não entendi. Eu questionei ‘[a padaria] está fechada? Não pode mais fazer pedido?’. Aí, ela disse ‘não, não pode pedir aqui dentro’, aí eu entendi o que ela estava querendo dizer”, disse.

Só depois de explicar para a segurança do local que era cliente, ela conseguiu entrar. “Eu falei: ‘não moça, eu sou cliente, eu vim aqui comprar’. Eu tentei explicar a situação, aí ela pediu desculpas, e eu entrei”, afirmou Mel.

O episódio de racismo só foi percebido depois de uma conversa com uma amiga, que a alertou para o preconceito que ela sofreu e aconselhou que conversasse com o pai.

“A segurança tratou a minha filha como pedinte apenas por ser negra, ligando a cor à pobreza, o que é inadmissível e é racismo. Minha filha estava voltando do jiu jitsu de kimono, com sua mochila nas costas. Não estava pedindo nada a ninguém. E mesmo se estivesse não justificava a abordagem racista e discriminatória”, disse o pai, indignado com o caso.

Para a TV Verdes Mares, a gerente do Shopping Pátio Portugaleria, Lúcia Alves, disse que segundo a segurança, a adolescente ficava correndo entre um posto de combustível e o shopping, por isso, achou que a menina era pedinte. 

Nesta quinta-feira (23), a funcionária pediu demissão, conforme informou a gerente. Lúcia reconheceu o episódio e disse que se desculpou com o pai e a jovem. As informações são do G1.

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