Filho de Eva Wilma presta homenagem à mãe e famosos lamentam morte

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16.05.2021, 09:27:00
Atualizado: 16.05.2021, 09:27:01

Filho de Eva Wilma presta homenagem à mãe e famosos lamentam morte

Carreira é relembrada: atriz fez teste para filme de Hitchcock em Hollywood

A atriz Eva Wilma morreu na noite de sábado (16), aos 87 anos, vítima de um câncer de ovário. Nas redes sociais, o filho caçula da artista compartilhou uma foto em que aparece com Eva, em cima de um palco, com a legenda: “Obrigado, mãe”. 

Em seus stories, John também compartilhou uma postagem feita pelo irmão Francisco e um agradecimento ao médico Roberto Sebastian Zeballos, que cuidou da atriz. Eva foi internada no dia 15 de abril, na UTI do hospital Albert Einstein, para tratamento de problemas cardíacos e renais. 

Cinco dias depois, foi emitido um comunicado relatando uma melhora na função do coração de Eva, que seguiu com assistência renal. O diagnóstico de câncer no ovário veio no dia 8 de maio e a equipe médica iniciou de imediato o tratamento oncológico, mas a artista não resistiu e morreu às 22h08 de sábado (16).

Nas redes sociais, famosos lamentaram a perda de “uma das artistas mais talentosas do país”, nas palavras do dramaturgo Walcyr Carrasco. “É um dia em que a gente fica triste. Perde-se uma estrela da maior grandeza. Sem dúvida, uma das artistas mais talentosas do país, que dedicou sua vida à arte. Vá em paz, querida Eva Wilma!”, escreveu em seu perfil.

O ator Miguel Falabella também prestou uma longa homenagem a Eva, relembrando que a primeira cena que dirigiu na Globo foi com ela e Carlos Zara. “Quanta gentileza e generosidade recebi dessa querida colega! Gravamos, no final, uma linda cena e ela me disse que eu jamais me esqueceria de que ela tinha sido a primeira atriz que eu dirigira na televisão”, disse, em seu perfil nas redes sociais.

A cantora Daniela Mercury também se manifestou sobre essa que foi “uma das maiores atrizes do Brasil”. “Um talento genial que fará muita falta!!! Um beijo carinhoso para a família de Eva Wilma”, disse a cantora baiana.

Boninho, diretor de entretenimento da Globo, também se despediu com uma imagem de Eva no Instagram e a mensagem: “Querida Eva Wilma que a sua luz ilumine nossos palcos pra sempre!”.

Eva Wilma chegou a fazer teste para filme de Hitchcock em Hollywood
Criada em um ambiente rígido, Eva Wilma teve uma formação cultural sólida. Recebeu aulas de canto e de piano com a mestra Inesita Barroso e estudou balé clássico. Aventurou-se no teatro com a mesma disciplina que conquistou, aos 19 anos, uma das disputadas vagas para o Ballet do IV Centenário de São Paulo, em 1953. 

Vivinha, como é chamada pelos amigos, começou a atuar no Teatro de Arena, seguiu para a TV Tupi, onde foi estrela de muitas novelas nos anos 1970. No fim dos anos 1960, chegou a fazer um teste para o filme Topázio, de Alfred Hitchcock, mas não foi escalada. 

Depois de tentar entrar em Hollywood, tornou-se uma das grandes atrizes de sua geração no Brasil e fez sólida carreira na Globo. Na emissora, ela interpretou personagens que oscilavam entre mocinhas e vilãs, sendo as mais marcantes a Dra. Martha do seriado Mulher (1998/1999); e a perversa Altiva, de A Indomada (1997). 

Viveu também Íris, em Fina Estampa, novela de 2011 que foi reprisada em 2020, durante a pandemia de Covid-19 – quando a emissora interrompeu a gravação de novelas e programas de entretenimento. Em 2015, deu vida à Dona Fábia, na novela Verdades Secretas.

“A expressão artística tem uma ligação com a divindade. A matéria-prima do ator, além do físico, é a imaginação. Essa criatividade está dentro e fora. Acho que tem um dedinho de Deus no meio disso” – Eva Wilma, em declaração para a Globo

Eva Wilma como Maria Altiva, na novela A Indomada
Eva Wilma como Maria Altiva, na novela A Indomada (Foto: João Baumann/TV Globo)

Em entrevista à TV Globo, Eva falou sobre o retorno de A Indomada na plataforma de streaming do Globoplay, em agosto de 2020. Escrita por Aguinaldo Silva e Ricardo Linhares com direção de Paulo Ubiratan em 1997, a novela apresentou personagens que marcaram o imaginário popular como o misterioso Cadeirudo e a venenosa Maria Altiva, personagem de Eva Wilma que eternizou frases como "Oxente, my God”, “Well” e “Tudo all right”. Confira a entrevista cedida pela emissora.

Quais são suas principais lembranças de ‘A Indomada’?
A gente se divertiu tanto nesse trabalho! Estou muito feliz que vai entrar no Globoplay. Eu sempre me baseio muito no texto para fazer meus personagens e a Maria Altiva era muito divertida, irônica. Não gosto de fazer vilões mal-humorados. Acho que o vilão tem sempre uma característica que é o prazer da raiva. São personagens que têm muitos conflitos e colocam isso para fora. Com humor, então, é melhor ainda.

As expressões da personagem caíram na boca do público. ‘Oxente, my God”, “Well” “Tudo all right”. Como foi incorporar esses bordões e a repercussão nas ruas?
Eu me diverti muito! Na época, tinha uma jornalista de Recife que me deu a dica do “Thank you very much, viu bichinho”. Foi ela que trouxe isso. Eu falei com Aguinaldo, ele aprovou. Tínhamos um diálogo infinito e esse prazer de inventar em cima. O público ainda fala comigo sobre a Altiva. Dentre tantas novelas e trabalhos, foi um grande destaque. O mais gratificante de tudo foi a reação do público, que, aliás, não ficou com raiva da Altiva.

Tem alguma cena que ficou marcada na memória?
Sim, uma fantástica! Depois de uma briga da Altiva com o Pedro Afonso, que era interpretado pelo Claudio Marzo, propus que ela saísse de casa com chapéu, luva e uma sombrinha. Ela sai assim, não consegue encontrar uma hospedagem e vai parar no banco da praça. Ela adormece e alguém leva uma quentinha. Mas ela está tão cansada que vem um cachorro, sobe nela e come toda a comida. Eu me diverti demais na gravação. Essa cena foi inesquecível para mim e para o público.

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